sexta-feira, 5 de junho de 2020

A derrota dos prefeitos

Como a inépcia aumenta o custo da pandemia

J. R. Guzzo

O Brasil está tendo de encarar um plus a mais, em matéria de desgraça explícita, com a combinação desse vírus mortal que nos atormenta com a inépcia desvairada por parte dos “gestores” a quem, para infelicidade geral da nação, o destino entregou a tarefa de administrar a nossa vida durante estes tempos difíceis. A covid-19 já é um horror mais do que suficiente para qualquer um. Mas no caso do Brasil o preço a pagar está sendo o dobro (mais, talvez?) do que poderia ser, pois as “administrações regionais”, a quem o Supremo Tribunal Federal deu poderes de AI-5 para decidir tudo sobre a epidemia,  mostraram até agora uma inépcia sem limites para executar a tarefa que lhes foi entregue.


Nada fora do padrão, é claro: o Brasil sofre a doença crônica do “mau governo” desde o governador-geral Tomé de Souza. Em condições normais de temperatura e pressão, os brasileiros se acostumaram, bem ou mal, a conviver com a incompetência sem limites dos governantes; aguenta-se a roubalheira diária, a produção permanente de dificuldades para quem trabalha, os impostos pagos e jogados no lixo, a incapacidade de ter ideias decentes, a estupidez da burocracia e por aí afora. Mas quando chega um momento como o atual, em que dificuldades fora do comum exigiriam a presença nos governos de pessoas capazes de fazer alguma coisa mais inteligente do que se faz na média, o que se vê é a qualidade miserável, tanto do ponto de vista mental como do ponto de vista profissional, dos que são pagos para tomar decisões.

A observação mais simples dos fatos mostra que indivíduos que não conseguiriam cuidar direito nem de um aquário com dois peixes se veem, por força de um sistema político-eleitoral suicida, à frente de cidades com milhões de habitantes para administrar — e com os poderes de “tempos de guerra” que uma decisão aberrante do STF lhes concedeu. Como um negócio desses poderia dar certo? Não pode e não dá. Ninguém aqui é louco para dizer que o governo federal, no seu conjunto ou nos seus detalhes, seria melhor que os 27 governos estaduais e os 5.500 prefeitos para enfrentar uma calamidade com o calibre da covid-19. O Brasil é o Brasil, e o nível dos 12 milhões de funcionários que nos governam nos três níveis da administração é basicamente o mesmo; não há gênios federais e idiotas municipais. Mas isso não muda em nada o desastre que está sendo imposto ao país e à sua população pela inépcia dos que mandam em alguma coisa.

Não há cidadãos que estejam pagando mais caro pela crise do que paulistanos e cariocas

São Paulo e Rio de Janeiro, por serem as maiores e mais populosas cidades do país, são, inevitavelmente, as que pagam o maior preço pela baixa qualificação de seus prefeitos para enfrentar uma crise deste tamanho. Bruno Covas e Marcelo Crivella servem, levando-se em conta a competência média dos prefeitos brasileiros, para produzir o desastre controlado das gestões municipais em tempos sem cólera. Mas quando chega a cólera o resultado de sua presença no leme é isso aí que se está vendo há três meses. Haverá, com certeza, gente pior que eles. Mas não há outras duas cidades com 12 milhões e com 6 milhões de habitantes no Brasil; não há, em consequência, cidadãos que estejam pagando mais caro pela crise do que paulistanos e cariocas. Nenhum dos dois, para piorar, recebe a menor colaboração de seus governadores no sentido de fazer alguma coisa que preste, ou melhor do que estão fazendo.

‘Vocês são os racistas’, diz mulher negra a antifas nos EUA

Nestride Yumga participou de protesto na capital dos Estados Unidos no último fim de semana


Anderson Scardoelli

Todas as vidas humanas importam, independentemente da etnia ou do tom de pele. Esse é o recado dado por Nestride Yumga. Mulher negra, ela participou do protesto realizado no último fim de semana em Washington, capital dos Estados Unidos, conforme registrou o site Breitbart News. Ela, contudo, destoou do discurso que vem sendo propagado pelos manifestantes que se intitulam antifas.

Nestride Yumga questionou a razão pela qual os dizeres “black lives matter” só se mostraram presentes em cartazes quando o segurança negro George Floyd foi assassinado por um policial branco. Ocorrido em Minneapolis na última semana, o caso desencadeou uma série de protestos dentro e fora dos Estados Unidos.

“Mas, se [vidas negras] importam, elas devem importar o tempo todo”, disse Nestride ao se dirigir a uma militante branca. Entre outros pontos, ela cobrou a participação de movimentos quando negros são assassinados por outros negros em cidades dos Estados Unidos. “Crianças negras são mortas todos os dias em Chicago”, exemplificou. A moça enfatizou, ainda, ser negra e livre.

“Não sou oprimida e sou negra”

“Vocês são os racistas”, complementou Nestride, de acordo com o que é possível acompanhar no vídeo [íntegra abaixo]. A mulher branca, a qual não é possível afirmar se pertence ou não ao movimento dos antifas, tenta se posicionar, mas não consegue diante dos argumentos da oponente. “Parem de forçar as pessoas a aceitar que são oprimidas”, afirmou a manifestante. “Não sou oprimida e sou negra”, prosseguiu Nestride.

Assista ao vídeo:

De quem é a culpa na catástrofe da Covid-19 no Brasil?

J.R. Guzzo

Houve até agora muito pouca cobrança – no mundo oficial, entre os “formadores de opinião” e no resto do Brasil que costuma se manifestar a respeito de tudo – sobre as responsabilidades pela catástrofe da Covid-19 no Brasil. Alguém tem alguma culpa nessa tragédia?

Pessoas caminham de máscara na orla da praia em retomada gradual durante a epidemia de Covid-19 no Rio de Janeiro. Foto: Carl de Souza/AFP
Os fatos estão aí, à vista de todos. O número de mortos, segundo os números oficiais, já passou dos 33 mil. A economia do país está em ruínas; as estimativas mais moderadas calculam que o PIB de 2020 vai cair em torno de 7%. As medidas de controle tomadas até agora paralisaram a produção, o trabalho e a vida em sociedade, sem afetar em nada a evolução da doença. Três meses depois de ter começado, a epidemia está matando mais de mil pessoas por dia. O que os responsáveis pela administração pública têm a dizer sobre isso tudo? “Fique em casa”. Só isso e nada mais.

As responsabilidades em torno da Covid-19 estão muito claras: o STF, desde o começo, entregou aos estados e prefeituras a exclusividade na administração da epidemia; ninguém, no governo federal ou no Legislativo, tem o direito de mexer uma palha a respeito do assunto. O governo pode tirar dinheiro do Tesouro para pagar as despesas que as “autoridades regionais” mandam para cima dele; não há nenhum limite quanto a isso. Mas está proibido de fazer qualquer outra coisa, e se tenta fazer é ignorado, simplesmente, pelos 27 governadores e 5.500 prefeitos do Brasil.

Muito bem: na conta de quem, então, devem ser debitados as mais de 33.000 mortes da epidemia? Se as “autoridades locais”, como decidiu o STF, têm poderes de ditadura para fazer o que lhes dá na telha em relação à doença, também tem de ter a exclusividade nas culpas.

Crianças em protestos: pode chamar de exploração mesmo

Theodore Dalrymple

Dê-me uma criança antes dos sete anos”, teria dito Santo Inácio de Loyola, “e eu lhe mostrarei o homem”.

Não é importante se Santo Inácio disse mesmo isso. Mas não pude deixar de pensar nessas palavras ao ler uma reportagem do correspondente do New York Times em Oakland. A reportagem curta dizia o seguinte:

Perto do centro, centenas de manifestantes marchavam pacificamente pelas ruas, gritando slogans e erguendo cartazes.

Atrás da multidão, Donavon Butler, 33, dirigia uma minivan branca com sua esposa e os quatro filhos atrás. Seu filho de 5 anos, Chase, andava com a cabeça para fora da janela com o punho direito erguido e a mão esquerda segurando um cartaz no qual se lia “Mamãe! Não consigo respirar. Não atire.”

“O mundo em que vivemos não é igualitário. As pessoas nos olham de um jeito diferente”, disse o sr. Butler que ensinou ao filho.

Que tipo de pai leva uma criança de 5 anos a uma manifestação política que, mesmo que no momento pacífica, pode obviamente se tornar violenta? Foto: AFP

A reportagem foi publicada sem maiores análises, então é impossível dizer — mas não supor — qual foi a atitude do repórter diante do episódio. Mas ele me deixou horrorizado.

Que tipo de pai leva uma criança de 5 anos a uma manifestação política que, mesmo que no momento pacífica, pode obviamente se tornar violenta? Claro que o pai sabia disso: dificilmente ele ignorava completamente o que estava acontecendo em todos os Estados Unidos.

Os Antifas bancam os humanistas, mas não passam de carniceiros ideológicos

Guilherme Macalossi

Quantos desses que saíram às ruas nos EUA para protestar pela morte de George Floyd estão de fato preocupados com ele ou mesmo com o problema do racismo? As manifestações que se seguiram ao episódio da violenta abordagem policial ocorrida em Minneapolis parecem menos interessadas em buscar justiça e igualdade e mais interessadas em promover a desordem social e a insegurança generalizada.

Foto: John Minchillo/AP
É necessário deixar bem claro que Floyd foi vítima de uma brutalidade de caráter claramente racista. Sem ter resistido, acabou sendo asfixiado por um policial branco, que, durante 8 minutos, manteve seu pescoço pressionado junto ao chão usando a força do joelho. A cena de selvageria correu o mundo, gerando uma comoção mais do que justificada.

Ao que parece, entretanto, a comoção acabou instrumentalizada por aqueles que queriam ter apenas uma licença poética para praticar outros incontáveis crimes. É o que está acontecendo nesse exato momento. Por certo, há muitos pacifistas se manifestando, mas é inegável também a ação de grupos radicais e violentos que se escudam entre aqueles que buscam apenas externalizar sua indignação. As depredações em massa, as agressões contra outras pessoas (algumas delas também assassinadas) e o saque a estabelecimentos comerciais dão a tônica de um clima de insurgência revolucionária que surge a partir dos EUA e começa a se espalhar pelo mundo.

Ou roubar a lojas da Nike e da Louis Vuitton, ou tocar fogo em uma unidade da CVS ou mesmo da Target é a resposta certa para combater o preconceito? Essas empresas, afinal, não empregam negros? Por que se tornaram alvo?

Foto: John Minchillo/AP
A resposta é simples: há quem veja no próprio sistema capitalista o promotor da opressão social e, nessas empresas, alguns de seus estandartes e símbolos. Para estes agentes, a tal cultura da desigualdade é alicerçada nos próprios fundamentos do livre mercado. E, sendo assim, essa estrutura econômica deve ser destruída.

Pró democracia, dizem

Bolsonaro confirma mais duas parcelas do auxílio emergencial

Valor será menor do que os atuais R$ 600

Pedro Rafael Vilela

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (4) que foi acertado o pagamento de mais duas parcelas do auxílio emergencial, mas com valor inferior aos atuais R$ 600. A informação foi dada pelo presidente durante sua live semanal, transmitida pelas redes sociais.  


"Vai ter, também acertado com o [ministro da Economia] Paulo Guedes, a quarta e a quinta parcela do auxílio emergencial. Vai ser menor do que os R$ 600, para ir partindo exatamete para um fim, porque cada vez que nós pagamos esse auxílio emergencial, dá quase R$ 40 bilhões. É mais do que os 13 meses do Bolsa Família. O Estado não aguenta. O Estado não, o contribuinte brasileiro não aguenta. Então, vai deixar de existir. A gente espera que o comércio volte a funcionar, os informais voltem a trabalhar, bem como outros também que perderam emprego", disse. 

O auxílio emergencial foi aprovado pelo Congresso Nacional em abril e prevê o pagamento de três parcelas de R$ 600 para trabalhadores informais, integrantes do Bolsa Família e pessoas de baixa renda. Mais de 59 milhões tiveram o benefício aprovado. O novo valor ainda não foi anunciado pelo governo.  

O presidente também antecipou um possível aumento no valor do benefício do Bolsa Família, pago a cerca de 14 milhões de famílias em situação de pobreza e pobreza extrema. O valor do eventual aumento ainda será anunciado, garantiu o presidente, sem especificar uma data.  

"Acho que o pessoal do Bolsa Família vai ter uma boa surpresa, não vai demorar. São pessoas que necessitam desse auxílio, que parece que está um pouquinho baixo. Então, se Deus quiser, a gente vai ter uma novidade no tocante a isso aí", afirmou.

Liberação de praia
Durante a live, o presidente defendeu a liberação de acesso às praias, que está proibida na maioria das capitais litorâneas do Brasil, e que a Advocacia-Geral da União (AGU) vai emitir um parecer favorável sobre o assunto.

DrPepper é recrutamento nazista

Ksksksksks… contexto aqui

[Aparecido rasga o verbo] Recheios de sanduíches

Aparecido Raimundo de Souza

VIVEMOS UM MOMENTO ÚNICO. Um momento restrito, peculiar, incomum. Respiramos dias e horas obscuras, mastigamos infortúnios que jamais imagínávamos fossem chegar até nós. Além de contarmos os ladrões e flibusteiros, mundo afora, picaretas e filhos da puta em brazzzilia, agora nos divertimos também em contarmos carneirinhos (carneirinhos, aqui, vistos e entendidos como jazigos), ou, se as senhoras e os senhores preferirem, buracos abertos (a maioria em “covas solidárias”) para enterrarmos amigos, vizinhos, parentes e até pessoas que nunca fizeram parte do nosso convívio; menos ainda do nosso cotidiano.

Até bem pouco tempo atrás, nos limitávamos, ou nos restringíamos em alardearmos larotas e  fanfarrices. Nos atínhamos, em paradinhas nos finais de noite, nos bares das esquinas, antes de chegarmos em casa. Éramos felizes jogando partidas de sinuca, palitinhos  ou bolas de pau. Nos livrávamos dos estresses tomando umas geladas com os companheiros de sempre. Hoje, os bares das esquinas se fecharam em sisudas portas aldraveadas, sem dia para reabrirem aos sorrisos de seus frequentadores. As partidas de sinuca e os certames das bolas de pau, se trancaram amedrontadas em cantos e recantos escondidos.

Para completar a nossa vida de palhaços de carteirinha e sindicato, nos vimos obrigados a usar aquela venda, tipo a que a puta da justiça usa nas vistas, com a diferença de que a puta da justiça continua bem mais puta e safada. A infeliz adora tomar no pescoço em francês, uma vez que resolveu se dar, ou se doar, aos deuses intocáveis do “olimpo”, ou dito de forma mais transparente, para que os leitores entendam (se permutar ou se vender àqueles senhores “cavaleiros da suprema corti do colegiado cagado maior, esses, não outros, senão os mi’SI’nistros que por lá chafurdeiam).

Devemos lembrar que os ratos de esgoto daquele “Parlajumento”, não podem ser melindrados, magoados, ofendidos ou  escandalizados... Afinal de contas, eles são deuses (ainda que de merda fedorenta), mas  soberanos, seres poderosos, assim como o STF, ou “Superior Tribundal de Falcatruas”, o seu maior palco para ruminarem “certas ações” em desfavor da sociedada e até do Executivo em exercício. No STF, as desgraças e os cânceres abundam com seus traseiros sujos. Eles gozam da “sombra das leis”. Carregam, no peito, o  crachá pomposo dos ilibados e acima de quaisquer suspeitas. Tudo em nome de uma bosta que conhecemos por constituição federal, ou de forma mais povão, “desconstituição fedemal.

Alías, caríssimos, a constituição, fede a carniça, catinga à coisa podre. A catinga da caatinga que nos perdoe.  Voltando ao foco, antes ríamos, contávamos piadas, troçávamos dos políticos, dos perús empanados, tipo Sergio Moro, do magrelo e desbundado Rodrigo Maia, do Davi Alcolumbre, enfim, de uma caralhada de sujeitos suspeitosos... Agora computamos cadáveres, enquanto o “Estrado Derrocrático de dirreito”, ou “Estrado Demoniacrático de Direito” tenta nos colocar, além da venda, ou da birosca em nossos fucinhos, nos impõe  sobre vara, a ficarmos em casa, trancados iguais animais num zoológico construído às carreiras,  esperando Chico Buarque e a sua bunda, perdão, a sua banda passar.

LIVE do presidente Bolsonaro, 4 de junho de 2020 (+ Análise da Jovem Pan)


quinta-feira, 4 de junho de 2020

Arregou! Revista inglesa retira publicação de estudo que invalidava cloroquina

Segundo autores, a fonte dos dados analisados não era confiável

Foto: Diego Vara/Reuters
Pedro Ivo de Oliveira

Três dos quatro autores do estudo que invalidou o uso da cloroquina e do seu derivado, a hidroxicloroquina, em casos de covid-19, afirmaram que não é possível garantir a veracidade dos dados do estudo, de acordo com o comunicado divulgado na tarde de hoje (4) no site da revista médico-científica britânica The Lancet. Por isso, os cientistas pediram a retirada do estudo da publicação.

Os cardiologistas e cirurgiões Mandeep Mehra, Frank Ruschitzka e Amit Patel não obtiveram sucesso na validação independente dos dados usados para a publicação do estudo, o que torna impossível a checagem dos óbitos e o acesso às fichas completas dos 96 mil pacientes que fizeram parte do levantamento.

“Nós não podemos mais garantir a veracidade das fontes dos dados primários. Por causa deste desenvolvimento infeliz, os autores pedem que o artigo seja retratado”, afirma o médico e cientista Mandeep Mehra, em comunicado.

Publicado em 22 maio, o estudo afirmava que o uso de quatro protocolos diferentes de medicamentos - todos usando cloroquina ou sua variação moderna, a hidroxicloroquina - não surtiu efeito sobre o vírus SARS-CoV-2, agente causador da covid-19. O estudo relata que um dos efeitos colaterais descritos na bula dos medicamentos, a arritmia cardíaca, colocou em risco a vida de pacientes de diversos grupos, desde os menos severos até os que estavam em estado crítico. 

A retratação do estudo acontece um dia após a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciar a retomada dos testes com ambas as substâncias. Médicos, cientistas e estatísticos de diversos países também se manifestaram sobre a metodologia aplicada, que utilizou um banco de dados da empresa Surgisphere especializada em informações médicas.

Hotéis do Rio terão selo de qualidade no combate à covid-19

Certificação será dada aos que cumprirem práticas sanitárias adequadas

Foto: Tânia Rego/Agência Brasil
 Alana Gandra

A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado do Rio de Janeiro (Abih-RJ) e o Sindicato dos Meios de Hospedagem do Rio de Janeiro (Hotéis Rio) lançaram nesta quinta-feira (4) um selo de qualidade e excelência em boas práticas no combate à covid-19. A iniciativa é uma parceria com a Secretaria de Estado de Turismo (Setur) e a Vigilância Sanitária do município do Rio.

O selo é destinado a empreendimentos hoteleiros na capital e demais cidades do estado e segue um protocolo de compromisso elaborado pelas entidades representativas do setor junto aos respectivos órgãos públicos. O protocolo se inicia com os “dez mandamentos”, referentes ao selo do governo fluminense e às “regras de ouro” da prefeitura da capital.

O selo, entretanto, é facultativo para os meios de hospedagem da capital e do estado.

Autodeclaração
Segundo a Abih-RJ, os empreendimentos hoteleiros que quiserem obter a certificação deverão se adequar às normas estabelecidas e preencher uma autodeclaração no portal do governo do estado  ou no da prefeitura, na qual se compromete a cumprir todas as orientações dadas pela Setur e pela Vigilância Sanitária municipal, respectivamente.

No caso da adesão junto ao governo estadual, o hoteleiro deverá estar registrado no Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur) do Ministério do Turismo. Os meios de hospedagem sediados no município do Rio de Janeiro poderão solicitar os dois selos, desde que venham a cumprir as normas estabelecidas por cada um.

Segurança à hospedagem
O presidente da Abih-RJ e do Hotéis Rio, Alfredo Lopes, disse acreditar que o selo dará mais segurança à hospedagem de turistas, executivos e organizadores de congressos e eventos que planejem retomar suas viagens a lazer, negócios e eventos no estado do Rio de Janeiro.

[Língua Portuguesa] Língua Portuguesa


A língua portuguesa, também designada português, é uma língua românica flexiva ocidental originada no galego-português falado no Reino da Galiza e no norte de Portugal. Com a criação do Reino de Portugal em 1139 e a expansão para o sul como parte da Reconquista deu-se a difusão da língua pelas terras conquistadas, e mais tarde, com as descobertas portuguesas, para o Brasil, África e outras partes do mundo.

O português foi usado, naquela época, não somente nas cidades conquistadas pelos portugueses, mas também por muitos governantes locais nos seus contatos com outros estrangeiros poderosos. Especialmente nessa altura a língua portuguesa também influenciou várias línguas.

Durante a Era dos Descobrimentos, marinheiros portugueses levaram o seu idioma para lugares distantes. A exploração foi seguida por tentativas de colonizar novas terras para o Império Português e, como resultado, o português dispersou-se pelo mundo.

Brasil e Portugal são os dois únicos países cuja língua primária é o português.

É língua oficial em antigas colônias portuguesas, nomeadamente, Moçambique, Angola, Cabo Verde, Guiné Equatorial, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe, todas na África.

Além disso, por razões históricas, falantes do português, ou de crioulos portugueses, são encontrados também em Macau (China), Timor-Leste, em Damão e Diu e no estado de Goa (Índia), Malaca (Malásia), em enclaves na ilha das Flores (Indonésia), Batticaloa no (Sri Lanka) e nas ilhas ABC no Caribe.

[Discos pedidos] Inesquecíveis (e seus intérpretes)


Sikêra Jr fez protesto contra o presidente Jair Bolsonaro?

[Viagens & Destinos] A Conceição de Leça e Matosinhos

"A Nossa Senhora da Conceição chegava a rivalizar em popularidade com o Senhor de Matosinhos"



Joel Cleto conta-nos que "desde muito cedo foram atribuídas propriedades miraculosas" à imagem da Nossa Senhora da Conceição e o convento em Leça da Palmeira atraía muitas pessoas que vinham de propósito fazer pedidos e agradecer a esta santa que "chegava a rivalizar em popularidade com o Senhor de Matosinhos" que ficava da margem oposta do rio. Daí existir uma velha lenda da rivalidade entre as gentes de Matosinhos e Leça da Palmeira que queriam a imagem da Nossa Senhora da Conceição na sua terra.


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Let's Impeach The President

Henrique Pereira dos Santos


Esta observação, bem como todo o artigo de que faz parte, corresponde bastante ao me parece que tem vindo a ser uma tendência das esquerdas modernas: negar a democracia, não na sua teoria e fundamentos, mas na prática.

Os problemas e as derrotas deixaram de ser para resolver nas eleições seguintes, os problemas e as derrotas devem ser resolvidas agora, contrapondo a legitimidade das ruas - que o mesmo é dizer, dos jornais - à legitimidade das urnas.

Não é, de maneira nenhuma, uma questão americana, apesar de ser muito visível a quantidade de impeachments e afins dos últimos anos, usados tantos pela direita (Clinton) como ainda mais frequentemente pelas esquerdas.

Frequentemente a contestação da legitimidade começa logo no dia seguinte ao das eleições, em vez da velha regra de que se as regras democráticas aplicáveis a todos, boas ou más, foram cumpridas, a legitimidade do governo está assegurada.


E quem não está de acordo, tem uma maneira simples de proceder: trabalhar para ganhar a eleição seguinte e bater os adversários nas eleições.

À medida que inimigos juramentados da democracia burguesa deixaram de ter margem para defender a superioridade da democracia popular sobre a democracia formal (para já não falar da defesa dos regimes não democráticos), passaram a contrabandear a ideia de que as regras não são justas, não são legítimas e, consequentemente, é legítimo atuar fora das regras para repor a verdadeira democracia.

Sou absolutamente insuspeito de não gostar de Neil Young - ainda não me conseguem apanhar na posição de definir o meu gosto artístico pelo alinhamento político dos artistas, a mim não me apanham a negar que José Afonso e José Mário Branco são músicos fantásticos, só porque usaram os seus dons artísticos para defender coisas que hoje me parecem indefensáveis - e acho que fez dezenas de músicas melhores que esta (que não é nada má) que me parece um excelente exemplo para ilustrar a ideia de que, no fundo, as regras democráticas e a legitimidade do exercício do poder se medem mais pelo meu juízo moral sobre as políticas e os políticos que pelo cumprimento das regras aplicáveis a todos para permitir o acesso ao poder.

Contos loucos dos moucos (XLI) – O mar

Regressei a casa, mas não consegui ficar quieto. Saí e comecei a correr, depressa, cada vez mais depressa, os joelhos torciam-se, os calcanhares faziam tremelicar os glúteos, os braços pareciam desligados e agitavam-se como os de uma marionete.

Correr, correr e correr ainda.

O coração bombeava, na boca a saliva afogava a língua e submergia os dentes. Sentia o sangue a inchar as carótidas, a transbordar no peito, já não tinha  fôlego, pelo nariz aspirei todo o ar possível que depressa expirei como um touro.

Recomecei a correr, sentindo as mãos geladas, o rosto a ferver, fechando os olhos. Sentia que que tinha recuperado todo aquele sangue visto por terra, perdido como uma torneira com a rosca moída, sentia-o novamente no corpo.

Finalmente cheguei ao mar. Saltei sobre os rochedos, a escuridão estava empastada de neblina, nem se viam os faróis dos navios que se cruzavam no golfo.

O mar encrespava-se, algumas ondas começaram a levantar-se, pareciam não querer tocar o lodo da linha de rebentação, mas também não regressavam ao redemoinho distante do alto-mar. Permanecem imóveis no vaivém da água, resistem obstinadas numa impossível fixidez agarrando-se à sua crista de espuma. Quietas, já não sabendo onde o mar é ainda mar.


Roberto Saviano

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Estações de trem do Rio sofrem 47 furtos de álcool em gel em um mês

Dispensers foram instalados para que usuários possam esterilizar mãos

Vinícius Lisboa

As estações de trem do Rio de Janeiro registraram 47 casos de furto de equipamentos usados para disponibilizar álcool em gel 70% para os passageiros. Os dispensers foram instalados há um mês e também sofreram 137 episódios de vandalismo, segundo a Supervia, concessionária que opera o serviço de trens.

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Ao divulgar os números, a empresa afirma que repudia os casos e lamenta que eles prejudiquem medidas de prevenção contra a transmissão da covid-19. A utilização de álcool em gel para esterilizar as mãos é considerada por especialistas uma forma importante de evitar a propagação do vírus, que pode infectar uma pessoa quando ela toca os olhos, o nariz ou a boca com a mão contaminada. 

Dois episódios de furtos terminaram com flagrantes contra os ladrões. No dia 5 de maio, um homem foi preso na estação Deodoro, após ter sido filmado retirando um dos dispensers de álcool em gel. Ele foi autuado por furto na 33ª Delegacia de Polícia (Realengo) e liberado.

No dia 15 de maio, outro homem foi flagrado fazendo o mesmo na estação Manguinhos. Ao ser revistado, agentes descobriram que ele levava equipamentos furtados de outras estações na mochila. Dessa vez, o caso foi registrado na delegacia de Bonsucesso, 21ª DP. 

A Supervia registrou ainda dez ataques de vandalismo contra totens de álcool em gel, equipamentos que podem ser acionados por pedais, evitando o contato com a mão. 
Título e Texto: Vinícius Lisboa; Edição: Lílian BeraldoAgência Brasil, 4-6-2020, 11h22

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A praga do entusiasmo niilista

O que mais vejo a presente situação dos EUA é a necessidade de encontrar sempre alguém que moralmente esteja abaixo de nós, que represente, por contraste, todo o esplendor da nossa superioridade.

Paulo Tunhas

Escapa-me por inteiro a razão de ser do entusiasmo gerado pelos atuais protestos contra a violência policial que conduziu à morte de George Floyd. De facto, não me escapa, até julgo percebê-la muito bem. O que acontece é que esse entusiasmo me provoca uma instintiva repugnância, não só pela violência que os entusiastas admiram, e que conduz a mais mortos do que a outra, como, e sobretudo, pela imagem que os entusiastas têm de si mesmos.


Vamos por partes. Que há racismo nos Estados Unidos, como há racismo por esse vasto mundo fora, é a última coisa que se pode negar. Que o racismo — enquanto coisa distinta de se não gostar, com legitimidade inteira, de determinadas culturas – é o pecado por excelência, é algo que me parece quase uma evidência: dificilmente se encontra uma visão das coisas que contenha no seu seio tantos sinais de uma irracional inclinação ao mal, por meio da qual alguém, seja pela cor da pele, seja por qualquer, às vezes imperceptível, traço fisionômico, nos aparece como exemplo concreto e absoluto de uma mancha moral, física e metafísica que a humanidade não pode tolerar. Que as forças policiais americanas têm, como todas as outras, uma história de comportamento racista, é algo que, quanto mais não seja, todos sabemos por inúmeros filmes (americanos), que vão do ótimo (Mississippi Burning, por exemplo) ao péssimo (não vale a pena dar exemplos). Que a história dos Estados Unidos se encontra marcada desde sempre – desde a chegada dos escravos vindos de África, como aqueles cujos corpos aparecem, afogando-se no mar, num dos últimos quadros de Turner, Slave Ship, que se encontra em Boston – pelo conflito em torno do racismo, ao ponto de tal conflito ter originado a única guerra civil americana, lê-se em qualquer livro.

Tudo isto é óbvio. Como é óbvio que uma parte muito significativa de crimes cometidos nos Estados Unidos — ínfimos, pequenos, médios e grandes — são cometidos por negros, um facto que cabe parcialmente à sociologia explicar, sem que a explicação ambicione ser uma absolvição pré-concebida, como em sociologia acontece muitas vezes: ocultar isto é ocultar um dado essencial do problema, com a função instrumental de acrescentar uma dose suplementar de arbitrário à violência policial. Não é sério. Outra coisa óbvia é que uma parte das manifestações que os entusiastas adoram foram puros atos de vandalismo e destruição em grande escala, e, naturalmente, não foram propriamente os ricos os mais prejudicados: foram aqueles que têm parcos haveres e que os viram destruídos de um momento para o outro. Para os entusiastas, estas preocupações com a propriedade privada, mesmo a dos mais desfavorecidos, são uma pieguice hipócrita que magnificamente contrasta com a suprema elevação da sua concepção do mundo. Até ao momento, é claro, em que os azares da vida – uma crise econômica, por exemplo – ponham em causa os seus modestos privilégios: aí o caso muda de figura e urge protestar. Dizer que não são sérios é um eufemismo.

Tempos modernos

Vitor Cunha

No ano da Graça de Žižek de 2032, numa cidade do Califado da Catalunha, dois adolescentes – Ablah, 34 e Khalid, 35 – descobrem o desejo sexual emanante da doce fragrância do amor. Andavam na mesma escola, a Secundária George Floyd, em regime de telescola através do Microsoft® Mass®. Um dia, por circunstâncias de um trabalho de grupo sobre eutanásia ambiental, Ablah confundindo os ficheiros, enviou a Khalid uma selfie pensando tratar-se de uma foto da Santa Greta. Khalid, ao ver a figura de Ablah, a única mulher que vira excluindo a mãe, apaixonou-se imediatamente. Qualquer rapaz daquela idade cairia pela doce Ablah e a sua foto sexy, de escafandro negro que oculta com descrição a arrojada burca interior por baixo do fato de apicultora. Nunca vira uma mulher tão despida.

Sua mãe, que desde sempre usara armadura de chumbo, não serviu de modelo para a compreensão da forma cilíndrica ligeiramente sextavada do corpo feminino. Khalid, aproveitando a distração de Ablah, enviou-lhe também um retrato. Ablah, ao ver a viseira, máscara cirúrgica e balaclava Armani, sentiu um inexplicável fogo, como uma infecção urinária das que o pai lhe costuma causar, mas com uma dor agradável, como a da tatuagem de #BlackLifesMatters que fez quando a papisa Mortágua tuitou a recomendação para todos os crentes.

Khalid, a medo, perguntou-lhe: “posso enviar uma foto menos vestido?” Ablah hesitou, mas cheia de vontade anuiu enquanto tirava a viseira do escafandro. Khalid enviou uma foto sem viseira. À medida que a roupa se ia tirando, o nervoso-miudinho de chegarem ao estado em que ficavam apenas com as algálias e os depósitos de urina no corpo dava-lhes uma sensação de bem-estar nunca antes experimentada por nenhum deles, nem Ablah com o pai, nem Khalid com o seu bode David. Por fim, completamente nus, acedem em retirar a sub-máscara do tipo cirúrgico agrafada à face que todos os jovens adquirem ao atingirem a puberdade no ritual pan-religioso de passagem à idade adulta, aos 32 e meio.

Regras para o povo e exceções para as elites

O combate ao vírus não tem sido democrático: não trata todos por igual e distingue povo e elites. A Covid-19 também veio lembrar que Portugal é muito menos livre, justo e democrático do que pensa ser

Alexandre Homem Cristo

1 O campeonato de futebol retomou ontem e continuará nas próximas semanas com estádios vazios — apesar de ser ao ar livre, as autoridades de saúde consideram que há risco de criar focos de contágio. Há dias, e muito bem, também retomaram os espetáculos em sala fechada e, no Campo Pequeno, houve mais de duas mil pessoas na plateia. A dúvida que fica no ar é esta: se é possível haver milhares de pessoas dentro de uma sala de espetáculos, o que impede que milhares de pessoas assistam ao futebol num estádio?


2 A máscara no parlamento, ao início, não era para ser usada — Ferro Rodrigues recusou-se a que as comemorações do 25 de Abril fossem uma festa de mascarados. Depois, passou a ser obrigatório usar máscara, exceto quando se discursava. Ainda depois, a obrigatoriedade estendeu-se aos discursos — o uso de máscara seria incondicional. Por fim, orientações de há dois dias vieram explicar que, afinal, não é preciso usar máscara na Assembleia da República, exceto em casos em que, discursando, não se consegue garantir as distâncias de segurança. A desorientação soa a caricatura, mas tem uma fácil explicação: desde o início, o parlamento adotou sempre regras excepcionais, à medida do conforto dos deputados e substancialmente diferentes das que foram atribuídas às empresas e locais de trabalho em espaços fechados.

3 Enquanto vigorou Estado de Emergência, as comemorações do 25 de Abril e do 1º de Maio foram caracterizadas por grandes ajuntamentos de pessoas — num contexto em que era proibido a alguém estar na rua com dois amigos. As autoridades esforçaram-se por justificar esse excepcionalismo, viabilizado legalmente pelo Presidente da República e apaixonadamente defendido em discurso na Assembleia da República.

O mesmo Marcelo que, depois, tratou de se distanciar das comemorações da CGTP/ PCP e, agora em situação de desconfinamento, organiza as comemorações de 10 de Junho com apenas 8 participantes, criticando duramente as opções de parlamento e CGTP/ PCP — sim, as opções que anteriormente havia defendido e dado enquadramento legal. Se a incoerência quanto ao cumprimento das regras sanitárias é inequívoca, não sobram dúvidas sobre a coerência das práticas: o poder político fará sempre o que quiser, defenderá uma coisa e o seu contrário, e terá sempre razão.

Chris Cuomo demands to know where it says protests must be 'peaceful.' Then he gets a lesson on the Constitution

Chris Cuomo, alleged lawyer

Chris Enloe

Image via Twitter @SteveGuest screenshot

CNN host Chris Cuomo is a law school graduate and licensed attorney — but he apparently does not know what the First Amendment says.

Speaking on his show Tuesday, Cuomo rebuked those who "see the protests as the problem" and demanded that riot critics show him where it says demonstrators must protest peacefully.

"Now too many see the protests as the problem. No, the problem is what forced your fellow citizens to take to the streets: persistent, poisonous inequities and injustice," Cuomo said. "And please, show me where it says protesters are supposed to be polite and peaceful. Because I can show you that outraged citizens are what made the country what she is and led to any major milestone. To be honest, this is not a tranquil time."

Later, Cuomo declared that police officers are those required to remain peaceful — not demonstrators.

"Police are the ones required to be peaceful, to de-escalate, to remain calm," he said.