sábado, 20 de janeiro de 2018

A derrota dos vascaínos

André Schmidt 

“O Vasco não pode ter seu futuro decidido por quatro mil pessoas. É muito pouco. E isso facilita as artimanhas de quem pretende se perpetuar no poder.”

Foto: Luiz Ackermann/Agência O Globo
Esta foi a resposta de Alexandre Campello [foto], presidente eleito com o apoio de Eurico Miranda, sobre democratizar as eleições do Vasco, em entrevista feita aqui para o blog. Para o candidato, na época – em outubro -, quatro mil pessoas não poderiam decidir o destino do Cruz-Maltino.

Nesta sexta-feira, porém, apesar da chapa Sempre Vasco liderada por Júlio Brant ter vencido a votação entre os sócios, Campello não teve a menor cerimônia de se associar a Eurico e seu grupo para ganhar em uma eleição de trezentas pessoas.

O discurso de democratização e perpetuação de poder acabou antes mesmo de sua posse. Campello foi pró-Brant para vencer Eurico. E pró-Eurico para vencer Brant. E Eurico foi anti-Brant o tempo todo.

Ninguém foi Vasco.

Aliás, se essa eleição serviu a alguém, certamente não foi ao vascaíno. O sócio votante, que representa os milhões que não possuem esse direito, pela primeira vez em toda a sua história não teve o seu desejo atendido. Foi desrespeitado entre risos, alianças e baforadas.

O que fica claro após a decisão desta noite é que ser ou não sócio do Club de Regatas Vasco da Gama, criado pelos braços de sua torcida, é simplesmente irrelevante.

Os ‘100 cabeças brancas’, como se referiu Euriquinho sobre os beneméritos, é quem definem o destino do clube. Na hora em que as contas apertam, entretanto, é do vascaíno comum que cobram apoio, doação para reforma de quadra, associação em massa, São Januário lotado, venda de produtos e até compreensão.

Só não pedem um cafuné porque não sabem abaixar a cabeça.

A eleição foi tão inacreditável, que o nome gritado após o anúncio do vencedor foi o de um dirigente que sequer foi candidato: Eurico Miranda. O eleito, Alexandre Campello, foi simplesmente ignorado durante a vitória, sendo cumprimentado por Júlio Brant, o derrotado, e discretamente por alguns mais próximos. Claramente, figurantes no velho monólogo político vascaíno. Assim como o torcedor.

A cena dos votantes gritando o nome de Eurico enquanto era feito o anúncio do novo presidente soou como se Campello recebesse a notícia que seria pai, mas o parabenizado era o vizinho.

Essa é a prova irrefutável de que o único vencedor na eleição foi Eurico, mesmo ele não sendo o predileto dos sócios e nem da torcida em geral – vide qualquer pesquisa feita por qualquer meio ou veículo. O Vasco, mais uma vez, se tornou apenas mais um adereço do ego de Miranda, que provou novamente ser capaz de manipular, principalmente dentro de São Januário, a tudo e a todos.

O Vasco agora será presidido por Alexandre Campello, que aporta no clube com a incrível façanha de ser ainda menos querido pela torcida que Eurico em seu retorno. Aliás, Campello conquistou um apoio pontual para vencer as eleições, mas que tem tudo para ser cerceado em breve, tornando a briga política no clube interminável.

Eurico deixou a presidência, mas não o Vasco. Brant, aclamado pela maioria dos vascaínos, foi derrotado. E Campello, quarta força na disputa, assume o clube sem o apoio real das principais chapas. E o pior: sem o menor carisma ou respeito de grande parte dos torcedores.

O Vasco, que por anos buscou a democracia além de seus portões, hoje, mais do que nunca, se viu prisioneiro do que ocorre dentro deles.

Campello era a última opção dos sócios e dos torcedores. De Eurico, neste momento, porém, era a única. E ainda assim venceu.

Torcida do Vasco aguarda resultado da eleição para a presidência do clube na sede náutica da Lagoa. Foto: Antonio Scorza/Agência O Globo 
Essa é a prova definitiva de que o Vasco, há anos, não está nas mãos dos vascaínos. Não da maioria.
Título e Texto: André Schmidt, Blog do Garone, 20-1-2018



A hora de unir o Vasco e seguir o rumo das conquistas

Alexandre Campello

A mudança venceu – Agora é unir o Vasco e seguir no rumo das vitórias e conquistas

Vascaínos, o desejo de mudanças expresso na Assembleia Geral do dia 07 de novembro triunfou. Agradeço a confiança da maioria do Conselho Deliberativo que elegeu uma diretoria administrativa completamente renovada, sem a presença de representantes da diretoria anterior.

O estatuto do Vasco prevê que é o Conselho Deliberativo o responsável por eleger a diretoria administrativa e isso existe para evitar que um presidente seja eleito sem sustentação para tocar sua gestão.

Portanto, a legalidade e a democracia vascaína foram integralmente respeitadas.

A divisão fraticida que paralisa o clube em eternas brigas internas precisa amainar em nome dos interesses superiores do Vasco e de sua imensa torcida.

A partir de segunda-feira, 22, quando começa meu mandato, estarei diuturnamente trabalhando para colocar o Vasco no lugar de liderança no cenário esportivo nacional, de acordo com sua história e suas tradições.

Para isso será necessário um árduo e paciente trabalho que depende do concurso e apoio de todos os vascaínos e vascaínas.

Pretendo ser, e serei, o presidente da unidade, o presidente de todos os vascaínos, independentemente da preferência manifestada por este ou aquele nome na disputa que hoje se encerra. Afinal, nenhuma pessoa é mais importante do que o glorioso Club de Regatas Vasco da Gama.

Na tarde deste sábado (20/01), concederei uma entrevista coletiva onde falarei mais sobre o futuro do nosso clube. 

Saudações vascaínas. 
Alexandre Campello, 20-1-2018

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