terça-feira, 28 de junho de 2016

[Estórias da Aviação] Proteção no voo

Alberto José

Foto: Marcos Borges

Em 1970 saí de Congonhas no Avro HS-748, com a Comissária Linzmayer - uma exímia pianista - para fazer um voo com escalas até Fortaleza. Quando decolamos de Grajaú, no Maranhão, não ouvi qualquer ruído anormal.

Nós estávamos sentados, esperando para iniciar o serviço, que seria junto à porta principal do Avro.

Quando o aviso de "não fume" foi desligado, destravei o cinto de segurança para trabalhar. Então, ouvi um aviso para "colocar o cinto de segurança e mandar a Comissária ficar sentada". Ela relutou dizendo que eu iria atrasar o serviço. Com determinação, mandei que ela ficasse sentada. Nesse instante, ocorreu uma explosão e a porta abriu violentamente! A descompressão atirou para fora do avião tudo que estava solto na cabine.

Em meio à névoa causada pela violenta despressurização, eu vi os passageiros em pânico, a porta da cabine escancarada e os pilotos olhando para trás e gritando "onde estão os Comissários?"

Quando o avião estabilizou eu gritei que estávamos bem e eles iniciaram um pouso de emergência. Depois, foi verificado que devido a um defeito a fechadura da porta não estava travada. Apavorada com o acidente, a Comissária Linzmayer me disse que foi o seu último voo e, quando chegou em São Paulo, ela pediu demissão da Varig. 

3 comentários:

  1. Sou o Comissário de Bordo Roberto Bittencourt matrícula RG 4089 e estava fazendo o vôo que saia de Manaus para Iquitos no Boeing 737 da VARIG prefixo PP- VMJ com a tripulação do Cmte Elyomar, cotando com quatro comissários entre eles eu. Quando fazíamos a aproximação para pouso em Iquitos, o trem de pouso da bequilha não travava e tivemos que fazer um pouso forçado, mas graças à perícia do Cmte Elyomar pousamos em segurança, mas não tínhamos condições de decolar retornando para Manaus teríamos que esperar outro vôo que faria a mesma rota, que estaria trazendo um trem de pouso novo para trocar. No primeiro dia aguardamos dentro da aeronave, a resposta da Base Rio a qual pertencíamos para avaliar e resolver o problema. Esperamos por mais de quatro horas dentro da aeronave com um calor insuportável, pois o aeroporto não possuía transformador externo para manter o ar funcionando e não havia combustível suficiente para manter a CPU ligada. Quando alegremente recebemos a notícia de que iríamos para o Hotel, pois a aeronave trazendo o socorro só chegaria dois dias depois, pois o avião teria que sair do Rio de Janeiro, para Manaus e depois fazer a rota normal do vôo para Iquitos. Passamos uma noite intranqüila, pois a cidade em que ficava o Aeroporto era dominada pelo cartel de drogas e havia um Bordel no Bar que funcionava no térreo do Hotel, o mesmo só tinha três andares e 12 quartos, tivemos que ficar os comissários homes juntos (2) em um quarto os pilotos juntos em outro e as comissárias (2) em outro quarto.

    No dia seguinte recebemos a comunicação do Cmte Elyomar que o avião com a peça chegaria e com outra tripulação para nos substituir e que ficaria até ser consertada a aeronave para poder levá-la de volta para Manaus.
    No dia e hora marcados saímos do Hotel para o Aeródromo e lá chegando ficamos na sala de embarque aguardando o vôo, mas a nossa ansiedade érea tanta para sairmos daquele local, que não conseguimos ficar ali dentro aguardando e fomos para a pista ficando ao lado da nossa aeronave PP- VMJ, e pelo rádio da aeronave o Cmte Elyomar ficava monitorando a chegada da aeronave que viria nos resgatar e quando nos deu a notícia que estava à mesma em aproximação visual, o avistamos , era belo imponente e o Cmte Zoroastro que conduzia a aeronave prefixo PP- VMH, o mesmo ao nos avistar acenando com os braços, deu um rasante em cima do aeródromo, passando mais uma vez antes de pousar. Nossa alegria foi tão grande quando a tripulação desceu vindo nos cumprimentar e entregando a aeronave em nossas mãos para que pudéssemos fazer o vôo de retorno a Manaus.
    Para a minha tristeza hoje sei que essa aeronave tão garbosa e destemida, encontra-se abandonada em um cemitério de aeronaves
    Foram mais de 12 anos dedicados a fazer o que mais eu amava em minha vida e tinha orgulho de Ser um Comissário de Bordo da VARIG.

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  2. Eu acho ótimo que todos que tiveram a sorte de pertencer à Varig descrevam suas experiências, partilhem as suas memórias. Vai ser uma coleção de fatos interessantes!
    Alberto José

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  3. Creio que os atendentes de bordo têm muito mais estórias para contar.
    Na cabine de comando há um pouco de confidencialidade para não dizer nomes e contar erros.
    Mas lembro de um famoso comandante num cargueiro para Manaus lendo o estadão , quando perguntou para o copiloto onde ficava Rio Piscoso.
    No anúncio de venda no jornal estava um sítio perto de Rio Piscoso.
    Dia 24 de dezembro de certo ano decolava um 747 no voo 100 para Porto Alegre, e não podia levar passageiros no upper deck. Então o comandante Araujo levou 32 GCs naquele espaço mínimo do PP-VNA. Apenas um registro ao saudoso amigo de noitadas no Madrigal.
    Madrigal era um famoso cabaré na avenida Farrapos.
    Grande comandante, grande amigo

    Certo comandante fazia o cheque do comandante Benites, outro saudoso amigo, no simulador de 707 na ilha do governador.
    Dá-lhe pane aqui e acolá , e Benites mantinha cravado o ILS do simulador.
    Dá-lhe trimotor e o saudoso mantinha cravado como flecha no peito.
    Dá-lhe bimotor nada, nem um desvio.
    Nisso ele grita em voz alta :
    Esse simulador está com defeito, larga os comandos que eu quero checar.
    De pronto o simulador despencou e chocou-se ao solo.
    Naquele dia prendi que existem pessoas que não admitem que há outros mais habilidosos que eles.
    fui...
    Uma dica o checador tinha sobrenome Belga.

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