segunda-feira, 25 de março de 2019

[Coluna do Almir] Utopia na reforma da previdência

Almir Papalardo


Geralmente quando algum projeto de lei suscita dúvidas quanto à sua praticabilidade, é imediatamente reprovado nas discussões plenárias. Prevalece então o que chamamos de bom senso. Existe, no entanto, para desdita de trabalhadores atingidos, algumas leis vigentes que se colocarmos seus prós e seus contras na mesma balança, o prato que contiver os CONTRAS, sobreporá em muito o outro prato que contém os PRÓS. Para evitar injustiças e contradições nefastas como estas desestabilizando trabalhadores brasileiros, a Constituição criou o Poder Legislativo (Senado e Câmara), onde os senadores e deputados legislam criando novas leis, anulando algumas ou fazendo emendas em outras para se adequar às reais necessidades de determinadas classes.
                                                                                
Contudo, apesar dos fartos recursos que nos concede a Constituição, ainda existem leis vigentes que nos prejudicam, imperando o preconceito, a discriminação, a má vontade política contra determinados segmentos, quando, muitos mandachuvas, mostram toda sua incompetência administrativa, sua condenável acomodação ao que está errado, preferindo por covardia direcionar sempre sua metralhadora giratória contra categorias mais frágeis, sem nenhuma representatividade, sem meios para se defenderem, ou seja, preferem prejudicar somente cidadãos que possam causar o menor impacto negativo para suas ações esdrúxulas e injustas, cômodas e pusilânimes.

Acho que todos já perceberam a qual categoria me refiro! Exatamente, são os aposentados da iniciativa privada, aqueles, que por suas maiores contribuições à Previdência obtiveram uma aposentadoria acima do piso estipulado. A estes foi arbitrado um constrangedor critério de atualização dos seus benefícios através de um percentual menor de aumento, enquanto os seus pares do mesmo RGPS, ganham, geralmente, o dobro desta correção, ou seja, o mesmo índice de aumento que é dado ao salário mínimo. Objetivo desta suja política: "Nivelar todas as aposentadorias da iniciativa privada ao PISO real da Previdência"...

E essa ignomínia já se perpetua por mais de duas décadas sem que a maioria das forças éticas e morais deste país se digne a partir em defesa deste agrupamento perseguido, aproximadamente dez milhões de aposentados destruídos e, outros tantos milhões que já partiram desta para melhor levando a indignação e revolta pelo tratamento bloqueado, recebido dá maioria dos homens públicos. 

Por ironia e cúmulo de insensatez escutamos há anos falar-se numa Reforma da Previdência, sem nenhuma promessa ou menção que tamanha ilegalidade será pelo menos analisada, com alguma compensação para estes aposentados que foram esbulhados, esquecidos e injustiçados. É por isto que tal reforma nunca é bem aceita pelo povo, porque não é atacada nos verdadeiros cancros que maculam direitos de aposentados e pensionistas, pertencentes a um grupo de brasileiros que deveriam ser os últimos a serem atingidos por medidas antipopulares quando necessário, porque, tratam-se de cidadãos idosos!

Oh! cabeças pensantes do Congresso, façam a tal reforma coibindo privilégios entre todos os Regimes. Adotem um equilíbrio de direitos e deveres entre todos os segurados. Criem uma ferramenta eficaz para que os caloteiros contumazes saldem suas dívidas com a Previdência. Nunca desviem recursos dos cofres da Previdência para outras finalidades. Não isentem ninguém dos descontos mensais ao INSS e que o sistema previdenciário não pague benefícios acima do teto e, muito importante: Criem de maneira possível uma forma de ressarcirem gradativamente os segurados que tiveram seu poder de compra terrivelmente degradado. Aí sim, a Reforma da Previdência pretendida será bem aceita por toda a sociedade brasileira.

Que veja quem tem olhos para ver e ouvidos para ouvir...
Título e Texto: Almir Papalardo, 25-3-2019

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