segunda-feira, 14 de maio de 2018

[Para que servem as borboletas?] Um papa demasiadamente liberal colocando o catolicismo em crise?

Valdemar Habitzreuter

O catolicismo é o “depósito da fé”, ou o conjunto de crenças da Igreja católica, que a tradição cristã erigiu desde os primórdios do cristianismo, mormente baseado na Bíblia.

Através de um líder – o Papa – são impostas as diretrizes pela preservação desse “depósito da fé”. Por isso, ao longo da História da Igreja Católica houve inúmeros Concílios em que os bispos, convocados pelo papa, discutiam os rumos a ser tomados para que os crentes tivessem clareza nas questões de fé.

Neste aspecto, em muitos Concílios aconteciam verdadeiros embates em que se discutia, por exemplo, heresias e outras questões contrárias à doutrina católica – oriundas tanto do interior da Igreja como também de “outsiders” - que teriam que ser combatidas e rechaçadas para não distorcer os ditames da ortodoxia do catolicismo.

Um dos mais importantes concílios foi o Vaticano II. Foi aí que os prelados reunidos chegaram à conclusão de que a Igreja católica deveria modernizar-se e ser mais maternal para abrigar a todos sob o manto de Cristo e não só aqueles “cristianamente corretos”.

Portanto, o Papa Francisco apoia-se nesse concílio para que a Igreja seja mais liberal e abra-se mais aos anseios dos fiéis que se sentem marginalizados e alijados da Igreja pela sua rigidez doutrinária: divorciados, homossexuais, proibição de padres casados, etc....

Embora o Vaticano II tivesse conseguido introduzir grandes mudanças para uma vivência cristã mais condizente à ordem social vigente, há ainda muita resistência por parte de influentes prelados que resistem aos acenos do liberalismo do Vaticano II e preferem permanecer no radicalismo tradicional. Temem eles, por acaso, que a Igreja irá desaparecer? Não seria seu radicalismo que fará minguar o catolicismo, mais e mais fieis abandonando a nave da Igreja?

O Papa Francisco, portanto, está se tornando uma figura polêmica como líder máximo da Igreja; um papa, no mínimo, antirradical, ou, talvez, mesmo antidogmático que quer fazer valer as diretrizes do concílio Vaticano II. Nesse sentido ele se esforça em desarmar este grupo retrógrado e engessante que ainda se insurge a que a Igreja realmente seja católica, isto é, universal, servindo a todos que procuram seus préstimos e proteção. É aguardar e ver no que vai dar: se uma Igreja renovada ou se uma Igreja retrógrada ainda apegada à tradição original sem se adaptar à modernidade, propiciando uma migração de seus fiéis para as religiões pentecostais...

(Vem aí um livro, talvez, bastante provocador “Mudar a Igreja: Papa Francisco e o futuro do Catolicismo” de Ross Douthat)
Título e Texto: Valdemar Habitzreuter, 14-5-2018

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6 comentários:

  1. Apenas para colaborar a "igreja católica , não é totalmente subordinada ao Papa! Católica é um termo genérico que denomicam igrejas Cristãs de varias partes do mundo , Apenas a igreja católica de Roma é subordinada ao Papa.
    Paizote

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    1. JOÃO PAULO II foi único e será eterno, tanto que foi canonizado. Era extremamente culto e com uma visão de inigualável. O Papa Francisco é da esquerda, e aí sabe como é...

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  2. Compreendo e respeito o seu post, porém o que realmente preocupa são as borboletas que voam na Câmara, Senado, STF e na Presidência. Estas decepam cruelmente as cabeças da população. AMÉM!

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  3. Ex,; de igrejas católicas; Bizantina ,Ortodoxa bizantina e, ortodoxas orientais , assíria ,anglicana ,Brasileira , a chinesa etc...
    A igreja católica foi criado de cultos cristãos , e pretendia ser universal. Portanto católica!
    Mais tarde cada uma delas gerou "filhotes" ,e hoje é o caos que conhecemos!

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    1. Não há nada de errado com as religiões. O erro está nas pessoas ou como enxergam. Um conselho: tire a poeira dos seus olhos e seja muito, mas muito mais FELIZ...

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  4. O autor é católico apostólico romano?

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