domingo, 26 de novembro de 2017

As delícias da pequenada

Rui A.


Sempre me entusiasmou a perversidade implícita (para mim mais do que explícita…) da Bela Adormecida, sobretudo na versão Disney, onde uma falsa-ingénua loiraça e curvilínea princesa se deixava seduzir (ou seduzia?…) por um príncipe com evidentes más intenções. O clímax da história e do filme da Disney é, inegavelmente, a cena em que a dengosa da Aurora, depois de se deixar picar por uma agulha fálica, desfalece estrategicamente numa alcova escondida, a aguardar que o seu homem chegasse e fizesse o que tinha a fazer. O quê, não era da nossa conta…

Se, durante anos, temi pela minha normalidade emocional, fiquei ontem a saber, que não apenas sou um tipo mais do que normal, como intuo a realidade das coisas por detrás das aparências. É que, para além de ver confirmadas as minhas suspeitas lúbricas sobre a história da Aurora, finalmente percebi que ela encerra também uma séria lição moral: nunca abuse de uma moça inconsciente. Mesmo que esteja acordada…

Mas se a Bela Adormecida é fonte de volúpia infanto-juvenil, o que dizer da Cinderela? Como interpretar a prova do sapato, onde um mancebo (outro príncipe…) força os limites apertados do seu pezinho para lhe enfiar, à bruta, um sapato? Não estará aqui um claro apelo à violação feminina? E a Branca de Neve e os Sete Anões, também ela desfalecida e inconsciente, não graças a uma agulha fálica, mas a uma maçã bíblica, símbolo do pecado original, a que não resistiu? Não será uma alegoria óbvia sobre o voyeurismo masculino exercido sobre raparigas ingénuas? E o que foram os anõezinhos fazer com ela, quando a apanharam desmaiada? E porque se chama, um desses sete tratantes, «Dengoso»? E o outro «Sabichão»? Sabes muito, sabes… E o Dumbo, o Elefante Voador?

Porventura enviaria fotografias da sua tromba hirta a jornalistas suas amigas? Deixam a criançada ver disto e queixam-se, mais tarde, que a coisa deu para o torto. Isto já para não falar nas princesas do Aladino, na perversa dominatrix dos 101 Dálmatas, nas curvas da Pequena Sereia, nos saltinhos de corça do esvoaçante Peter Pan, no nariz do Pinóquio ou nos avanços abusivos do deformado patife da Bela e do Monstro.

É preciso tomar cautela com todas estas sórdidas mensagens sexistas, que são verdadeiras formas de violência de género contra as mulheres. Esperemos que a Fernanda Câncio, a Rita Ferro Rodrigues, a Isabel Moreira e as manas Mortágua estejam atentas… 
Título, Imagem e Texto: Rui A., Blasfémias, 26-11-2017

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