terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Sem troika, também eu

 Vitor Lourenço

Na gíria futebolística dir-se-ia que António Costa só teve que encostar para fazer golo. Passos Coelho fez a jogada toda, percorreu todo o terreno de jogo, encontrou dificuldades, passaram-lhe rasteiras, levantou-se, fintou todos os adversários e até alguns colegas de equipa e, no final, António Costa recebeu de Passos Coelho o trabalho feito e encostou para golo. Assim também eu.

António Costa aproveita o que foi feito no passado e os elogios são intensos: grande vitória de António Costa, grande político, que grande habilidade! António Costa critica o passado e tecem-se elogios ao artista: tem razão, ele está a provar que havia alternativa! Não há ninguém no espaço mediático que tenha a coragem de recentrar e relembrar o contexto em que Passos governou e o contexto em que António Costa governa?

Ninguém tem a coragem de escrutinar António Costa com factos?

Os factos são simples: Passos Coelho recebeu do PS um país na bancarrota, com défice (com défice de 11,2%, que baixou para 2,98%). Governou mais de três anos com a troika, num colete de forças e deixou o país a crescer 1,6%.

António Costa recebeu um país saudável financeiramente, sem troika, e com liberdade total de escolhas. Reduziu o défice de 3% para 2,3% e a economia cresce menos do que quando Passos deixou o Governo (Passos deixou a economia a crescer 1,6% e Costa em 2016 apenas logrou 1,2%).

António Costa está a provar que havia alternativa? Como é que há gente no espaço mediático, supostamente inteligente, a dizer que havia alternativa!? É incomparável o momento em que Passos foi obrigado a governar condicionado, enquanto António Costa governa hoje sem um colete de forças. Haja alguma honestidade! 
Título e Texto: Vitor Lourenço, Évora, in ‘Público’ de 23-1-2017

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