sábado, 28 de abril de 2018

A esquizofrenia política injustificável de alguns setores da direita

Paulo Eneas


O grau de complexidade do cenário político do momento tem levado uma parte da direita a cometer alguns erros de análise e, consequentemente, de orientação quanto às iniciativas mais corretas de ação política que precisam ser empreendidas agora. Muitos desses erros decorrem da incapacidade de perceber e identificar quais são os atores que efetivamente estão atuando no cenário político, conforme apontamos no artigo A Direita Brasileira Existe, publicado em março desse ano.

A esta dificuldade de identificação das peças no tabuleiro, soma-se a ausência de esforço para também compreender as estratégias e os objetivos de curto prazo da esquerda, que foram por nós apontados no artigo A Esquerda Não Quer Ver O Mês De Outubro Chegar, publicado ontem.

Por não ter claro os objetivos e a estratégia do inimigo, parte da direita incorre no erro de em algumas circunstâncias fazer escolhas políticas que, involuntariamente, beneficiam e atendem os interessem e objetivos desse inimigo.

Em nosso entender, dentre os erros que estão sendo cometidos no momento pela direita em virtude das deficiências apontadas acima, estão:

a) Reação quase emocional às ações da suprema corte bolivariana

A direita tem cometido o erro de deixar-se pautar pelas interpretações na maioria das vezes erradas, e plantadas deliberadamente na grande imprensa, sobre as decisões recentes do STF, bem como das implicações reais dessas decisões. É evidente que a suprema corte aparelhada comporta-se como ator político em favor da esquerda e do estamento burocrático, e isso deve ser combatido sem tréguas.

Mas é preciso calibrar com frieza, e com embasamento técnico, as implicações reais de cada decisão dos ministros bolivarianos, para a partir daí oferecer as respostas políticas apropriadas, fazendo uma distinção clara entre as intenções das ações dos ministros, que muitas vezes destinam-se unicamente à guerra política, e suas implicações reais na esfera jurídica do embate político.

b) A esquerda socialdemocrata fabiana não pode ser esquecida

Enquanto a direita deixa-se pautar pela mídia happening produzido pela esquerda revolucionária e pelos seus agentes no aparelho de Estado, ela esquece de mirar e focar na esquerda socialdemocrata fabiana, ignorando até mesmo as relações cada vez mais próximas dessa esquerda com a esquerda revolucionária. Haja vista as excelentes e duradouras relações do tucano Geraldo Alckmin com as milícias de delinquentes do MST, por exemplo.

O fato é que a socialdemocracia continua articulando-se, adaptando convenientemente seu discurso por meio da incorporação retórica de pautas liberais, e contando com serviço útil, e sujo, dos grupos políticos aliados ao establishment e que transitam no meio da direita, como o MBL agora travestido de Movimento Brasil 200 por exemplo, cujos discursos invariavelmente constituem-se em ataques diretos ou indiretos à direita.

c) A direita superestima o inimigo e subestima seu próprio potencial

Estamos em um cenário nacional e latino-americano em que a estratégia do Foro de São Paulo, até então bem-sucedida, encontra-se há alguns anos dando sinais de fadiga. A exceção do eixo Venezuela-Bolívia-Equador, o que estamos assistindo é a derrocada lenta e gradual dos principais partidos políticos associados à organização narco-comunista latino-americana que na prática governou quase todo o subcontinente durante as quase duas últimas décadas.

As ações da esquerda revolucionária hoje principalmente aqui no Brasil representam, ao nosso ver, muito mais ações de desespero de quem está sendo derrotado do que exercício de protagonismo na cena política. Prova disso é que o criminoso petista chefe do Foro de São Paulo no Brasil encontra-se preso há vinte dias e, materialmente, nada mudou na vida real dos brasileiros.

As ameaças de incendiar o país e de promover uma pseudo-guerra civil nunca passaram de um blefe da esquerda revolucionária que, após a prisão de seu chefe, o máximo que conseguiu foi armar um circo em Curitiba. Um circo que será desmontado em breve por falta de disposição dos milicianos e da escória contratada, por falta de dinheiro e por falta de mortadela.

d) Um favoritismo da direita que parte da direita não percebe

Soma-se a esses fatos a constatação de que o candidato da direita é hoje o mais bem colocado na disputa presidencial. Somando-se também a esses fatos a constatação de que a esquerda revolucionária, assim como a esquerda fabiana e seus aliados no estamento burocrático, não conseguiram até agora emplacar um nome eleitoralmente viável, o quadro que temos de momento é favorável à direita conservadora.

Esse cenário relativamente favorável à direita conservadora nesse momento não significa, obviamente, que seja o momento de baixar a guarda e contar com a vitória líquida e certa. Longe disso, a interpretação correta desse cenário deve servir para balizar as ações da direita conservadora daqui para frente para que esse favoritismo mantenha-se de maneira consistente.
Essa interpretação correta também deve servir para evitar uma certa esquizofrenia política por parte de alguns setores da direita, que têm cometido o erro de subestimar o nosso potencial e superestimar o poder de fogo do inimigo.
Título, Imagem e Texto: Paulo Eneas, Crítica Nacional, 27-4-2018

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