Em meio a uma crise que ainda deve piorar antes de chegar a uma solução, é preciso buscar com urgência um novo modelo de relacionamento entre os Três Poderes da República
Nuno Vasconcellos
Ninguém deve esperar que a decisão da
terça-feira tenha efeito imediato e possa devolver a situação à normalidade —
qualquer que venha a ser o veredito sobre a conduta dos integrantes da Corte
envolvidos na celeuma. A disposição para o conflito demonstrada pelos ministros
litigantes indica que a situação seguirá tensa e que o nevoeiro tende a se
tornar mais denso antes de se dissipar.
A verdade incômoda é que a situação
institucional do país vem nos últimos anos mergulhando em um processo gradual
de desgaste — e chegou a um nível de degradação profundo demais para voltar à
tona em apenas uma sessão do STF. E o pior é que a degradação parte de dentro
do próprio Tribunal. A impressão que se tem é a de que as autoridades
encarregadas de zelar pela segurança jurídica nacional não perdem uma
oportunidade de tornar a própria imagem mais desgastada do que já está.
CRÍTICAS E ELOGIOS
O desgaste chegou a seu ponto máximo na semana passada. Depois de uma troca de chumbo entre ministros, a crise avançou em torno da remoção ou da manutenção na direção geral da Polícia Federal do delegado Andrei Passos Rodrigues. E evoluiu para uma discussão sobre aspectos que estão além das críticas ou dos elogios que podem ser feitos à atuação do delegado.






















