terça-feira, 24 de janeiro de 2017

A Tolerância é uma Via de Mão Única?

Douglas Murray 

Quando praticamente todas as demais revistas do mundo livre não conseguem defender os valores da liberdade de expressão e do direito à caricatura e à afronta, é de se esperar que um grupo de cartunistas e escritores, que já pagou um preço tão alto para defender a mensagem dessas liberdades, continue a defendê-las sozinho?

A maioria das pessoas que diz estar preocupada com o direito de dizer o que quiser, quando quiser, sobre o que bem entender, estava falando sério -- caminhar pelas ruas de Paris exibindo um lápis nas mãos. Ou então estava simplesmente a fim de falar por falar "Je Suis Charlie". Mas na realidade quase ninguém estava falando sério.

Se o Presidente François Hollande e a Chanceler Angela Merkel realmente tivessem a intenção de defender a liberdade de expressão, então em vez de andarem de braços dados pelas ruas de Paris junto com alguém tão inconveniente como o líder da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas, eles teriam exibido as capas da revista Charlie Hebdo e dito: "é assim que uma sociedade livre se comporta e é isso que defendemos: todos nós, líderes políticos, deuses, profetas, enfim todos podem ser satirizados e se vocês não gostarem da ideia então mudem-se para os buracos insalubres da escuridão que vocês tanto sonham".

A imprensa mundial inteira internalizou o que aconteceu na redação da revista Charlie Hebdo e, em vez de ficar unida, decidiu jamais arriscar que algo assim também aconteça a ela.

Não há dúvida que nos últimos dois anos aprendemos que essa tolerância é uma via de mão única. Esta nova submissão ao terrorismo islamista acontece provavelmente porque quando em 2016 um atleta sem envolvimento algum na política, religião ou sátira foi pego fazendo algo que poderia ter sido visto como menos do que absolutamente respeitoso em relação ao Islã, não havia ninguém por perto para defendê-lo.


O 7º dia do mês em curso marca dois anos do dia em que dois homens armados entraram na redação da revista satírica Charlie Hebdo em Paris e assassinaram doze pessoas. Portanto o período em pauta também marca o segundo aniversário do momento em que, por cerca de uma hora, grande parcela do mundo livre se autoproclamou "Charlie" e tentou, por meio de passeatas, parando por instantes em silêncio ou retuitando a hashtag "Je Suis Charlie" mostrar ao mundo que a liberdade não pode ser suprimida e que a caneta é mais poderosa do que o fuzil automático Kalashnikov.

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