sexta-feira, 29 de junho de 2012

Os mitos socialistas do momento (4)

Adolfo Mesquita Nunes
A recessão não pode ser combatida com políticas assentes no endividamento e na despesa

Imagem: DR
Mito nº 7: Nenhum país alcançou crescimento com as chamadas politicas de austeridade. Ouvimos tantas vezes dizer que as políticas de consolidação orçamental e de redução da despesa pública estão destinadas ao fracasso que quase nos esquecemos de averiguar se essa afirmação tem qualquer correspondência com a realidade.
Vejamos o que se passa, por exemplo, com os países bálticos. Também estes países se viram confrontados com a crise internacional, também estes países se debateram com problemas de crédito e também estes países se viram confrontados com um nível excessivo de despesa pública.
O que fizeram, então, quando se deram conta dos primeiros sinais da crise? O oposto do que os socialistas por cá fizeram e o contrário do que Paul Krugman advoga: recusaram-se a embarcar em políticas de estímulos públicos ao crescimento, resistiram à tentação de achar que alguém teria de resolver o problema por eles e optaram por políticas sérias de redução da despesa pública e de consolidação orçamental.
Qual foi o resultado? No ano passado, o PIB da Estónia cresceu 7,6%, a maior taxa de crescimento na Europa (o da Letónia cresceu 5,5%). Este país, que conhece agora o que é estar em excedente orçamental e assiste à maior queda do desemprego na Europa, é assim um caso de sucesso após um esforçado período de consolidação.
Os dois países assistem a um tão impressionante crescimento das exportações e da sua capacidade produtiva que até Christine Lagarde veio chamar a atenção para a necessidade de olharmos para o modelo seguido pelos bálticos. Ninguém parece ter-lhe dado muita atenção, claro. Se calhar não convém atrapalhar as prelecções dos que defendem mais socialismo para curar tantos anos de socialismo.
Como referiu Juergen Ligi, o Ministro das Finanças da Estónia, a recessão não pode ser combatida com politicas assentes no endividamento e na despesa. Na verdade, e cito agora o primeiro-ministro da Letónia, Valdis Dombrovskis, os países bálticos foram os únicos a apostar numa imediata política de austeridade e são aqueles que mais crescem, pelo que talvez não haja a contradição entre austeridade e crescimento que alguns gostam de criar.
Ao contrário dos socialistas portugueses, estes governantes não falam de cor ou apenas na teoria. Falam após apresentar os invejáveis resultados das suas políticas. Políticas essas que deveríamos estudar e não, como por cá parece fazer-se, ignorar.
Temos de imitar tudo o que estes países fizeram? Não necessariamente, até porque há diferenças a ter em conta. Mas para bem do debate político e da tomada de decisões públicas convinha, pelo menos, olhar para os países que, neste momento mais crescem, e aprender com eles. Pode não dar jeito aos socialistas, que andam com Paul Krugman no peito, mas daria jeito a Portugal. 

Mito nº 8: Portugal tem de seguir o exemplo do modelo social escandinavo.
Não sei se teremos de seguir esse modelo ou não. Mas a bem do debate é bom que se saiba de que falamos quando falamos do modelo social escandinavo.
Sabia, por exemplo, que o sistema de ensino sueco é um sistema em que impera a liberdade de escolha que os socialistas tanto criticam em Portugal? Sabia que, na Dinamarca, os bombeiros e as ambulâncias não são do Estado? Sabia que nenhum dos países nórdicos tem salário mínimo nacional? Sabia que a Suécia tem prosseguido uma significativa redução da carga fiscal?
Não sabia? Deixe estar. A esmagadora maioria das pessoas que defende o modelo social escandinavo também não sabe.
(continua)
Título e Texto: Adolfo Mesquita Nunes, jurista e deputado do CDS, jornal “i”, 29-06-2012

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