sexta-feira, 7 de julho de 2017

“Costa concluiu, com inteira razão, que estar ou não estar aos comandos é igual ao litro”

João Pereira Coutinho

Costa concluiu, com inteira razão, que estar ou não estar aos comandos é igual ao litro. As últimas semanas, com o seu rol de mortos, feridos e roubalheiras militares épicas, demonstram-no


António Costa foi de férias. Alguns não gostaram. Parece-me injusto. Uma pessoa assalta o poder depois de ter perdido as eleições. O plano era simpático: calar a extrema-esquerda, herdar os frutos do governo anterior e tirar retratos sorridentes com o défice e o crescimento econômico. Ninguém lhe tinha dito que governar o País significava velar pela segurança dos portugueses. Costa, com admirável espírito infantil, amuou e saiu do recreio. Se era para isto, mais valia estar na Quadratura do Círculo.

O gesto revela, em primeiro lugar, que o nosso primeiro-ministro é um caso ímpar de humildade. Sei que a palavra não combina com os modos do senhor. Ilusório: Costa concluiu, com inteira razão, que estar ou não estar aos comandos é igual ao litro. As últimas semanas, com o seu rol de mortos, feridos e roubalheiras militares épicas, demonstram-no. Entre o País ou a família, Costa sabe o que mais falta à família.

Até porque o País, segundo consta, não se importa de grandemente com a deliquescência do Estado. Antes de ir de férias, o português sensato liga os alarmes. Costa fez o mesmo: encomendou um estudo de opinião para ver se ainda estava nas graças dos desgraçados portugueses. Esses responderam afirmativamente, talvez por constatarem que vivem em Portugal e ainda estão vivos.
Texto: João Pereira Coutinho, Sábado, nº 688, 6 a 12 de julho de 2017 
Digitação: JP 

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