quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Americanos com medo do Obamacare

Sobreviveremos ao Obamacare?
Os americanos estão assustados com as perspectivas de assistência médico-hospitalar propostas por Obama
Francisco Vianna


Há mais de três anos, após a aprovação da Lei da Assistência Médica Acessível (Affordable Care Act), ou o que se chama vulgarmente de OBAMACARE – a assistência médico-hospitalar da administração Obama –, a maioria dos americanos ainda não têm uma boa compreensão do que a lei faz e como ela irá afetar suas vidas. Em considerável extensão, isso se deve à enorme complexidade da lei e do fato de que suas principais peças só agora estão começando a fazer efeito.

Tal complexidade é também a causa de muitos dos problemas técnicos que o governo federal enfrenta para fazer a lei funcionar, problemas esses que criam ainda muita confusão e ansiedade ao público, mormente ao das camadas mais pobres da população.

Politicamente, as chamadas "disposições populares" (tais como os chamados cuidados preventivos “gratuitos”, estendidos aos jovens até 26 anos de idade, e essas "crianças" sob os cuidados dos planos de saúde de seus pais, e a expansão do MEDICARE com a prescrição de medicamentos com base na relação droga/benefícios) tiveram efeitos imediatos, antes da eleição de 2012. Mas estas disposições são quase irrelevantes em comparação com os componentes prejudiciais do OBAMACARE, que foram programados para entrar em pleno vigor em janeiro de 2014.

Foi quando um novo e completamente insustentável programa de subsídio tomou conta através dos intercâmbios governamentais. Foi também quando o OBAMACARE ampliou o falido programa MEDICAID, drenando para ele milhões de novos pacientes e quando os americanos começaram a pagar a maior parte dos cerca de US $ 1,8 trilhão em novos gastos diretos com aumentos de impostos e cortes maciços de subsídios sem precedentes para o programa MEDICARE.

Os resultados destas disposições mudarão profundamente o sistema de saúde dos EUA e, sem dúvida, produzirão efeitos negativos duradouros para a maioria dos americanos, independentemente da fonte de sua cobertura de saúde. Muitos norteamericanos vão arcar com custos mais elevados, terão menos opções para a cobertura e menos acesso a médicos e hospitais.

Os americanos sabem muito bem que governo algum tem um tostão sequer para gastar com o povo que não seja tirado do próprio povo, seja sob a forma de imposto, de contribuição, ou de lucro de capitalismo estatal. O problema da assistência médico-hospitalar privada nos EUA é o seu custo que é alto e gera seguros de saúde caros e cheios de percalços de cobertura de atendimento. Trata-se de uma indústria que paga somas altíssimas de indenização por erro médico (malpractice) e que deixa fora do sistema uma percentagem inaceitavelmente muito alta da população.

A intenção dos Democratas – reduto partidário dos socialistas no país, que são chamados por lá, no máximo, de ‘progressistas’ – em criar uma Lei de Assistência Médica e Hospitalar “Acessível” aos mais pobres é elogiável e deve ser apoiada, mas, é preciso que se crie uma “contribuição específica” para custear o funcionamento da lei, uma vez que ela propõe dar aos mais necessitados uma assistência médica de boa qualidade e a preços bem abaixo do mercado local, e que deveria deixar de fora desse ‘sistema estatal’, os que têm condições de pagar seus planos de saúde e de assistência medico-hospitalar privada. Mesmo, é claro, que isso incida numa obrigatoriedade de todos pagarem tal contribuição de forma decrescente, na medida em que utilizem ou não eventualmente do sistema.

Mas isso não interessa aos socialistas encastelados no Partido Democrata, e Obama e sua equipe quer um sistema “universalizado” que estenda as mesmas condições para todos – ou seja, a antiga falácia da igualdade social – mesmo que isso determine uma deterioração da alta qualidade da medicina estadunidense na parte que dá certo, ou seja, para as camadas mais abastadas da população.

Pelo jeito, muita água vai rolar por baixo dessa ponte até que eles se entendam por lá e construam um sistema justo que ampare os mais pobres sem, por outro lado, arruinar a melhor medicina do mundo, como é típico de todos os tipos de socialismos experimentados até hoje.
Título e Texto: Francisco Vianna, 19-12-2013

Um comentário:

  1. Tratar problemas graves de Saúde nos EU, leva aproximadamente 700.000 americanos a falência econômica por ano.
    Em países como França, Japão, Alemanha, Canadá e outros que são referencia no segmento de saúde, este número é 'zero'.
    Para cada dólar gasto com saúde nos EU, 20 centavos são só de burocracia, enquanto nos outros países, o percentual varia de 6% (o mais alto) no Canadá e em Taiwan, 1,5% (o mais baixo), sem que nenhum deles tenha lucro ou deixe de investir em pesquisas e inovação.
    No Japão, um contribuinte procura o médico 15 vezes mais que o americano e tem acesso a exames caros de imagem 3 vezes mais que os americanos. Ainda assim, no Japão gasta-se 3.500 dólares por ano com o cidadão e nos EU, gasta-se o dobro
    Na Alemanha o cidadão dispões de 200 planos de saúde que ele pode mudar a qualquer momento sem ter que perder a poupança que fez no plano que decidiu deixar.
    Sinceramente, eu não acredito que isso se deva aos custos com indenizações por 'malpractice'.
    O americano tem muito a prender com o resto do mundo se quiser oferecer serviço de qualidade a preço justo para seu povo sem deixar de lucrar e investir em pesquisas.

    Aqui, por exemplo, alguns gestores de Saúde pagam salários milionários a jogadores de futebol e a ANS não acha ruim. Não investem em nada que tenha relação com saúde O povo só paga. Tenho até a impressão de que o PT bem vai gostar da ideia do Obama e nos empurrar goela abaixo a mesma prática.

    Circe Aguiar

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