segunda-feira, 19 de novembro de 2018

[Daqui e Dali] Também há santos nas igrejas evangélicas!


Humberto Pinho da Silva

Se pensam que nas Igrejas Evangélicas – e até nas seitas, – não há santos, estão redondamente enganados.

Claro, que não aparecem nos altares, nem são canonizados, mas que são santos, ah! isso são!

Havia – já lá vão muitos anos, – na 1ª República, em Vila Nova de Gaia (Portugal), um homem bom. Homem rico, que por muito amar os pobres ficou pobre, por amar muito a Deus.

Era pastor anglicano. Sabia ser justo viver do altar, mas preferiu ser o altar a viver do seu trabalho e da sua grande fortuna.

Seu nome era Diogo Cassels, mas o povo, os operários, os carenciados, por muito lhe quererem, chamavam-lhe, carinhosamente de o senhor Dioguinho.

Dioguinho, junto com as tarefas pastorais, mantinha escola – para educar os meninos cristãmente – e a “ Sopa dos Pobres” – para alimentar os que tinham fome.

Portugal, naquele tempo, estava atulhado em terríveis dívidas. Havia desemprego generalizado, e os que trabalhavam mal granjeavam para o sustento dos filhos.

Como cristão, como sacerdote temente a Deus, sentia a obrigação de cuidar, de zelar, de amenizar, o sofrimento dos operários; e pobreza envergonhada – que sempre atinge a classe média, em anos de crise.

Todos os meses, o bom homem, ia de porta em porta, pelas casas inglesas – o senhor Dioguinho era britânico, – e pedia… tornava a pedir… rogava, suplicando, contributo para a “Sopa dos Pobres”; porque, o que possuía, da sua grande fortuna, já não bastava para acudir a tanta necessidade.

Certa ocasião, as casas de pasto, as mercearias, que lhe forneciam os alimentos, disseram-lhe, peremptoriamente: “Ou paga o que nos deve, ou não mais haverá fiado! …”

Dioguinho levou as mãos à cabeça, desesperado. Aflito, atormentado, recorreu a amigos. Calcorreou as firmas de origem inglesa, da baixa portuense; bateu à porta da colónia inglesa, e arrecadou substancial quantia… Assim supunha.

Regressou radiante. Contou e recontou o dinheiro recebido. Fez contas e mais contas… Fez cálculos e mais cálculos… mas nada, faltavam cinco contos para saldar a dívida aos fornecedores…

Os necessitados ficarão sem a “Sopa dos Pobres”. Pensou.

Nervoso, mordendo os lábios ressequidos, procurou descortinar amigo, que lhe acudisse a tal aperto. Mas as diligências foram em vão.

Só Deus o poderia ajudar. Mas seria ele merecedor de tal auxílio?…
Dirigiu-se, estonteado, à capela; pelo caminho, encontrou a Bertinha – mocinha que lhe servia de secretária – agarrou-a com ansiedade, pelo braço, e, numa súplica, disse-lhe:
“Peço-te, menina, um grande favor: Vem comigo à capela, orar a Deus, para que me acuda!…”

No dia seguinte, pela manhã, manhã luminosa, cheia de sol, chegou o carteiro. Entre a correspondência vinha uma… que incluía um cheque no valor de cinco contos!

Junto, trazia um bilhete: “Sei que veio procurar-me, para acudir aos seus pobres. Não estava, mas aí vai ‘isso’, para ajudar.”

Após o almoço o senhor Dioguinho, agradecendo a Deus, dirigiu-se ao Banco de Londres, para receber o dinheiro.

Mal lhe entregaram os cinco mil escudos, o rosto desfigurou-se de contentamento. Cambaleou. Agarrou-se ao balcão… Escorregou… e caiu. Antes de morrer, ainda teve tempo de pronunciar:
“Graças a Deus! Os pobres não passaram fome! …”

Assim morreu o pastor, o santo, que tudo doou aos pobres. O sacerdote, que sendo rico, se tornou pobre, para que os pobres fossem menos pobres.
Também há santos nas Igrejas Evangélicas! …
Título e Texto: Humberto Pinho da Silva, dezembro de 2018

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