segunda-feira, 10 de outubro de 2016

“Vamos tirar o Brasil do vermelho”: o PT não percebeu, mas tomou uma sova de frame

 Luciano Ayan


Isso é algo que não estamos acostumados a ver todos os dias. Mas quando assistimos, é gratificante.

O PT é o partido da “guerra de frames” e da “guerra de narrativas”. Éramos acostumados a vê-los vencer as batalhas de frames na maior parte das instâncias, mas, em, alguns casos, eles estão começando a se dar mal.

O caso mais retumbante é o da nova propaganda do governo Temer, que pede “vamos tirar o Brasil do vermelho”. Não demorou para que os petistas estrebuchassem de ódio.

Mas um frame tão bem colocado assim coloca seu adversário na seguinte posição: ele não pode negar o frame, uma vez que fica em situação difícil se o fizer.

Senão, vejamos.

O frame é claro: “vamos tirar o Brasil do vermelho”, o que é uma referência direta à luta para recuperar o Brasil do déficit causado pelo PT. Mas também é uma referência direta ao PT, que adotou – mas não patenteou – a cor vermelha.

Pois os petistas protestaram contra a campanha. Agora, ficaram na posição vulnerável de poderem ser acusados de “não querer tirar o Brasil do vermelho”.

Ou seja, o frame polarizou a questão: (1) os que querem tirar o Brasil do vermelho, (2) os que não querem tirar o Brasil do vermelho.

Alguns poderiam tirar: “mas o PT está contra o frame somente em relação à alusão ao partido”. Mas isso não importa, para boa parte da audiência: o que importa é que para muitos pode ficar claro que o PT está contra tirar o país da situação de déficit. Em suma, o PT quer que os brasileiros sofram, o que torna mais coerente a afirmação dizendo que eles causaram a crise propositalmente.

Esse é o componente básico de um bom frame: é difícil rebatê-lo. No máximo, os petistas poderiam criar um outro frame, para superá-lo. Mas é péssimo negócio bater de frente com o frame. (Isso é uma lição básica de controle de frame)

Resultado?

Agora o PT pode ser vendido ao povo como o partido que “não quer que o país saia do vermelho”.

Em tempo: isso aumenta a coerência do argumento dizendo que eles estão contra a PEC antipedalada por quererem pedalar e novamente causar déficits criminosos e propositais.

Resumo da ópera: o PT tomou uma surra de frame no caso da propaganda “vamos tirar o Brasil do vermelho”. 
Título e Texto: Luciano Ayan, Ceticismo Político, 6-10-2016

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