quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

[Estórias da Aviação] O mau elemento

Alberto José

Em 1970, fui escalado para um voo no HS-748 com destino a São Luis. O outro Comissário era mais antigo, e me avisou que não iria fazer nada pois tinha que ver como eu trabalhava sozinho.

Em uma das escalas, o Despachante me chamou dizendo que o chefe do escritório queria falar comigo. Ele me deu um envelope com cerca de (atualmente) R$ 2 mil para entregar na Contabilidade em CGH. O colega viu e perguntou o que eu havia conversado com o funcionário. Expliquei que estava levando numerário para a Contabilidade CGH. Ele pediu o envelope e eu recusei entregar.

Em São Luis, ele foi falar com o Comandante, que mandou que eu entregasse o envelope. Desconfiado das atitudes desse colega, na Casa de Pernoite dormi na varanda para não ficar no mesmo quarto.

No retorno para CGH, tentei ligar a música de bordo e não encontrei o aparelho toca-fitas do avião. Ao perguntar, ele respondeu que alguns dos HS-748 não tinham o aparelho. Três meses depois, já no Electra, eu estava pernoitando no hotel quando recebi chamada telefônica do RIO: "Alô, Alberto José, aqui é (...), Gerente da DSB. O que você fez com o dinheiro que você recebeu no voo tal?" Expliquei que o Comandante mandou deixar o envelope com o outro colega.

Depois eu soube que o representante do fabricante do toca-fitas, que estava na moda em São Paulo, recebeu um aparelho com pedido para colocar a voltagem em 127 Volts e, estranhando o pedido, checou o número de série, ligou para a Varig e foi constatado que o toca fitas fora furtado do Avro e o pedido de conserto estava em nome do mesmo colega que sumiu com o numerário da Contabilidade!
Título e Texto: Alberto José, 19-2-2019

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