sábado, 27 de maio de 2017

Galileu na prisão – e outros (24) mitos sobre ciência e religião


Até à década de 1970, o paradigma há muito dominante na história da ciência era o da ciência triunfante e da religião em conflito permanente e feroz com aquela. Este é o paradigma que ainda persiste nos principais meios de comunicação e em algumas publicações académicas. Todavia, há uma nova geração de historiadores da ciência e historiadores da religião que se tem debruçado sobre os episódios destas duas disciplinas, analisando-os à luz dos valores e conhecimentos dos respectivos protagonistas. 

Este livro é fruto de algumas dessas investigações. Juntamente com outros vinte e quatro académicos que se dedicam a esta nova história da ciência, Ronald L. Numbers esclarece vinte e cinco mitos – que define simplesmente como «afirmações falsas» -, contrariando a ideia de que ciência e religião estão perpetuamente numa luta sem quartel. Cada um dos capítulos de Galileu na Prisão mostra o quanto temos a ganhar em ver para além dos mitos. Numa obra simultaneamente informativa e lúdica, os autores – que incluem agnósticos, ateus e cristãos - desmontam ideias que têm sido apresentadas sob a capa de verdade histórica, desde o encarceramento de Galileu à conversão de Darwin no leito de morte, passando pela crença de Einstein num Deus pessoal que «não joga aos dados com o universo». Sendo o obscurantismo o maior inimigo do conhecimento, a leitura deste livro que o enfrenta é imprescindível.
 
Autor:
RONALD L. NUMBERS é professor de História da Ciência e da Medicina na Universidade de Wisconsin-Madison. Desempenhou funções como presidente da Fundação para a História da Ciência e da Sociedade Norte-Americana de História da Igreja. Atualmente é presidente da União Internacional de História e Filosofia da Ciência, secção de História da Ciência e da Tecnologia.

Aconselharia a ler este livro e a pensar sobre estes 25 «mitos». Haverá toda a vantagem em descontextualizar alguns e relativizar a sua importância.

1 - A ascensão do cristianismo foi responsável pela morte da ciência antiga.
2 - A Igreja medieval impediu o desenvolvimento da ciência.
3 - Os cristãos medievais ensinaram que a Terra era plana.

4 - A cultura islâmica medieval foi hostil à ciência.
5 - A Igreja medieval proibiu a dissecação humana.
6 - A teoria de Copérnico desalojou os seres humanos do centro do cosmos.

7 - Giordano Bruno foi o primeiro mártir da ciência moderna.
8 - Galileu foi preso e torturado por advogar a teoria de Copérnico.
9 - O cristianismo gerou a ciência moderna.

10 - A revolução científica libertou a ciência da religião.
11 - Os católicos não contribuíram para a produção científica.
12 - René Descartes criou a distinção mente – corpo.

13 - A cosmologia mecanicista de Newton eliminou a necessidade de Deus.
14 - A Igreja denunciou, com fundamentos bíblicos, a aplicação de anestesia nos partos.
15 - A teoria da evolução orgânica baseia-se num raciocínio circular.

16 - O evolucionismo destruiu a fé de Darwin no cristianismo – até aquele se converter no leito da morte.
17 - Huxley derrotou Wilberforce no debate sobre evolução e religião.
18 - Darwin aniquilou a teologia natural.

19 - Darwin e Haeckel foram cúmplices da ideologia nazi.
20 - O caso Scopes terminou em derrota do antievolucionismo.
21 - Einstein acreditava num Deus pessoal.

22 - A física quântica demonstrou a doutrina do livre-arbítrio.
23 - O «design inteligente» representa um desafio científico para a evolução.
24 - O criacionismo é um fenómeno exclusivamente americano.
25 - A ciência moderna secularizou a cultura ocidental.

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