terça-feira, 22 de maio de 2018

[Aparecido rasga o verbo] Homem de verdade ou a eterna veleidade do idílio inexistente?

Aparecido Raimundo de Souza

Homem de verdade é aquele que ama cinco mulheres ao mesmo tempo, uma de cada vez, em pontos diferentes, torcendo, todavia, para que elas nunca se encontrem na mesma hora, e de preferência, na mesma cama”.
Da série Aprazo Sem Garantia

HOMEM DE VERDADE, É AQUELE que sabe o momento exato de parar, de tirar o time de campo, de pegar seu banquinho, sair à francesa e seguir adiante, sem olhar para trás. Sequer dar uma relanceada de olhos para uma despedida fugaz respingada por dissabores de horrenda solidão. Solidão é um mal arredio e perverso. Sempre aflora quando nos acantonamos isolados e melancólicos dentro de nossos piores desesperos.

Homem de verdade é aquele que anda de cabeça erguida. O que jamais se deixa abater diante dos atravancos e empecilhos, nem tropeça duas vezes nos mesmos erros cometidos. Sempre arranja novos desafios para se divertir e chegar à conclusão que superou a própria imbecilidade moradora dentro de si. A imbecilidade é uma célula de má índole fixada em nosso corpo, como um vírus superpoderoso. Ao menor sinal de imunidade baixa, faz questão de se mostrar vivo e pulsante.

Se porventura o homem de verdade desvia os passos, ou sai da rota previamente traçada e involuntariamente se depara e cai motivado por uma topada inesperada, levanta de novo. Bate ligeiro na poeira, suspira forte, ergue a cabeça e segue de onde estancou a jornada. Faz isso sem derrubar o amigo que está ao lado, ou logo atrás. Derrubar alguém, cedo ou tarde fará com que um castigo intempestivo se faça dominante como uma queda abrupta e ultrajadamente demolidora.

Homem de verdade não faz xixi nas vias públicas. Tampouco mija nos muros. Não faz cocô em terrenos baldios, nem atira gracejos às moças desacompanhadas quando cruza com elas pelas ruas da cidade. Chalaças à estranhas nem sempre resultam em desfechos positivos.

Homem de verdade não dirige embriagado, não manda o guarda de trânsito tomar naquele lugar e, quando sai com os companheiros para se divertir, não devassa a compostura bebendo o conteúdo do copo além da conta, a ponto de inflamar vexames ou provocar escândalos a quem quer que seja. “Quem quer que seja”, por mais convizinho que possa parecer, debanda, distanciando a amizade e retrogradando os laços da simpatia e cumplicidade.

Homem de verdade não vive enroscado com trapaças, engodos, tramoias ou claudicações. No mesmo norte, não tenta embaçar, fraudar, extorquir ou ludibriar a boa-fé alheia. Não mente para a esposa nem a trai arranjando amantes. Principalmente “babados imaginários”. Não gasta dinheiro à toa em boates e motéis de categorias duvidosas. Pocilgas de beira de estrada denigrem a imagem do homem de verdade e o faz devasso e indecoroso diante de sua própria consciência.

Homem de verdade não é perfeito em tudo o que empreende, porém, cuida para que esse “tudo” pareça perfeito, esmerado e benignamente divino.  Quando está ao lado daquela que escolheu para ser a eleita do seu cotidiano, vibra em presença, se desmancha em mesuras e cortesias, reverencias e vênias.  A adoração à consorte é o ponto nevrálgico para manter um relacionamento regular e atraente a dois. Relacionamentos a dois são como o côncavo e o convexo num idêntico patamar de elucubrações, onde cada um deve contribuir com a sua melhor essência interior.

Homem de verdade não agride a companheira, não maltrata os filhos pequenos, nem desleixa com os compromissos que assumiu. Faz vibrar o coração da epiderme que afoita, reclama carinhos e atenções. Não permite que a amizade entre as almas se meça somente por sorrisos e elogios. Vai mais longe, coadjuvando para que a maviosidade do efêmero não se perca em dias e noites sombrios. Dias e noites sombrios (entre duas criaturas não pontilhadas no mesmo objetivo, se ambas estiverem fora da sintonia meridiana dessa “intenção”) contribuirão para que o propósito final, ou a ambição escopada feneça e se espedace nos laços intrusos do inconsequente.

Homem de verdade não vive metido com drogas, não anda em más companhias, nem se deixa levar por falsas amizades.  Falsas amizades são aquelas benquerenças disfarçadas de apegos e entusiasmos que servem somente para alimentarem a destruição e a autoestima. A autoestima é a vitamina que sustenta que encoraja que agasalha e protege esses apegos e entusiasmos, desmascarando suas incertezas e favorecendo o prosseguimento da reciprocidade entre os laços humanos.   

Homem de verdade curte literatura, aprecia boa música, tem gosto apurado e elegante por pratos especiais. É um perfeito cavalheiro, e quando quer fumar se afasta do grupo para não incomodar os que lhe são caros. Os que são caros, não são obrigados a aturarem seus defeitos e manias, ainda que esses embustes não sejam perniciosos ou, via outra, coloque, em risco, o bem maior, a saúde.

Homem de verdade é dono de si. Sempre. Tem completo controle da situação, é safo pronto, ágil, idôneo por natureza. Carrega uma visão próspera de futuro, aquém, às vezes, da sua capacidade de entendimento. Sabe como encontrar os caminhos e atalhos, as brechas e desvãos para chegar à felicidade total levando a amada a ver estrelas incandescentes em pleno meio dia de sol a pino. A amada é o fluxo do sangue que percorre as veias, como o ar benfazejo que alimenta o anfêmero. 

O homem de verdade, na genuinidade legítima da palavra, não existe. É literalmente fantasioso, quimérico, utópico. Mesmo sentido, é peça incomum, desprovida do frequente singular que envolve o comum. Em outros modos: é produto raro, ilógico, difícil de encontrar. É ainda sonho e, acima de todas essas coisas, politicamente surreal e fictício. Fictício como o vento que sopra e não se vê, embora dele necessite para continuar vivo, pleno, e abastecido de venturas.

RESUMINDO O ÓBVIO. SE O HOMEM DE VERDADE EXISTISSE, O MUNDO EM QUE HABITAMOS NÃO TERIA NENHUMA GRAÇA. ENTENDAM O SEGUINTE. NINGUÉM VIVE (PRINCIPALMENTE AS MULHERES), SEM A COMÉDIA, SEM A FARSA, SEM O FINGIMENTO, SEM O TEATRO, SEM A PATRANHA, SEM O EMBUSTE, E, SOBRETUDO, SEM A HIPOCRISIA INFAME DE UM “HOMEM DE VERDADE”, LITERALMENTE VELHACO E DIAFANADAMENTE MENTIROSO. MENTIROSO NA ENPOLGAÇÃO DE DIZER “EU TE AMO”, QUANDO NO CERNE, QUERIA PROFETIZAR UM “EU ME ADORO, COMO SE FOSSE UMA CRIATURA ÚNICA E INIMITÁVEL”. 
Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, jornalista. Do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas interior de São Paulo. 22-5-2018

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6 comentários:

  1. Concordo com cada palavra dita no final Aparecido, como sempre texto impecável, mas usando suas palavras, não existe a mulher perfeita, que graça o mundo teria se todas as mulheres fossem perfeitas existe mulheres para todos os gostos ( principalmente para os homens) assim como os homens gostam de uma farsa ,de mentiras, de manipular, de achar que estão arrasando,as mulheres também é ÓBVIO o mundo dos homens precisam disso para viver se a mulher fosse perfeita, como o homem acreditaria nas mentiras contadas no dia a dia, como o homem sobreviveria sem a tais palavras manipuladoras "Eu te amo" portando não existe mulher ou homem perfeito. Existe pessoas procurando se encaixar nas imperfeições uns dos outros. Carla

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  2. Coincidência! Enquanto lia esse artigo, estava ouvindo Ney Matogrosso com "Eu sou homem com H". Então amigo, quando essa música foi lançada ainda havia a preocupação nos "homens" de se "provar" a masculinidade, bons tempos aqueles! Porém, o que importa atualmente é "ser feliz" ao seu modo, doa a quem doer. Homem ou mulher, perfeitos? No mundo real? Não creio que possa existir, eu pelo menos, nunca tive a sorte de encontrar. Portanto, vamos nos contentar com algum que possua pelo menos a qualidade de ser e não apenas "parecer", honesto e trabalhador. (Coisa rara).

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  3. É claro que existe o homem prefeito...pelo menos um em cada cidade!

    PAIZOTE

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  4. Nos tempos atuais, onde se questiona a perfeição de Deus...buscar homem perfeito é fantasia!
    Paizote

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  5. PODEM ME CHAMAR DE "VEADO", IMBECIL NÃO ME IMPORTA.
    DIA 27 DE MAIO DE 1983 EU ME CASEI COM 32 ANOS, E NESTE 27 FAÇO 35 ANOS DE CASADO.
    Não houve quem apostara, que nunca seria ETERNO, o feio e gordo casar-se com mulher tão linda de olhos de esmeralda.
    Todos diziam que eu tinha o gênio insuportável.
    Eu adorava cabarés, boites, dança dos queijos, os nudes das noites cariocas.
    O beco das garrafas, a galeria Alaska, O Alfredão da Sá Ferreira, as festas do Farah, o Le Bateau, a Barbarella, a Mônica aqui no sul, o Madrigal, o gruta Azul.
    EU FREQUENTAVA "OS LÁ HOJE DE TODOS OS LUGARES QUE CONHECI".
    Em Maio de 1983 eu dei um "STOP" NAS MINHAS DESVENTURAS DE POUCA VALIA.
    Sempre fui um marido honesto., nunca ciumento.
    Apesar do texto eu me considero homem de verdade.
    O homem do texto é um homem de mentira. Sinto muito aos que duvidam, dediquei e dedico cada momento de minha vida a essa santa devota do meu lado.
    Se um dia ela me deixar eu dedico a ela a música "Cadeira Vazia" de Lupicínio Rodrigues sem tristeza nenhuma e agradecido.


    Entra, meu amor, fica à vontade
    E diz com sinceridade o que desejas de mim
    Entra, podes entrar, a casa é tua

    Já que cansaste de viver na rua
    E os teus sonhos chegaram ao fim
    Eu sofri demais quando partiste
    Passei tantas horas triste
    Que nem quero lembrar esse dia
    Mas de uma coisa podes ter certeza
    O teu lugar aqui na minha mesa
    Tua cadeira ainda está vazia
    Tu és a filha pródiga que volta
    Procurando em minha porta
    O que o mundo não te deu
    E faz de conta que sou teu paizinho
    Que tanto tempo aqui ficou sozinho
    A esperar por um carinho teu
    Voltaste, estás bem, estou contente
    Mas me encontraste muito diferente
    Vou te falar de todo coração
    Eu não te darei carinho nem afeto
    Mas pra te abrigar podes ocupar meu teto
    Pra te alimentar, podes comer meu pão.

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  6. Genesis

    (*) Texto de Carina Bratt
    (Para meu patrão Aparecido R. de Souza).

    Nós dois
    Somos...
    somos na verdade
    Uma pessoa só.

    Feitas
    de um barro
    diferente
    que não vira pó.

    Nossos corpos
    queimam
    na mesma
    combustão

    Nossas vidas
    explodem
    em idêntica
    emoção.

    Resumindo nós dois: paixão.

    (*) Título e Texto: Carina Bratt, secretária e assessora de imprensa do jornalista e escritor Aparecido Raimundo de Souza. De Vila Velha, no Espírito Santo - ES.

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