sexta-feira, 21 de agosto de 2026

A captura da PGR pelo establishment

Leandro Ruschel

A Procuradoria-Geral da República acaba de descobrir que o Supremo não deveria julgar quem não tem foro privilegiado 


Descobriu com sete anos de atraso. 

Desde 2019, com o inquérito das Fake News, aberto por portaria do próprio tribunal, sem provocação do Ministério Público e com relator designado sem sorteio, o Supremo investiga, acusa e julga brasileiros comuns. Influenciadores, empresários, jornalistas, blogueiros e aposentados. Só pelo 8 de janeiro já são mais de 1.400 condenados. 

Raquel Dodge, então procuradora-geral, chamou aquilo de "verdadeiro tribunal de exceção". Foi ignorada. E a Procuradoria nunca mais insistiu. 

Mas quando a investigação é de corrupção, e não de "crime" de opinião, e bate na porta do filho do Descondenado, e cai na mão de um ministro não alinhado, aí não pode. 

Aí a Procuradoria redescobre a competência. 

Aí tem que mandar para a primeira instância, mesmo sendo altamente improvável que o caso não envolva pessoas com foro privilegiado. A própria Polícia Federal diz que a influência teria sido exercida junto ao Ministério da Saúde e ao gabinete da Presidência da República. 

Vale lembrar que a Polícia Federal já havia tentado tirar o caso de Mendonça pedindo distribuição por sorteio. O sorteio deu Mendonça. Agora tentam pela outra porta. 

A Justiça brasileira se transformou num aparato de proteção de aliados e perseguição a opositores. 

Nada além disso.

Título, Imagem e Texto: Leandro Ruschel, X, 13h49

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Um comentário:

  1. Lula tentou articular a retirada dos inquéritos de Lulinha das mãos de André Mendonça. A ideia era protelar e esfriar o caso até o fim das eleições.
    O efeito será o contrário.
    Para manter as investigações no STF, Mendonça terá de identificar as autoridades com foro privilegiado envolvidas.
    E elas estão dentro do governo Lula.
    Se Mendonça for firme, o caso explode em plena campanha eleitoral.

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