sábado, 30 de junho de 2012

Por uma melhor higiene mental…

Alberto de Freitas
Miguel Sousa Tavares deu-me a ideia, ao declarar não ler as críticas por uma questão de higiene mental. E não é que tem razão. Deixei de o ler no Expresso e… bem, com o que restava para ler… deixei de comprar o Expresso. Passei a sentir-me mais leve. Porém, o vício do papel é grande e mantive o hábito de ler os diários. Uns dias compro o Público, nos outros, o DN. A seleção depende da última página: vejo o Tavares, fujão do BE para continuar o “sacrifício” de ser deputado europeu com, de certeza, as habituais teorias de hospício e zás, compro o DN. Jornal sagrado ao domingo, para a imperdível crónica de Alberto Gonçalves.
Hoje, sábado, comprei o Público. Tive que tomar um Xanax. O artigo de São José Almeida, abalou a minha convicção que o bom senso é algo intrinsecamente humano. A autora considera que Passos Coelho insultou os portugueses quando declarou no parlamento que “Portugal não podia estar 37 anos sem gerar uma única vez um excedente orçamental”. São os custos da democracia, segundo SJA. Pelo que: quando em todo o planeta só houver democracias, não haverá défice, só haverá carências. Sim, porque onde se encontrarão excedentes para acudir aos deficitários? Ter excedentes, será sinónimo de ditadura. Fazer contas, para a autora, é coisa antidemocrática.
Para a escriba “tia” (a idade não é garante de juízo) de esquerda, não saltita um vislumbre que, talvez a rapaziada que tomou “conta” da democracia, se utilizou da mesma para todo o tipo de loucuras e de meter algum nos bolsos.
Mas não! Para SJA, em nome da democracia: “vale-tudo”… e muita rapaziada com a conversa da treta de SJA, se aproveitou.
Não sei por onde andava SJA no 25 de Abril, mas, eu, por essa altura, vi gente descalça em França, na Itália e Alemanha Federal. E para quem vivia na RDA, a melhor prenda era receber umas bananas... e havia gente descalça. Sim, Portugal melhorou nos últimos 37 anos, mas o Mundo também. Não tivemos outra solução que “ir atrás”. E o povo português - incluindo as ´próximas geraçoes - não merecia pagar um valor tão elevado pela liberdade política.
Mas não comprar o Público por causa de um só artigo? Não, pois adiciona-se um editorial de “taxista-futeboleiro” onde se misturam Balotelli, Monti e Mário Draghi. Onde se compara a agressão a Mário Soares na Marinha Grande - por parte desindicalistas e manifestantes ligados ao PCP – e a ira popular (que como se sabe nada têm a ver com o PCP) contra o ministro Álvaro.
Culminando com o artigo de Teresa de Sousa que exulta com a hipotética derrota de Merkel, como se essa derrota, a acontecer, não fosse a da Europa do bom senso.
Este governo necessita, por uma série de “asneiras” e opções, ser criticado. Mas, para isso, exige-se gente honesta.
Título e Texto: Alberto de Freitas, 30-06-2012
PS. Aproveito para informar SJA que, como português, não me sinto insultado pelas declarações de Passos Coelho 

Peço licença a Alberto para meter o meu bedelho.
Não resisti em transcrever a segunda parte do editorial do Público, para melhor (e definitiva) compreensão dos nossos generosos leitores:

A inútil desventura do ministro Álvaro
Atente para o título, prezado leitor, já começa injetando a peçonha, como se o ministro tivesse combinado a agressão dos sindicalistas do departamento sindical do PCP e a… combinação não tivesse resultado!

Foi já há um quarto de século, mas muitos reterão ainda na memória as imagens da conturbada viagem de Mário Soares, então candidato à Presidência, à Marinha Grande. Foi, como se sabe, agredido por sindicalistas e manifestantes ligados ao PCP. Resultado: em lugar de descer nas sondagens, subiu. E tornou-se Presidente da República. Ontem, na Covilhã, o ministro da Economia, Álvaro dos Santos Pereira, experimentou os efeitos da ira popular e teve que ouvir, inclusive, da boca do autarca local (por sinal, do PSD) que, "para algumas pessoas, o único Governo que se preocupou com os trabalhadores foi, em 1975, o Governo de Vasco Gonçalves". O ministro ainda tentou dialogar, sem êxito: foi insultado e um dos manifestantes atirou-se para cima do carro onde seguia. Isto garantiu-lhe escolta da GNR, desistindo da cerimónia. Mas foi, na verdade, uma desventura inútil: quer para os manifestantes, quer para o Governo, que não subirá nas sondagens por causa disso.

O pior, para o bloquista Público, este ministro TAMBÉM subirá nas sondagens; todos viram e ouviram a peroração agressiva e insultuosa do sindicalista do departamento sindical do Partido Comunista Português. Outra coisa: portugueses mais atentos ouviram noticiar a presença de uma tal de Comissão de Utentes… ora! esses portugueses “mais atentos” sabem quem está por trás das Comissões de Utentes, sim, as contraportagens.net… que, só por acaso, mas muito por acaso, têm o mesmo net do que o net do portal do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda, e o mesmo net do esquerda.net… 
Continuando: portugueses mais atentos entenderam perfeitamente a fina ironia que saíu "da boca do autarca local (por sinal, do PSD)"... Até eu, que, apesar de português, mas não atento, sei o que se passou durante o governo de Vasco Gonçalves durante o verão quente de 1975...

Foto: Henrique Matos

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