Carina Bratt
Um pouco antes de ser internado (no hospital do Exército, meu velho se
fizera militar de carreira desde tenra idade), de onde só sairia dias depois
nos braços da morte, me pediu que levasse o opúsculo para que mais uma vez se
deleitasse com as poucas páginas de uma história que ele rotulara de
‘suavemente perfeita’. Papai desta feita não conseguiu sequer abrir o livro.
Quando deixou a UTI decidi tomar para mim o encargo de ser a guardiã dessa obra
prima.
Desde sempre, o tempo vem passando e, então, esse livro se tornou o meu
melhor amigo do peito. Nas minhas viagens com o Aparecido, entre os muitos
títulos que carrego na bagagem, com certeza está o que papai amava como se
fosse uma parte pulsante da sua vida. Ontem, como disse, logo no início das
minhas ‘Danações’ desse domingo, acabei de concluir mais uma vez a emocionante
história tão bem engendrada por Jack London.
É a terceira vez em que me atenho a esse escritor fenomenal e intrigante, nascido John Griffith Chaney, aos doze de janeiro de mil oitocentos e setenta e seis, em São Francisco, na Califórnia e chegado à sepultura em vista de ter se entregue aos desprazeres e desconfortos do álcool, em Gren Ellen, aos vinte e dois de novembro de mil novecentos e dezesseis, quando gozava o albor dos quarenta anos.




















