quarta-feira, 19 de outubro de 2016

As eleições de 2018 para Governador do Estado do RJ

Cesar Maia
           
1. O processo eleitoral brasileiro, com eleições municipais e estaduais/federais de 2 e 2 anos, produz uma corrente de conexões. Essa corrente tanto pode ser positiva como negativa. É positiva quando existem pré-candidaturas naturais a governador. É negativa quando, após as eleições municipais, não existem candidaturas naturais a governador.
           
2. O caso do Estado do Rio, apontando para 2018, é de uma evidente corrente negativa para governador. Partindo dos partidos que já informaram que terão candidatos a presidente, como o PMDB, PT, PSDB, REDE, PDT, PV e PSOL, a projeção dos mesmos para suas candidaturas a governador mostra espaços completamente vazios.
           
3. Todos os candidatos a presidente terão que apresentar os candidatos a govenador de seus partidos no terceiro colégio eleitoral – quase segundo – certamente segundo pela expressão da disputa no Rio.
           
4. Enquanto nomes partidários, nenhum deles têm candidatura natural. O nome do prefeito do Rio, do PMDB, natural até uns meses atrás, hoje enfrenta os problemas da derrota na capital e muito mais que isso, enfrenta a dúvida sobre de que forma a desintegração do governo estadual do PMDB afetará a fragilidade de uma candidatura sua.
           
5. Falta um ano e nove meses até a convenção de 2018 que escolherá os candidatos a governador. Partindo de espaços partidários, digamos, vazios, é muito pouco tempo. É provável que o PSOL, a REDE, o PV e o PDT tenham anticandidatos a governador para dar lastro na TV e número a seus candidatos a presidente. Quem serão? Nem seus partidos sabem. E os nomes mais fortes para deputado não vão para o sacrifício num quadro de transição política como o brasileiro.

6. O PMDB enfrenta o desgaste do governo estadual, o que fragiliza potencialmente o atual prefeito da capital. Há como descolá-lo do governo estadual? Como se comportará o governo estadual após o segundo turno e o retorno do governador do PMDB?
           
7. O PT terá que ter candidato a governador. Pelo menos para usar o amplo tempo de TV que tem, reforçando seu candidato a presidente. Quem será? Lula, superando as questões judiciais até pelo tempo até a convenção de 2018, assumirá o bom combate mesmo sabendo das dificuldades eleitorais?

8. E o PSDB? Seus deputados – e presidentes regional e municipal da capital – não irão para o sacrifício. Vão defender seus mandatos. Até porque a incerteza de quem será o candidato a presidente vai dificultar compromissos prévios deles. O PSDB vai buscar um nome forte fora do partido, como já o fez para a eleição de 2016 na capital?

9. É improvável que o deputado Bolsonaro confirme sua candidatura a presidente. Se o fizer também precisará de um candidato a governador para dar piso. Mas não é improvável que decida recuar e ser candidato a governador, o que significaria a ocupação de um espaço conservador e competitivo.

10. Se (sempre) as pré-campanhas começavam de fato um ano antes da eleição, agora no Estado do Rio terão que começar 2 anos antes, para fora e para dentro do partido. 
Título e Texto: Cesar Maia, 19-10-2016

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