terça-feira, 21 de junho de 2016

[Estórias da Aviação] ‘Amor’ na Varig

Alberto José



Era noite de sexta-feira. A bordo do DC-10 a música ambiente e a discreta iluminação da cabine compunham o cenário para o embarque dos passageiros com destino a Nova Iorque. Junto às portas, moças e rapazes simpáticos, imponentes nos seus uniformes azul-marinhos indicavam os lugares ou ajudavam na acomodação da bagagem de mão nos conteineres superiores. Enquanto isso, na classe executiva os passageiros eram recebidos com taças de champanhe "Veuve Cliqcot", que excitavam o paladar para o excelente jantar que seria servido após a decolagem.

Durante o embarque na classe econômica, as últimas fileiras de assentos centrais ainda estavam desocupadas quando uma mulher muito bonita e elegante, aparentando 35 anos, ocupou o assento 36 G e se posicionou com as pernas para dentro, sugerindo que, se os demais assentos estivessem vagos ela iria deitar após o jantar.

Quase no final do embarque, um senhor muito bem vestido, aparentemente um executivo nos seus 45 anos veio até às últimas poltronas e, em busca de maior espaço para as pernas, se acomodou no assento 36 D, que seria o "domínio" da sua companheira de viagem! Ela não ficou muito satisfeita com a impossibilidade de estender as pernas e, ostensivamente, deixou claro que ele iria atrapalhar o seu conforto.

Após a decolagem, ele tirou da pasta duas revistas e ofereceu a Veja à sua vizinha de assento, que aceitou a revista. Durante o serviço de drinques ela pediu que ele sugerisse a bebida. Ele ofereceu a ela uma dose de uísque e pediu um bourbon com gelo.

Durante o jantar conversaram muito e tomaram vinho tinto. Ele levantou e, com duas taças, foi pedir mais vinho. Mais tarde, os dois foram ao toalete para colocar uma roupa leve, mais confortável. Quando voltaram, já sentaram lado a lado, nos assentos E e F.

Quando o filme começou, eles já estavam bem juntinhos, usando as mesmas mantas para se proteger do eficiente ar-condicionado.

Quando o filme terminou, para dar uma "força", perguntei se ele gostaria de uma taça de champanhe. Fui até à Executiva e peguei uma garrafa de "Veuve Clicquot" que estava pela metade e abandonada em um balde de gelo.

A seguir, o casal dividiu o espaço longitudinal e, apesar das mantas, observei que viajaram "abraçadinhos".

Na chegada, foi um problema; os passageiros já estavam saindo e eles ainda permaneceram sentados, se despedindo com beijos e abraços.

Na saída do avião, tive a curiosidade de observar os dois saindo da Alfândega. Ela foi recebida pelo marido com um beijo apaixonado, e ele, foi direto beijar e abraçar a jovem esposa que acenava em meio à multidão.

Título e Texto: Alberto José, 20-6-2016

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