quinta-feira, 28 de junho de 2012

A ideologia da morte (sequência)

Em sequência a A ideologia da morte

Cara Circe,  
Mas é exatamente a isso que se refere a "lei dos grandes números". A China é um dos países continentais mais antigos do planeta e a 'lei do filho único' tem apenas algumas décadas de vigência. Os chineses nunca foram de se dedicar a guerras, invasões e conquistas de território (afinal de contas eles nunca precisaram de "espaço vital" – como dizia a besta fera do Adolf Hitler – e, portanto, se dedicaram mais à cama e aos "prazeres da cama", com isso se multiplicando de maneira 'malthusiana', numa época em que o alimento era farto e as condições climáticas favoráveis...
Na época mais recente dos "baby-boomers" – como o nome sugere –  os americanos também provocaram uma explosão demográfica nos EUA e, foi graças a isso, que houve também uma explosão de conhecimento e tecnologia que elevou hoje a expectatica média de vida na América para perto de 86 anos, ao passo que, logo depois da guerra de independência contra a Inglaterra essa expectativa era de apenas 48 anos... Na esteira de todo o progresso dos norte-americanos – científico e tecnológico – o brasileiro também se beneficiou e passou de uma expectativa de viver 60 anos para a de viver 78 anos atualmente.  
Se "o mundo acabasse e sobrassem apenas 50 casais em cada país, cada uma dessas populações cresceria num ritmo que não seria ditado pelo seu 'apetite sexual', mas pela disponibilidade de alimento e pela capacidade dessas populações em modificar a natureza do seu entorno para produzir a riqueza capaz de assegurar a sua sobrevivência e o seu desenvolvimento.  

Índia Yanomani, imagem: AD
As índias brasileiras, por exemplo, têm em média de 8 a 10 filhos durante a sua vida sexual ativa. O que não é dito é que a mortalidade perinatal e infantil entre os índios brasileiros é altíssima e dos 8 ou 10, apenas dois ou três chegam à idade adulta e têm uma expectativa de vida de 48-50 anos...
O problema consiste na relação entre o número dos que nascem e o número dos que morrem. Com as pessoas durando cada vez mais, o número dos que nascem tende a diminuir, não porque falte alimento da natureza, mas porque falta capacidade das populações de produzir (retirar da natureza de modo sustentável) o alimento e outros insumos para a sua sobrevivência.  
O "progressistas", que acreditam na sua doutrina distributivista utópica e cruel, acham que a humanidade deve regredir ao ponto de viver como vivem os índios brasileiros hoje, ou as populações miseráveis da China, ou ainda em guetos paupérrimos como Cuba, desde que eles possam constituir suas reduzidas burguesias estatais e viver nababescamente à custa do trabalho escravo do povo, como já ocorre no Brasil.  
Saudações,
Francisco Vianna

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3 comentários:

  1. Co. Francisco Vianna,
    Com este cenário mais detalhadamente descrito, consigo entender como a população Chinesa chegou aos números que conhecemos hoje. Reverter este comportamento milenar não é tão simples pois, como vc disse, há apenas poucas décadas é que começaram a se preocupar com a superpopulação em função dos recursos que garantem mais do que simplesmente a sobrevivência. Frear os instintos naturais, o relógio biológico é quase impossível. Para pensar em uma solução justa, que foi a minha primeira preocupação, era mesmo preciso entender as varias nuances históricas e atuais que vc colocou. Mesmo assim, mesmo conseguindo entender melhor, ainda não me ocorre nenhuma boa ideia para ajudar a eles resolverem esta questão sem tanto sofrimento.

    Circe Aguiar

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  2. De Francisco Vianna:
    Pois é, amiga.
    De uma certa forma, não se pode esperar que uma população de quase 1,4 bilhão de pessoas, com grande contingente de analfabetos funcionais - maior ainda em termos percentuais que o do nosso Brasil - possa exercer uma democracia meritocrática, a não ser que Pequim de dedicasse à maior de todas as revoluções, a REVOLUÇÃO EDUCACIONAL E DE ENSINO, onde a qualidade da cidadania pudesse melhorar muito e a ponto de permitir a formação de uma classe média majoritária e empreendora, capaz de se fazer representar num governo de massa, como é o chinês, trazendo para as comunidades maior poder de decisão e um maior quinhão da receita fiscal, possibilitando os governos locais uma descentralização administrativa que lhes desse a capacidade de prestar serviços públicos sociais de maior qualidade e com maior respeito aos direitos fundamentais da pessoa humana.
    Até lá, isso é, infelizmente, apenas uma miragem distante no horizonte do povo chinês.
    Saudações,
    VIANNA

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  3. Caro Francisco Vianna,
    Apresentou mais algumas nuances.
    Politica, educação e estrato social. Possivelmente há muito mais.
    Percebo a urgência em dar solução ao problema da superpopulação.
    Na solução entram também questões de principios éticos e morais, claro.
    Nós aqui com o nosso moralismo de cultura cristã que dizimou tanta gente por tantos séculos e que, graças a isso, de certa forma, hoje não estamos como os chineses, não podemos apresentar ou aceitar a matança como solução.
    É dificil e acho que já se sente o efeito do descontrole por aqui.
    Circe Aguiar

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