sábado, 28 de dezembro de 2013

O pensionato da República

João Pinto Bastos

Se em Espanha há, da banda esquerda, gritos, lapadas, e mamas ao léu contra quem ousa dizer "sí, Rajoy, tienes razón", em Portugal, o cerne do debate incide, presentemente, sobre a traição de uns e a conversão de outros. Como diria o outro, é tudo uma questão de rapanço no tacho, que, a esta hora, pouco ou nada tem para oferecer às goelas insaciáveis dos comensais do costume. A coisa tem, na verdade, alguma piada, mais que não seja pelo despudor com que alguns, neste momento, defendem o que, há um ano ou dois, virulentamente apostrofavam.
O caso de Pacheco Pereira é sintomático, mas, em boa verdade, cansativo. O deslize do ferreira-leitismo para o louçãnismo mais extremista só não é, politicamente falando, mais grave porque o mesmo resultou do imenso despeito pessoal com que Pacheco olha os patos bravos que, actualmente, dirigem o PPD passista. Pacheco é um caso perdido, daí que não valha a pena gastar muita tinta com o sábio da Marmeleira.

Mais preocupantes são os casos de Ferreira Leite, Bagão Félix, e António Capucho, entre outros, pelo revanchismo pútrido que denotam. Há, neste regime, uma linha vermelha que qualquer governo, seja de direita ou de esquerda, jamais poderá ultrapassar: a linha dos direitos adquiridos. Por outras palavras, se alguém ousa tocar nas prebendas e nos privilégios dos profissionais políticos que vivem "disto" há já vários anos, cai o carmo e a trindade.

É assim que funciona a democracia abrileira: muitas palmadinhas nas costas, pensões altíssimas para quem passa a vida a dizer que a austeridade mata, e muito ódio aos yuppies que, desafortunadamente, e por falta de alternativas mais interessantes, foram obrigados a tomar conta do imenso desaforo criado por estes heróis da causa pública.

Em resumo, muita parra e pouca uva. E é assim, deste modo cavernoso e vingativo, com muitos avisos e desinformações dos pensionistas da República, que Portugal vai afrontando a batuta confiscatória da Maria Luís, engolindo taxas, IVAs a 20 e tal por cento, e insolvências a mil e tal à hora. Um país, como se vê, frequentável.
Título e Texto: João Pinto Bastos, Estado-Sentido, 28-12-2013

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