terça-feira, 13 de novembro de 2018

Um retrato da Igreja no Brasil

FratresInUnum.com

“A Igreja deu o seu povo para o movimento socialista, que o perdeu para os protestantes”. Esta frase do nosso último editorial, como um flash, resume a trágica situação em que nos encontramos.


É praticamente indescritível a sensação de expatriados que os católicos comuns sentem na Igreja do Brasil. Os cenários são aterradores e apenas demonstram como o clero perdeu completamente a conexão com o seu povo. Falamos como leigos.

De um lado, padres da teologia da libertação, que usam seus sermões como desculpa para a tentativa de doutrinação socialista, mas são como uma vitrola quebrada, apenas repetem chavões, ideias marteladas obsessivamente, para um público de idosas que permaneceram ali por pura inércia. Os outros, já se foram. De outro lado, conscientes da derrota para os protestantes, alguns padres adotam a mesma retórica dos pastores pentecostais e, na disputa entre quem é mais protestante, é óbvio que os protestantes acabam levando vantagem.

Em algumas igrejas, você não percebe muito bem se o que está diante de você é um padre, um coach, um comediante ou um(a) apresentador(a) de programa da tarde. São aqueles sermões: “sete passos para achar marido” ou “dê um gostinho diferente pra vidinha”… Enfim, tudo tão patético, uma palhaçada tão mal feita que dá vergonha até em quem está passando na rua!

A vida se torna um inferno para alguém que só quer ser simplesmente católico, sem esquisitices e excentricidades. Não passa pela cabeça desses senhores que um fiel queira apenas um sermão piedoso, doutrinal, baseado nas Sagradas Escrituras. Se quisesse um show-man ou um militante comunista, iria para uma stand up ou para o diretório do PT ou do PSOL.

Mas o fato é que a maioria dos padres falam, falam, falam e ninguém entende do que estão falando. A coisa não deslancha. São ideias improvisadas, embaralhadas a esmo, jogadas como carteado, à sorte, depois das quais tudo fica como estava antes, senão pior, pois as pessoas não apenas perdem a fé, mas aprendem o erro e, ao invés de se converterem, desconvertem-se e pioram. Seria muito mais útil somente fazer as leituras com pausa e boa dicção (o que já é um luxo em nossos dias) e deixar um largo tempo de silêncio. O silêncio é mais eloquente que muitos sermões!

Quando aparece um sacerdote piedoso, que não se envergonha de ser católico e de ser padre, que prepara um sermão simples e profundo, doutrinal e místico, as almas começam surgir como abelhas à procura do néctar. A Igreja logo enche. Mas, mais rápido que isso, surge a assassina inveja clerical, que, incomodando-se com o êxito pastoral do bom padre, começa a persegui-lo por todos os meios.

Será que eles não percebem que os fiéis notam a trama? Logo o padre é transferido ou começam a aparecer denúncias “espontâneas”, ataques “repentinos”, polêmicas insufladas: cartas marcadas, complôs, tudo orquestrado pelas autoridades eclesiásticas.

Os bons padres, impotentes, vão sendo desanimados, isolados, até o ponto de se deprimirem e desistirem da luta. Até porque as estruturas criadas para engessar a Igreja e impedir a ação da graça são muito eficazes em realizar o seu intento homicida. A retórica é sempre a mesma: “padre, você precisa andar em comunhão”, “precisa caminhar em unidade com o plano de pastoral da diocese e da região episcopal”, “você tem ideais muito elevados de santidade, seja mais humano”, “a sua eclesiologia é muito antiquada”. Entenda-se assim: você precisa se pautar pelos fracassos dos outros e se nivelar por baixo; não se confesse, não confesse, não pregue, não converta, não reze, não adore, apenas entregue a sua alma e as almas dos fiéis ao demônio, assim como os outros o fazem.

Não há Igreja mais estruturada que a Igreja do Brasil. Os fiéis não imaginam o número de burocratas de batina – ou melhor, sem batina! –, que dão a vida e gastam suas energias em reuniões, assembleias, organogramas, subsídios e todas as inutilidades que a criatividade mórbida de quem não tem vida sobrenatural pode inventar. Vivem para atazanar os outros! E, literalmente, as almas que se danem! Sem confissões, sem visitas a enfermos, sem a pregação da fé, sem a vida da graça, sem o impulso dos sacramentos.

Os católicos são obrigados a não ser católicos e a ver a Paixão silenciosa dos padres que querem sê-lo.

Como o Núncio Apostólico quer renovar a Igreja valendo-se desses mesmos malfeitores que a estão destruindo impiedosamente? Se ele quisesse realmente fazer algo de útil, deveria enxergar o invisível e procurar os padres proscritos, que estão no ostracismo, os doentes, aqueles que foram postos nas paróquias mais periféricas, em suma, aqueles que não estão nos centros de poder nem nas cortes dos bajuladores dos bispos.

Esses carreiristas hipócritas desistiram de Deus e da vocação. Para eles, só existe a política eclesiástica e, através dela, a obtenção de cargos que lhes sirvam como escudo para protegerem todos os seus crimes, todas as suas máfias.

É por isso que o povo não importa, nem a fé nem a devoção. E os padres que ignoram essa politicagem eclesiástica são perseguidos e espezinhados e, literalmente, que se dane o povo!

“A Igreja deu o seu povo para o movimento socialista, que o perdeu para os protestantes”. Mas ela não o fez de um modo qualquer: criou uma estrutura iníqua para fazê-lo e não haverá como recuperá-lo sem destruí-la por completo. Se quisermos a Igreja de volta, precisamos desburocratizá-la, oxigená-la, torná-la mais simples, realmente pobre, evangélica; precisamos, em suma, esquecer todas essas estruturas de pastorais, assembleias, reuniões, e voltar à Missa e ao Terço. É duro, mas este é um retrato da Igreja no Brasil.
Título, Imagem e Texto: FratresInUnum.com, 12-11-2018

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