terça-feira, 30 de janeiro de 2018

A soma virtuosa das idades do homem

Leo Daniele


Se fosse dado ao leitor escolher a idade para fixar sua vida, o que escolheria? A infância? A mocidade? A maturidade? Ou a velhice? Ou viver cento e tantos anos?

Para ajudá-lo, eis como Plinio Corrêa de Oliveira resume magnificamente cada uma dessas idades:

“A criança sonha com o maravilhoso: ela é fraca, débil, pequenina, mas é pura. Então, o puro e o maravilhoso são próprios do menino.

“Depois começa a maturidade. Com ela se perdem o idealismo e o élan. A força é uma força de estabilidade, de fixação. A pessoa vê a realidade mais concreta, ela manda, ela governa. Não tem mais a força de um soldado de vanguarda, mas tem o vigor de um general”.

Mais tarde vem a velhice. É outra forma de sabedoria. Ou o contrário? Se mal vivida, pode ser o oposto: “Nada é nada. Meu egoísmo é tudo. Fico chupando minha boca vazia de dentes, tolerando minha cabeça vazia de ideias, carregando meus olhos vazios de luz e meus ouvidos vazios de som.”

Mas tudo se inicia na infância:

“Uma boa criança tem uma forma de abertura de alma por onde ela é muito pouco interesseira. Ela é desinteressada, é meiga, é afável; com facilidade dá o que tem. Toda criança boa faz pequenos desenhos que procura dar aos outros. Ela tem um senso de admiração muito grande em relação aos mais velhos. Procura vê-los sob os melhores aspectos e se encanta com esses aspectos.

“A criança boa é movida pelo princípio de que a vida dá certo, e de que vale a pena viver porque é algo grande. Embora tenha sofrimentos, tudo no fim tem sua explicação, e ela é verdadeira. O aborto é o zero!

“Resulta daí aquela espécie de otimismo que caracteriza a criança. Ela é cheia de esperança, crê com facilidade no que lhe contam, e é toda voltada para entregar-se, para servir, para admirar.
“Por causa das graças do batismo, a infância é um apogeu. Trata-se de saber se a vida do homem cresce depois de apogeu em apogeu, até a ansianidade, ou se ele tem ‘desapogeus’…

“Como diz uma oração a Nossa Senhora, ‘Vós tendes vossos desígnios em relação a mim’.

“Depois vem o moço. Puro, já não ouso afirmar, mas é idealista, forte, romântico, amoroso. As más tendências entram com o romântico e o amoroso.

“É a trajetória de uma vida. É uma luta de classes de uma época contra outra da vida. Essa concepção [errada, de luta de classes] faz parte do evolucionismo, que é sempre a destruição de uma coisa em nome da outra, dando a isto o nome de continuidade, embora sendo a descontinuidade por excelência.”

Portanto, as idades não se opõem, elas se somam! 
Título, Imagem e Texto: Leo Daniele, ABIM, 30-1-2018

Um comentário:

  1. Qual é a escolha certa?
    Como dizia o falecido pediatra, inclusive na VARIG e grande amigo, doutor DÉCIO MARTINS COSTA, infelizmente falecido. Educação é feita quando criança até 4 anos, Ele dizia que quando inicia a época do aprendizado acaba-se o aleitamento. Na fase infanto juvenil apara-se as arestas.
    A adolescência é a fase da informação. Se educado continua educado se sapiente continua sapiente.
    Mas se desinformado, custodiado ideologicamente, perde tudo.
    Ele também dizia que para tirar a chupeta sem fazer força é só mandar a criança cheirá-la.
    Não se apara arestas com mimo, com presentes e adulações.
    Eu gostaria de parar aos 45 anos.
    Quem encontra-se incompleto aos 40, morre incompleto.
    Buscar o conhecimento na velhice, não recupera o tempo perdido, locupleta as informações e não traz de volta o passado, somente dá prazer.
    E que prazer não dá felicidade?
    Não acredito que destruamos em nome de outras, acredito que sem o construído no passado não haveria o futuro.
    O presente é apenas o átimo de tempo que separa o passado do futuro, não dura mais que isso.
    Vivemos sempre no futuro presente, ou presente futuro como queiram.
    Não há borrachas e apagadores, apenas uma lousa repleta que ficamos procurando espaço para escrever.
    FUI

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