sábado, 7 de novembro de 2015

Tempo ganho e tempo perdido

Vasco Mina
Todos temos presente a tomada de posição comum (uma das poucas) dos partidos da esquerda: indigitar Passos Coelho como PM e dar posse a um governo por este formado seria perda de tempo! Ou seja, mais valia indigitar António Costa e dar posse a um governo com apoio da esquerda na AR. Tudo estaria, à esquerda, preparado para esta alternativa e só mesmo Cavaco Silva empataria que tal acontecesse. Duas semanas após e, pelos vistos, o tempo não chegou para que conseguisse o tão almejado e histórico acordo entre o PS e os partidos à sua esquerda.

O Governo entregou ontem o seu Programa para ser debatido no Parlamento nos próximos dias 8 e 9 de Novembro. Também ontem soubemos que o BE tinha aprovado um documento resultante das negociações com o PS. Um acordo a dois e que com a transparência habitual da esquerda ficou por se saber o que no dito constava. Apenas se confirmou que era apenas um acordo a dois. Sem perda de tempo o PCP fez também saber que tinha enviado um texto sobre uma “posição conjunta do PS e do PCP sobre solução política”. Os comunistas nada referem quanto ao acordo e apenas repetem a cassete dos últimos dias: “estão reunidas as condições para pôr fim ao Governo PSD/CDS-PP”; ficámos apenas a saber que o Governo será da iniciativa do PS com o apoio na AR do PCP mas sem participação comunista no elenco governativo. Ou seja, o PCP empatava, assim, mais algum tempo para negociar e convocou o Comité Central para Domingo. António Costa, de seguida, na SIC, informa que serão três os acordos (um deveria saber a “poucochinho”) mas que ainda faltava o acordo político com o PCP. O PS irá discutir o Programa de Governo a apresentar pelos socialistas mas ainda não tiveram tempo para negociar com os comunistas a duração do hipotético acordo que garanta a continuidade governativa para além do Programa e, eventualmente, do Orçamento.

O PNEC (Processo Negocial em Curso) continua assim o seu percurso e ainda muito assistiremos neste fim de semana pois a crise (na esquerda) impede que se consiga prever de manhã o que acontecerá à tarde. Até as previsões meteorológicas conseguem ser mais fiáveis!

Estamos a dois dias da discussão e aprovação do Programa do Governo de Passos Coelho e, até agora, o tal tempo perdido foi, afinal, tempo ganho para a tentativa de António Costa conseguir um acordo (que serão, afinal, acordos) à esquerda. Quanto mais tempo será necessário perder para sabermos se existe uma verdadeira solução governativa à esquerda? E quando conheceremos o conteúdo e âmbito de tais acordos? Será que ainda vão derrubar o Governo e só depois chegarão a acordo (perdão, a acordos)? Tudo isto é, no plano lúdico-político, muito estimulante mas o problema é que está um país inteiro à espera! Por que nos fazem gastar tanto tempo à espera quando este tempo era apenas tempo perdido?
Título e Texto: Vasco Mina, Corta-fitas, 7-11-2015

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