terça-feira, 28 de abril de 2015

Despenca a popularidade dos presidentes populistas sul-americanos! Dilma não está sozinha

Cesar Maia
1. Dilma não está sozinha. Os 60% de rejeição/desaprovação que tem, são os mesmos de Bachelet – presidente do Chile, eleita com enorme popularidade, que manteve até pouco tempo atrás. Se a crise no Brasil tem a extensão conhecida – econômica, urbana, social e moral – no Chile o escândalo que desgastou Bachelet foi um empréstimo bancário que a sua nora conseguiu, algo como uns dez milhões de reais. Além disso, propôs ao Congresso reformas no campo educacional e tributário: a classe média reagiu e foi as ruas.

2. Maduro na Venezuela desintegra, desintegrando o seu país. A queda do preço do barril de petróleo fechou o caixão. Inflação nas nuvens, PIB despencando, criminalidade recorde, e por aí vai. Pesquisas agora acusam claramente seu desgaste. O monopólio dos meios de comunicação e o populismo escrachado, já não servem mais para nada. O truque anti-imperialista convence só os que estão ou dependem diretamente do governo.

3. Evo Morales perdeu as eleições departamentais, (estaduais), um mês atrás, nos principais centros urbanos: La Paz, Santa Cruz, Cochabamba… Culpou a corrupção.

4. Cristina Kirchner desmonta com rejeição similar a Dilma e Bachelet, de mais de 60%, agravada no caso da inexplicada morte do procurador que apurava as responsabilidades nas bombas em centro israelita que mataram centenas de pessoas. Crise geral-econômica, social, moral e política. Esse ano haverá eleição presidencial. Kirchner não tem candidato próprio. O governador da Província de Buenos Aires – que lidera as pesquisas – é o candidato de carga menos opositora. Kirchner deixou o Mercosul de lado e estabeleceu, recentemente, tratados preferenciais com a China e a Rússia.

5. Não é coincidência que todos os presidentes sul-americanos que viram sua popularidade despencar sejam parte integrante do bloco populista onde ou são irmãos ou primo-irmãos e sempre solidários aos demais, independente das responsabilidades que tenham. O caso dos políticos opositores, incluindo prefeitos, presos, na Venezuela, é exemplar nesse sentido.

6. Deve-se notar também, que em nenhum desses casos, a impopularidade presidencial projetou lideranças expressivas na oposição. Talvez por estarem concentrados nos fatos conjunturais de maior repercussão na imprensa, e não na construção de um projeto alternativo que alavanque, e sustente, lideranças nacionais. 
Título e Texto: Cesar Maia, 28-4-2015

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