domingo, 18 de junho de 2017

[Aparecido rasga o verbo] Porção da burrice que se deixa crescer dentro da mente

Aparecido Raimundo de Souza

POR QUE SERÁ que será que as pessoas têm a mania ou a teima, de estourarem as bolinhas dos sacos plásticos que encontram pela frente? Notem senhoras e senhores, que não são somente os idosos (ou nossos avós e bisas) que se ocupam em fazer uso dessa prática. A coisa já se propagou aos nossos pais. Incontinenti, passou ao convívio dos nossos filhos, amigos, vizinhos e atingiu, em cheio, os adolescentes. Percebam, que nem eles escaparam dessa mais nova sedução. Como uma nuvem de bons presságios que tivesse vindo de longe e caído sobre todos os humanos do planeta Terra, sem nenhuma complacência.

É comum, pois, vermos casaizinhos andando pelas ruas ou sentados em bancos de praças, ou mesmo em casa, namorando (diante da televisão que nem de longe lhes chama a atenção, estourando bolinhas), como também uma garotinha de menos de seis anos, entretida, com o seu canal de desenhos preferidos, as mãos ocupadas em detonar uma centena de bolinhas de vento. Que tara maníaca, ou carência viciante seria essa que faz as pessoas viajarem na maionese?

Não só na maionese, mas num bom copo de vinho, num pão com linguiça... que espécie de “doidera” da hora, ou bocado de despautério em pleno século dos celulares modernos, dos carros que se locomovem sozinhos, dos aviões que cortam os ares obedientes a computadores sofisticados, invade o coeficiente da inteligência das criaturas, a ponto de fazê-las esquecer de seus afazeres somente para se aterem ao pipocar do ar, ou pior, do barulho saído ou provocado pelas bolinhas?

As respostas as nossas indagações foram as mais variadas possíveis. Algumas sem nexo ou objetivos verdade seja dita, mas, no geral, voltadas para um mesmo ponto de equilíbrio: a mente sã.
“Alivia a tensão”.
“Relaxa os nervos”.
“Qual o quê! Mexe com os músculos”.
“Evita o LER”.
“Faz esquecer um pouco os problemas”.
“Melhor que uma cerveja”.
“Mais barato que uma transa num motel”.
“Um chute no saco”.
“Resgata as coisas boas da vida”.
“A gente se desprende do corpo e voa alto”.

Alguns chegaram ao cúmulo de levarem a mania para o lado médico. E concluíram: “funciona como uma terapia relaxante que atinge o seu ápice no exato instante em que o ato de apertar se funde com o estrondear das bolinhas como um todo”. Pelo sim, pelo não, o “tac, tac, tac, ”repetitivo provoca uma sensação suave, uma emoção soberba e indescritível de alivio imediato. É um remédio barato e ao alcance de todos, sem os gastos com farmácias e medicamentos que ajudam a nos destruir a saúde.  Em contrapartida, liberta o estresse, as tensões violentas, espanta o cansaço, e faz com que o organismo volte a sua postura normal e tranquila. Vale, igualmente, para todos sem contraindicações. O ato estourativo dessas bolinhas se tornou costume nacional, como o hábito aos refrigerantes, a cerveja entre os amigos, a pelada nos finais de semana, o futebol pela televisão.

A cada dia senhoras e senhores, acreditem, aumenta consideravelmente o número de escolas espalhadas pelo País, não só da rede pública, como os estabelecimentos particulares (principalmente as de classe alta), que passaram a adotar, em seus currículos, a postura - ainda que alienada - de sacrificar bolinhas como uma intermediação para aplacar ou amortecer os alunos mais inacessíveis e de difícil convivência com os demais colegas. Em viagens longas, é comum depararmos com pessoas fraturando bolinhas. E a idiotia não ficou só nas classes menos favorecidas. De forma alguma! Nos voos comerciais, damas e cavalheiros bem vestidos, entre uma bebida e outra, retiram de suas bagagens discretos saquinhos com bolinhas para (como dizem lá no Espírito Santo, os Capixabas) serem “pocadas”. 
Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, jornalista. De Ribeirão Preto, São Paulo, 16-7-2017

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Um comentário:

  1. Estourar bolinhas é muito bom, distrai a mente, tira o estresse, é coisa de maluco eu sei! Mas amo porque faço parte dessa maluquice kkkkk. Excelente texto Aparecido parabéns.

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