quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Vale a pena? - A história de um Mané Pato (VIII)


Primeiro fato:
No ano de 1965, a Panair do Brasil, empresa criada pela PanAm, e que detinha a concessão de importantíssimas rotas para a Europa e algumas capitais da América do Sul, teve a falência, misteriosamente decretada. Curiosamente, os proprietários da Panair, mantinham estreitos laços de amizade com o ex-Presidente Juscelino Kubitschek, e segundo boatos, não eram, por esse motivo, bem vistos pelos militares que ocupavam o poder.
A situação foi tão inusitada, que duas horas após o anúncio do seu fechamento, a Varig já estava operando as linhas da ex-concorrente.

Segundo fato:
Em uma manobra mais que sutil, em 197, a Varig adquiriu o controle da Cruzeiro do Sul, uma de suas principais concorrentes, principalmente nos vôos para países da América do Sul.
A aquisição não seria nada estranha se não fosse a "rasteira" aplicada contra a Vasp, que já tinha como certo, que seria a compradora. Curiosamente, em decisão de última hora, a Cruzeiro decidiu aceitar uma proposta "bem melhor" da Varig.


Terceiro fato:
Contrariando o princípio internacional da livre concorrência em países democráticos, o Governo Militar concederu à Varig, uma empresa privada, a exclusividade das rotas internacionais. A justificativa foi o consagrado serviço da empresa nos vôos internacionais, e a péssima imagem de sua antecessora, a Panair do Brasil.
- Como se viu, meus amigos, a Varig obteve uma boa ajuda para crescer, não é mesmo? Sabem, isto me faz lembrar uma antiga anedota envolvendo dois leiteiros portugueses desonestos que, após enriquecerem no Brasil, vendendo leite adulterado com acréscimo de mais de 50% de água, voltavam de navio para sua terra, levando toda a sua fortuna em um saco de lona.


- A certa altura da viagem, houve um temporal, e no sacolejo do navio, o saco com a fortuna dos malandros caiu no mar. Enquanto o primeiro praguejava, bufando estrondosamente, o segundo, mais calmo, filosofava: - Pois é: a água trouxe; a água leva!
- Foi assim com a Varig. Favorecida pelo governo militar, tornou-se a maior empresa aérea do Brasil, levando o nome do nosso país aos cinco continentes, porém, o mesmo governo federal, tomou tudo de volta, alguns anos mais tarde.


- Mas, e os grandes bancos? Qual a semelhança?

- Não há nenhuma diferença entre o protecionismo conseguido pela Varig durante o governo militar, e o protecionismo atual, que o governo federal dispensa às grandes corporações bancárias; aliás, proteção confessada indiretamente pelo Presidente Lula, ao declarar, por ocasião do reajuste da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido das empresas prestadoras de serviços: "Os Bancos têm conseguido lucros fabulosos, por isso, podem gastar mais, pagando a nova alíquota do CSLL".

- A política neo-liberal adotada por Fernando Henrique Cardoso, perdura há 14 anos, já que o Presidente Lula também é adepto, embora negue. Essa política tem favorecido escandalosamente os bancos, que vêm apresentando níveis de lucratividade, jamais vistos no setor. Uma curva ascendente, que só no governo Lula atingiu 132% de aumento.


- E quais são os favorecimentos? Creio que nem mesmo seria necessário explicar. Basta consultarmos os extratos de nossos cartões de créditos, os avisos de empréstimos conseguidos, as notas de serviços, etc. O crédito está sendo estendido em proporção geométrica. Criou-se o empréstimo consignado para os aposentados, onde os bancos não correm nenhum risco, pois os pagamentos são descontados em folha diretamente pelo INSS.

A taxa de juros para pessoas físicas, gira em torno de 5,2% ao mês, ou seja, 5 vezes a taxa SELIC, e 10 vezes a inflação. Já os juros sobre cheques especiais e cartões de crédito, representam o dobro disso. 

- No âmbito das prestações de serviços bancários, a prática é a mesma. Permitem-se a cobrança de taxas de serviços para todas as atividades bancárias, mesmo considerando-se que algumas dessas cobranças são feitas em dobro, já que quando tomamos empréstimos de qualquer modalidade, pagamos taxas e juros altíssimos, o que, em tese, nos deveria isentar do pagamento dos serviços periféricos a eles inerentes. Mas não! Pagamos a confecção de talões de cheques, das fichas cadastrais, taxas de manutenção de linhas de crédito, mesmo não utilizadas, extratos bancários, e por aí vai. Em resumo, as taxas de serviços hoje, representam nada mais, nada menos, que 15% da receita dos bancos.


- Então, qual seria o risco, se os bancos estão com as burras cheias? - perguntou, como que, afirmando, Mané Pato V.
- Pois é! Só que as burras podem se esvaziar de repente, não é mesmo? Não foi assim com a Varig, que ruiu mediante uma simples canetada do Presidente Collor? Quem pode nos garantir que os futuros governantes darão apoio a esta verdadeira "farra do boi" dos bancos?


- Sob este aspecto, temos duas considerações a fazer, ambas com negras perpectivas:
- Os senhores já ouviram falar na recente crise americana denominada "subprime"?
- Acho que todos nós já ouvimos falar, mas certamente não sabemos direito o que é - observou Mané Pato.


- Então, vamos resumir de forma compreensível para todos vocês:
- No período compreendido entre os anos de 1997 a 2006, houve um forte crescimento nas transações imobiliárias nos Estados Unidos, o que motivou também uma grande expansão do crédito respectivo. Nesse período, mais de 2/3 das residências próprias no país, estavam hipotecadas, chegando, a carteira americana, perto dos US$ 4 trilhões, em 2003. Para se ter uma idéia da grandeza desse número, ele corresponde a quase três vezes o Produto Interno Bruto anual do Brasil.


Todos os envolvidos no processo de compra e venda de imóveis, se mostravam felizes com o crescimento experimentado no setor: O proprietário que vendia, porque conseguia ótmos preços. O proprietário que comprava, porque teria excedlentes condições de pagamento. Os corretores porque as comissões eram polpudas, e os agentes financeiros porque conseguiam lucros expressivos, face ao movimento exacerbado de hipotecas contratadas.


As facilidades de crédito eram, aparentemente, excelentes, tanto para o agente financeiro quanto para o mutuário, pois os financiamentos sob hipoteca se estendiam por 30 anos.


Próximo:
Vale a pena? - A história de um Mané Pato (IX)

2 comentários:

  1. Pois é meu amigo Jim, nos o povo
    e os politicos estamos nas maos dos grandes empresarios.
    Os politicos obedecem aos empresarios que financiaram suas campanhas.
    E nós obedecemos aos politicos
    ëleitos" pelo povo...
    A justiça por aqui, funciona para quem tem Q I>>> quem indica!

    Tudo isso, muito triste e se 'e idoso entao, ai 'e que eles desrespeitam mais
    Abracos e com muita f'e em Deus,
    pois Ele tudo ve
    Jan

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