sexta-feira, 15 de julho de 2016

América latina: os falsos profetas – populistas – terminaram se desintegrando


Cesar Maia          
1. “Governar é fazer crer”, dizia Maquiavel. As lideranças míticas, sejam políticas, sociais ou religiosas, se afirmam por dois caminhos distintos. De um lado, os líderes cuja autoridade se afirma como guias de seus povos. São os detentores da legitimidade pelas ideias que conduzirão seus povos ao paraíso. Perón e Vargas são exemplos.

2. Outras lideranças legitimam a sua autoridade pela ausência. Representam divindades. O que os legitima está ausente deles, está em outro plano. Padre Cícero, no Ceará, e Santa Dica, em Goiás, são exemplos. Maria de Araújo, beata de padre Cícero, em transe, ao meio de milagres, conversava com os anjos.

3. Santa Dica, em transe, ia até à “corte dos anjos” e voltava com as orientações a serem seguidas. Padre Cícero elegia e elegeu-se. Santa Dica elegeu seu companheiro. O monopólio da legitimação pela ausência trouxe e traz conflitos inter-religiosos. A autoridade legitimada pela ausência não é restrita à esfera religiosa. Líderes políticos, em diversas épocas, ao se incluir no universo dos deuses, assim se legitimavam. Ramsés II, Júlio Cesar e Hirohito são exemplos.

4. Em outros, a própria nação é uma divindade. Agitam com símbolos milenares, cenografia e coreografia relativas. Representam essa divindade - nação ausente. Hitler (a raça germânica superior) é um caso. Outras vezes, essa divindade é um autor cujas ideias são estruturadas como dogmas. A legitimação pela ausência se refere a eles e a suas ideias.

5. O líder é quem representa essas ideias da forma mais autêntica. Marx foi usado assim. Depois vieram as suplementações de legitimação derivada: leninismo, stalinismo… Outro tipo de legitimação da autoridade se dá pela contra-ausência. Ou seja, uma ausência que coloca em risco o país e exige a delegação de todos ao líder. O “perigo vermelho” foi usado assim, legitimando líderes e ditadores. “O imperialismo ianque”, idem.
              
6. Mas há um tipo de liderança mítica que se parece com a do tipo guia dos povos. Apenas se parece. Na verdade, legitima-se também pela ausência. O povo, em abstrato, passa a ser uma divindade. Um povo amalgamado que incorpora todos os valores de fé, justiça e de esperança. E de dentro desse amálgama surge o líder, que é ele, o próprio povo, encarnado em sua pessoa, como redentor.
             
7. As lideranças míticas são desintegráveis pelo fracasso, pela desmistificação (falsos profetas), pela força ou por outros tipos de líderes míticos. Num regime democrático, a força se exclui. Quando a alternância acontece em uma conjuntura de sucesso, a desmistificação não é tarefa simples.

8. Com isso contaram tantos caudilhos latino-americanos nos últimos anos. Mas quando o ciclo mudou, veio a crise. E a liderança mítica deles – o Povo como divindade – fez eles ressurgirem como Falsos Profetas. Foram desintegrados pelo fracasso. Chávez em primeiro lugar.
Título e Texto: Cesar Maia, 14-7-2016

2 comentários:

  1. A FRASE GOVERNAR É FAZER CRER É A TEORIA DA MENTIRA.
    Para Maquiavel era o simbolismo de incutir nas pessoas a ESPERANÇA, aumentando o pode do príncipe e intimidando e fazendo medo nos adversários.
    Então posso discordar do exmo deputado.
    Lideranças míticas não fracassam.
    Termino aqui para não adentrar nas lideranças religiosas.
    Marx nunca foi líder, seus seguidores introduziram suas filosofias pela força.
    Getúlio é muito diferente de Perón.
    A palavra IMPERIALISMO IANQUE, até hoje não consigo entender.
    Os americanos lutam por ideias, mas não invadiram para tomar conta e governar.
    Os ingleses são muito mais imperialistas.
    A única coisa que posso dizer, talvez analisem como besteira:
    Os Estados Unidos é apenas a nação que sustenta a fleuma britânica, mas els dominam a economia mundial comendo pelas beiradas.

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    1. Rochinha, que bom ter encontrado um ‘companheiro’. Eu andava meio complexado com a minha absoluta ignorância. Tampouco consigo entender esse bordão “IMPERIALISMO IANQUE”! Agora estou mais tranquilo. Afinal, achei outro terrível ignorante.

      Todos, eu disse, TODOS, os países ‘conquistados’ pelo horroso imperialismo ianque tornaram-se países livres e desenvolvidos. Veja a Europa, cheia de idiotas e de mal-agradecidos esquerdistas. Qualquer ignorante, como eu, sabe que a Europa deve a sua liberdade à ajuda militar dos EUA, quer dizer, deve a sua liberdade aos milhares de jovens norte-americanos mortos na Europa. Depois, veio o “Plano Marshall”: A injeção de dinheiro norte-americano na Europa!

      Enquanto isso, do outo lado da ‘Cortina’, os países conquistados eram, simplesmente, ANEXADOS à grande URSS! Outros, foram deixados na órbitra.

      Essa gente que comenta nas cadeias de televisão, além de desonestas, porque de esquerda, são perigosas, muito perigosas, porque debitam as idiotices que convêm à ideologia política à qual eles devem obediência.

      Enquanto os países conquistados pelo imperialismo ianque progrediam e dançavam o twist, os conquistados pelo lado negro da força eram mandados para a Sibéria, quando não mortos.
      Enquanto os inocentes úteis e idiotas, do lado do Ocidente, iam para as ruas das principais cidades ocidentais, sob o enquadramento de uma tal organização que, se não me engano, era tipo “Aliança para a Paz”, organização criada pela KGB e sustentada com dinheiro soviético, iam para as ruas, dizia eu, manifestarem-se contra a guerra e contra qualquer merdinha, os jovens subjugados pelo outro lado da força, tentaram ir para as ruas, na Hungria, em 1956, lixaram-se todos; depois, sim, depois do “chienlit” de 1968 na França, jovens tchecoslovacos tentaram libertar o seu país. Só gente muito inescrupulosa esquece estas duas datas – dentre tantas outras, tão ou mais emblemáticas.

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