sexta-feira, 2 de junho de 2017

“Discurso de Merkel foi um golpe de teatro para eleitor ver”

João Pereira Coutinho

Angela Merkel afirmou em Munique que os europeus tinham de fazer pela vida. Sem contar com a eterna proteção americana. No mundo de Merkel, a ‘Europa’ será um bloco entre blocos – e até a Rússia foi colocada no mesmo patamar dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha.

Bem sei que Merkel nasceu na pátria de Heidegger, um especialista na condenação equitativa do ‘americanismo’ e do comunismo. E também sei que a chanceler estava com uma caneca de cerveja na mão, o que não ajuda a um raciocínio equilibrado. Mas o que disse Donald Trump sobre a OTAN para provocar tanto alarido?

Nada que Barack Obama não tenha dito antes dele: é preciso pagar. Pelo menos, os 2% do PIB que vários parceiros consideram uma indignidade (a Alemanha, nem de propósito, contribui para a Aliança Atlântica com 1,2%). Se uma repartição de custos é motivo para uma separação amigável, desconfio que não sobram casamentos no mundo.

Por razões humanitárias, prefiro acreditar que o discurso de Merkel foi um golpe de teatro para eleitor ver: quem tinha dúvidas sobre os entusiasmos europeístas da chanceler, ficou sem elas. Quando até Martin Schulz, o seu adversário político, aplaude com fervor as palavras de Merkel, suspeitamos que a missão era outra – e foi cumprida.
Texto: João Pereira Coutinho, SÁBADO, nº 683, de 1 a 7 de junho de 2017
Digitação e Marcação: JP

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