quarta-feira, 2 de setembro de 2020

A esquerda usa o STF para mandar no Brasil sem ganhar eleição

J. R. Guzzo

A nova lei sobre o saneamento básico, que acaba de ser aprovada e, nos seus aspectos essenciais, torna a operação das redes de água e esgoto mais abertas aos investimentos da iniciativa privada, está sob ataque. Onde? No Supremo Tribunal Federal, é claro. Por quem? Pelos partidos de “esquerda”, é claro — PT, Psol, PCdoB, PSB, PDT e os seus arredores. Eles querem que o STF declare que a lei é “inconstitucional”. É o grande pé de cabra da safadeza política de hoje: quando os inimigos do atual governo perdem alguma votação no Congresso, vão correndo à “suprema corte” e exigem que a vontade da maioria seja anulada. Sabem que está ali, hoje em dia, sua grande chance de mandar no Brasil sem ganhar eleição.
 
Foto: Carolina Gonçalves/Agência Brasil
O sistema atual de saneamento básico é uma calamidade absoluta: 50% da população brasileira, ou mais de 100 milhões de pessoas, continua sem nenhuma coleta de esgoto, e muito menos do seu tratamento, em pleno ano de 2021 — uns 2.000 e tantos anos, mais ou menos, depois que Roma teve a ideia de começar a sua rede. Há 30 milhões que ainda não têm nem água encanada. Esse desastre se deve unicamente a um consórcio que reúne políticos ladrões, sobretudo nas regiões mais pobres do país, partidos de “esquerda” e os sindicatos de funcionários que controlam o setor. É tudo estatal. Quem manda são empresas dos governos estaduais e municipais, que há décadas arrancam verbas do Erário e constroem o mínimo de obras possível.

É o paraíso dos políticos que empregam nessas empresas os seus parentes, amigos e amigos dos amigos; dos empreiteiros que querem receber verbas para implantação de redes que não implantam; e dos PTs da vida, que há décadas vivem como parasitas de estatais. É claro que ninguém nessa turma quer mudar nada; a entrada a sério da iniciativa privada na área vai acabar com muitas das suas bocas. É assim: eles não fazem, mas não deixam que ninguém faça. Atender a população, no caso, é a última coisa que pode lhes interessar. Querem cargos na diretoria, contratos de obras e empregos nas estatais de saneamento. Não querem saber de esgoto nem de água. Querem saber de si próprios, só isso. A população que se dane.

É por isso, e por nenhuma outra razão, que 100 milhões de brasileiros vivem sem esgoto, sujeitos a todo o tipo de dano à sua saúde, aos seus direitos e a sua dignidade. E é por isso que quando o Congresso enfim faz uma lei para amenizar o problema — mesmo com as deformações que foram impostas no seu texto para satisfazer interesses dos deputados e senadores — o PT, o Psol etc. etc. correm para pedir socorro ao STF. Não aceitam nem isso — e sabem que no momento o melhor lugar deste país para fraudar os interesses e a vontade da maioria é o Supremo Tribunal Federal.

Título e Texto: J. R. Guzzo, Gazeta do Povo, 31-8-2020, via revista Oeste, 1-9-2020, 19h35

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