sexta-feira, 30 de junho de 2017

Não Nos Calamos!

Cristina Miranda

A primeira atitude tomada pela Governo e Presidente da República no dia em que se dava conta da tragédia de Pedrógão foi a desresponsabilização total e absoluta. Contra factos não há argumentos. O primeiro-ministro atribuía a matança a causas naturais inesperadas. O PR serenava os ânimos dizendo que tudo tinha sido feito. Sem saberem ainda de nada já sabiam que não havia responsabilidades deste governo porque estávamos apenas perante uma catástrofe natural. Porém, o ruído perturbador dos cidadãos nas redes sociais com denúncias e depoimentos sobre os factos, obrigou a uma mudança de estratégia. Curioso ver que tanta certeza houve nos primeiros minutos e agora volvidos 13 dias dizem ainda não saber dos culpados.

Começou por ser um raio. Num eucalipto, essas malvadas árvores que têm a ousadia de arder? Não. Num pinheiro. Depois, já não era o raio porque sem trovoadas não os há. Passou-se à GNR esses militares que tiveram a desfaçatez de desviar as pessoas para a estrada da morte. Mas descobre-se que só o fizeram porque não tinham comunicações entre eles. Entra o SIRESP ao barulho. Esse sistema de comunicações futurista do melhor e mais caro que o planeta tem mas que não funciona em caso de calamidades. Porém, alto lá que a malta do SIRESP respondeu logo (aqui a rapidez é estonteante) alertandoque esteve operacional SEM FALHAS. Portanto, todos os que testemunharam o contrário são, de acordo com estes, um bando de mentirosos. Ao SIRESP juntou-se, claro, o governo, acusando a Proteção Civil pelas falhas. Tem lógica: se as comunicações mesmo sem antenas funcionaram, só podia ser dos incompetentes das chefias da ANPC. Aquelas 30 que o governo substituiu 5 meses antes, por gente altamente qualificada em advocacia, enfermagem, ciências do desporto e desencarceramento. Que por sua vez estão sob a alçada do MAI. Tem lógica.

O Costa começou a exigir respostas a todos os organismos envolvidos mas esqueceu-se de dar as respostas (bem, na verdade não se esqueceu, os jornalistas é que não as fizeram) sobre uma matéria que ele mesmo conhecia muito bem dado que foi ele que fez a adjudicação deste SIRESP formalizado em contrato assessorado pelos seus grandes amigos Lacerda e Constança. Foi graças a Costa que o contrato não contempla antenas satélite, nem geradores, não se responsabiliza em caso de calamidades nem falhas de comunicações que não sejam superiores a 4 dias. Com falhas assim, não se quer que resulte. Quer-se que falhe para justificar a compra de mais meios, mais boys, mais contratos ruinosos para o erário público. É tão claro e simples de entender.

O que esconde Portugal nos fogos? Muita coisa. Começa pelos maçons como Capoulas Santos que têm a pasta da agricultura, 5 dias antes da tragédia abria concurso de eucaliptos,  já tem um mega projeto piloto em marcha (e agora vejam só a rapidez recorde) para toda aquela mancha gigantesca de incêndio com cheiro a morte. Por falar em maçonaria, já espreitaram a quantidade abismal de maçons do PS aquando das governações do partido? 

Espanha aqui mesmo ao lado, com mesmo clima, enfrentou um grande incêndio numa zona turística. A origem pouco interessa. Interessa sim dizer-se que ficaram 2000 pessoas desalojadas, mas NENHUMA sofreu qualquer ferimento. Que em 3 dias estava circunscrito e foi extinto sem intervenção estrangeira. Mas o nosso governo está a brincar com a inteligência de quem?

Não somos parvos. Não somos um bando de ignorantes. Exigimos respeito. Não admitimos que nos mintam descaradamente para salvar a pele. Não toleramos negligência criminosa tratada com pinças. Gente sossegadamente a gerir os destinos da Nação sem assumir responsabilidades nem tomar as medidas corretas e urgentes para proteger as populações destas e outras desgraças como é seu dever.

Porque, meus caros senhores, NÓS NÃO NOS CALAMOS. Podem perseguir o Sebastião Pereira que apenas teve a coragem de dizer o que tinha de ser dito e que CÁ em Portugal queriam silenciar. Porque, nós povo, SEREMOS TODOS SEBASTIÕES PREIRA e faremos de tudo para que jamais este assunto morra sem os respectivos culpados serem julgados. Sem TODAS AS VÍTIMAS ressarcidas dos danos. Deste e daquele que em 2016 deixou tanta gente sem nada e AINDA estão à espera. Lembram-se? Está AQUI o auxiliar de memória.

Nós não nos calamos mais! Nunca mais!

#naonoscalamos

Título e Texto: Cristina Miranda, Blasfémias, 30-6-2017

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