terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

[Aparecido rasga o verbo] Já não se faz mais homens como antigamente

Aparecido Raimundo de Souza

O animal homem (pode aqui ser equiparado a qualquer quadrúpede de três pés. Três pés??!!), molho confuso de complexos e nervos, inquestionavelmente se destrói a si mesmo, criando barreiras em seu caminho, obstruindo passagens que mais tarde lhe poderiam ser úteis. Ele não sabe retroceder quando dá um passo errado e jamais estende a mão à palmatória, mesmo sabendo ou reconhecendo estar redondamente equivocado.

Certo escritor ao se referir a esse dotado animal inteligente, dizia que “em virtude de seu ceticismo, o homem moderno foi repelido sobre si mesmo. Suas energias correm para sua fonte e fazem vir à tona aqueles conteúdos psíquicos que ali estão permanentemente, mas, jazem ocultos, na vasa, enquanto a corrente flui mansamente no seu curso (¹)”.

Imaginem, senhoras e senhores, quão totalmente diverso aparecia o mundo ao homem medieval! Para ele, a terra estava eternamente fixa numa espécie de roda gigante emperrada em face das engrenagens completamente oxidadas.

Mesma via, o infinito em repouso ad aeternum lá em cima, no centro do universo, cercado pela trajetória de um sol anêmico e frio, lhe dispensava, com moleza descomedida, seu calor sem um pingo de calor.  Conseguiram imaginar? Tampouco nós!

Esse ser vivente, nessa época, era filho de Deus? Sim, com certeza! Cagava um quilo certo, sob o cuidado do Mais Alto, que o preparava para a terra da eterna bem-aventurança. E ai dele se urinasse fora do penico!

O sujeito sabia exatamente o que deveria fazer e como conduzir seus propósitos, a fim de se erguer da terra espúria sem máculas, se levantar de um mundo corruptível e uma vida incorruptível e sistematicamente jubilosa e partir para o abraço magnificente e faustoso do Senhor de todas as coisas.

O homem de ontem, poderia, por outro lado, ser comparado também a muitas outras coisas, tipo um gato miando, um cachorro latindo, uma vaca mugindo, uma arma sendo disparada. Por que não a um sujeito dando uma gozada básica numa xoxota de puta de bordel de periferia?  Naquele tempo, amados leitores, não havia bordel e o infeliz precisava engatar um cinco contra um esporrando nos baixos fudetórios de num cabrito ou de num bode.

Vamos simplificar a coisa. O homem de outrora, semelhava a um “rádio transmissor” ligado em várias estações ao mesmo tempo. Nesse furdunço desordenado, ao invés do desgraçado ouvir algumas dessas estações claramente, recebia apenas o que a ciência Facebook ou a engenhoca WhatsApp dos nossos dias atuais, cognominaria de “estática intolerável”. 

Talvez seja por essa razão e muitas outras não estamos tendo a oportunidade de descrever, que o homem animal (o homem de hoje) desmorona seus bens, e vontades como castelos feitos de areia. O abestado destrói conjuntamente seus sonhos e desejos de maneira tão frequente, que o quadro chega a ser desalentador.

Se esse ser criado pelo Todo Poderoso soubesse admitir seus desencontros e pontos fracos, suas mazelas e impurezas (impurezas da alma, evidentemente), estabelecendo uma prévia deliberação antes de empreender determinada coisa, muitas e muitas e muitas de suas esperanças e motivações não cairiam por terra, nem se desfariam no ar, como fumaça no vendaval das nuvens. O homem de ontem não tinha esses problemas e para ele tudo era um belo paraíso.

Talvez, quem sabe, se ele (o homem de hoje), soubesse diferenciar, ou melhor, enxergar e discernir o simbolismo existente nas pontas de um simples “compasso”, ou compreendesse as metáforas ocultas sistematicamente sobre um “esquadro”, não sofresse tanto, nem batesse a cabeça aqui, ali ou acolá. 

Infelizmente, a criatura humana (e aqui fazemos menção ao homem de hoje), mal e “porcamente” explicaria o que é um “compasso”, ou um “esquadro”, e, via idêntica, singularizaria ou diferenciaria a existência de algumas veleidades neles ocultos.  É o que os estudiosos chamam de “Burrice dos chifres mal colocados”.

Se o cidadão (continuamos com o homem de hoje) tem os cornos fora dos padrões normais, (mais corno, menos corno, perdão, mais inteligência e vivacidade, maior poder de entendimento e visão das coisas simples) certamente será um neófito em busca de uma vela para acender no final escuro do túnel.

Todavia, se de cara provar que sabe das coisas, e conseguir digerir na primeira mordida, desculpem, mastigar na prima espiada, a divergência ou a disparidade entre um “compasso” e um “esquadro”, creiam amadas e amados jamais se tornará, escravo de quem quer que seja, haja o que houver, aconteça o que acontecer.         

Nesse tom (sem Jobim ao cavaquinho executando Chico Buarque), existem homens que buscam construir empecilhos e barreiras intransponíveis para seus semelhantes.

Outros prejudicam diretamente sem medir as consequências. Um determinado grupinho mais fechado coeso e irresponsável prefere atingir diretamente o “infeliz carente” dando em sua cabeça uma cacetada só.

Esse “infeliz carente” tanto pode ser o irmão, o vizinho do lado, o amigo, o companheiro de trabalho, não importa, reduzindo a sua vidinha à condição torpe de criado ou serviçal de seus próprios atos e vontades é o que faz toda a diferença.

Sabemos todos, que tais atos são contrários as Leis da Natureza e, mais ainda, aos Mandamentos de Deus. Se pensássemos seriamente antes de atirarmos a primeira pedra, não haveria, num primeiro momento, tantas janelas com vidraças quebradas e pais furiosos batendo à nossa porta.

Num segundo instante, não veríamos o descortinar de tamanha miséria humana se embolando logo adiante, nem tampouco o desnível social se elevaria a tão alto grau no IPOBE do progresso.

Por falar em progresso, senhoras e senhores, não somos contra ele. De forma alguma. Apenas achamos que o homem (de hoje) não deveria se deixar transformar na condição de servente. Servidor de seu próprio consanguíneo, partindo do básico entendimento de que SOMOS TODOS IRMÃOS.

Ele (o homem de hoje) deveria saber impor condições ao modernismo sem se deixar levar pela sede de querer alcançar algo novo, sem se importar com a sua moral e, consequentemente, com a objetividade de seus familiares.

Antigamente, o homem não se deixava dominar, mas avassalava, sem oprimir. Erradicava a sua vontade e fazia valer seus princípios, fossem eles quais fossem.

Segundo alguns entendidos, no assunto, essa “era” ou esse “tempo” se acha tão distanciado no passado dos machos de agora, como a “mesmice” dos floridos tempos de crianças de calças curtas.

Na ingenuidade dos nossos “devaneios” ao futuro, achávamos nossos pais inquestionavelmente os homens mais belos e fortes. Os heróis invencíveis que víamos nos seriados imperdíveis do Zorro e Batman, o Homem Morcego.

AVISO AOS NAVEGANTES:
PARA LER E PENSAR, SE O FACEBOOK, CÃO QUE FUMA OU OUTRO SITE QUE REPUBLICA MEUS TEXTOS, POR QUALQUER MOTIVO QUE SEJA VIEREM A SER RETIRADOS DO AR, OU OS MEUS ESCRITOS APAGADOS E CENSURADOS PELAS REDES SOCIAIS, O PRESENTE ARTIGO SERÁ PANFLETADO E DISTRIBUÍDO NAS SINALEIRAS, ALÉM DE INCLUÍ-LO EM MEU PRÓXIMO LIVRO “LINHAS MALDITAS” VOLUME 3.

Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, jornalista, de Vila Velha no Espírito Santo. 14-2-2017  
(¹) Obra acima citada. “Arrogantes, Anônimos, Subversivos” Rita de Cássia Lahos Morelli Mercado das Letras Edições e Livraria Ltda.  1ª Edição 2000, Campinas, São Paulo.   

Colunas anteriores:

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Por favor, evite o anonimato! Mesmo que opte pelo botãozinho "Anônimo", escreva o seu nome no final do seu comentário.
Não use CAIXA ALTA, (Não grite!), isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente.
Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-