terça-feira, 21 de junho de 2016

[Estórias da Aviação] Abusado!

Alberto José

Eu estava de reserva no D.O./GIG quando o Chefe de Equipe veio falar comigo: “Alberto José, estou precisando de um galley para dar o OK!
"O galley já foi para o avião, e eu não sou galley", respondi.
"Mas eu prefiro você! Quebra esse galho."
Então, fui assumir o voo.

Durante a viagem até Salvador notei um burburinho na cabine e uma das Comissárias voltou chorando. Eu perguntei o que havia acontecido. Ela pediu para trocar de lugar pois um passageiro havia passado a mão nas suas coxas.

Eu perguntei se ela havia falado com o Chefe de Equipe. Ela disse que o Chefe sugeriu trocar de lugar com a outra Comissária pois o passageiro era um deputado da comitiva do governador Nilo Coelho, que estava a bordo. Então, eu respondi: "Me mostra quem fez isso que eu vou falar com ele".

Entrei na cabine e fui direto ao deputado.
"Cavalheiro, por favor, o senhor está interferindo no serviço, volte para o assento e feche o cinto de segurança."
Os colegas da comitiva começaram a rir.

Quando o avião parou na escala, eu fechei as cortinas da galley para a entrada da comissaria. De repente, abriram a cortina e o deputado veio me interpelar: "Comissário, eu sou um deputado, você quer me fazer de palhaço?"

Eu respondi: "A sua atitude não foi de deputado, e o senhor volte para o seu assento que eu estou trabalhando".
Nisso, ele me deu um forte empurrão. Eu respondi com um soco que jogou os óculos dele longe e ele caiu em um dos assentos.

Ele terminou a viagem sentado, sem problema.

Três meses depois, fui na Chefia pedir um passe de viagem. Notei um burburinho, estava todo mundo agitado. Eu perguntei o que havia acontecido e o Carlinhos Kluwe me mostrou uma pasta onde havia um "ofício reclamatório" do Nilo Coelho e um memorando do Erik de Carvalho: "Sérgio, apure o fato e demita o Comissário responsável".

O Kluwe comentou que ninguém conseguiu saber quem foi o Comissário "agressor". Eu respondi que sabia o nome dele. Surpreso, ele perguntou o nome e eu falei: "Fui eu mesmo" Todos correram para ouvir a revelação do mistério. Então, ele pediu para fazer um relatório "com urgência".
Uma semana depois, me chamaram na Chefia e me deram um bilhete do Diretor:
"Alberto José, o seu relatório foi aceito e o assunto está encerrado".
Texto: Alberto José, 21-6-2016

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