terça-feira, 16 de janeiro de 2018

[Aparecido rasga o verbo] Molduras de infinitas faces

Aparecido Raimundo de Souza

O que importa é o PODER. O resto é um simples negociar por malas, cuecas e calcinhas cheias de notinhas de cem”.
Danilo Gentili, em seu livro “Politicamente incorreto”. Editora Panda Books – São Paulo, edição 2010.

NO BRASIL DE TIRADENTES, filho de Ritápolis, nas Minas Gerais, do alagoano Zumbi dos Palmares, e da poetisa e escritora carioca Cecília Meireles, como nos mais distantes rincões do planeta, todo mundo tem rabo. Rabo, para os que desconhecem a palavra, é aquele troço sujo e nojento, fedido e catingoso situado no final do intestino grosso, o popularíssimo “cano de descarga” que as pessoas utilizam quando sentem que o banheiro se tornou, num repente, imprescindível à saúde dos que estão em volta. A maioria das criaturas usa essa saída reguladora da expulsão das fezes, unicamente para essa finalidade.

Existe, todavia, uma galera (tida como pervertida e denegridora da própria imagem, ou “qui sine pecato est”), que prefere revirar os olhinhos, entrar em alfa, subir à lua e voltar, dando o “caneco”, com força, não para eliminar os dejetos ou os gases intestinais. Em absoluto! Unicamente para a prática desmoralizadora da “empurração” desenfreada do quibe intranquilo, ação que, em alguns, se torna tão avassaladora e envolvente, que até o Diabo duvida e Freud não explica. Porém, o rabo que aqui mencionamos, não é outro produto senão o dos políticos. Todos eles têm o fedegoso preso.

Tão preso e aferrado, tão miscopado e enraizado, tão manietado e submisso, que nenhum purgante consegue dar jeito. Por conta e na conta desse panorama desajustado, nós os simples imbecis e idiotas, perguntamos insistentemente: quais seriam os motivos, as razões e as circunstâncias impudicamente relevantes, ou propiciatórias que conclamaram o presidente Michel Jackson do Sírio e Libanês Temer Lulia, a querer (de qualquer maneira, doendo em  quem doer, enfrentando todos os reveses judiciais) a filha do não menos e ilustre,  o cantor e compositor  Roberto Dinamite Jefferson, a senhorita Cristiane Brasil, a ocupar, nem que chova canivetes, a frente da pasta do “Mistério” do Trabalho?! Com quem, ou com o que, ele Michelzinho, teria o bagageiro encadeado sem maiores emulações para procurar a privada mais próxima quando lhe desse na telha da veneta?

Dissemos acima, “Mistério” e o fizemos propositalmente. Na verdade, o Ministério do Trabalho (tão em voga nesses últimos dias com a escabrosa nomeação da dita do cantor e compositor Jefferson) é um “MISTÉRIO”. Uma maçonaria às avessas. Uma caixa preta, um secreto santificado de récipes, apesar de compartimentados em fatias intransponíveis e insondáveis. Como todas as outras demais trinta e nove pocilgas existentes, se não nos falha a memória. Apenas para citar meia dúzia de lagartas pingadas que não viraram borboletas, temos o Ministério da Fazenda, o da Casa Civil, o da Pesca e Aquicultura (o que seria aquicultura??!!), o de Relações Institucionais, o da Pecuária e Abastecimento, o das Relações Exteriores, das Comunicações, dos Esportes, dos Diretos Humanos e da Igualdade Racial, etc. etc.

Não falamos no principal deles. O Ministério da Putaria, fortificado para toda sorte de vicissitudes. Resistente e inquebrantável às incursões de descalabros ou adversidades que possam vir a descambar sobre suas dependências. Ninguém sabe, mas esse ministério existe, é de carne e osso (carne e osso?!) está situado junto com os outros no brilhoso e psicodélico chiqueiro brasília, a sede do governo desta nação linda e maravilhosa. São esses gabinetes sibilinos e ocultos (atabalhoados num mesmo conjunto de falcatruas), que dão origem a um problema insolúvel chamado “DESCOORDENAÇÃO HORIZONTAL”, nome criado pelo senhor João Veríssimo Romão Netto, famoso e notório por suas atuações no Núcleo de Pesquisas de Políticas Públicas da USP, em São Paulo. Resumindo essa podridão fedendo dentro do vaso enlameado, temos mais ministérios ou mistérios que gente.

Essas denominações, perdão, essas biroscas maquiadas e elevadas a patamares ministeriais, por especialistas em ricos e finérrimos salões de beleza, abundam como vermes nos lodaçais do campo de pouso, onde o enorme Avião Pousado (entendam amados e amadas, como “Avião Pousado”, o berço dos Candangos) em direção ao nada se acha estacionado. Pronto para decolar. Só não consegue. E por que não? Simples! São, na verdade, oriundos desses ministérios, os milhares de cabides de empregos, as centenas de portas e janelas secretas para apadrinhamentos, os conchavos por debaixo dos tapetes sujos advindos dos recônditos do Palácio do Planalto.  

Entre as paredes e galerias desse prédio engalanado e ostentoso, se decide, à revelia do populacho (a sociedade, como um conglomerado), as alianças, as transações, os pactos, as coalizões, as vendas de cargos e serventias. Igualmente onde se negocia, no melhor do “jeitinho brasileiro”, os galhos e funções. Um enroscado de situações que descambam num único propósito: manter o DEUS MAIOR frontispiciado nos controles da regência do território nacional.

Talvez estejam encravadas aí -, ou saiam desse espeto pontiagudo -, as causas da prisão do anel de couro do doutor Michel Jackson do Sírio e Libanês Temer Lulia. Permitam a abertura de um parêntese para explicarmos essa nova inclusão ao patronímico do nosso presidente, o “Sírio e Libanês”. Como nos últimos dias ele vem frequentando muito assiduamente o causpicoso hospital paulista, achamos que ficaria mais fácil identificá-lo em nossos trabalhos. Parêntese fechado.

Feito isso, e voltando ao objeto do tema, estaríamos propensos a afirmar que seria essa capitaneação acirrada e persistente, ou essa chefia incitante e demagoga, voltada literalmente à FODER O PAÍS. Percebam caros leitores e amigos, que o PODEROSO pinta à mão ligeira e rápida, seus quadros nos calabouços do Palácio.  Eterniza seus painéis com as tintas das estafas de todos os integrantes da boa terra, a saber, os desgraçados e desnutridos partícipes das raias miúdas. O PODEROSO não para a meio do caminho. Vai além. Cria bordaduras ocas, como pintorzinho de terceira. Dá vida e forma a aparições distorcidas e alteradas. E as coloca em pontos vitais, para que ajam em seu nome. É o caso da ministrinha do trabalho. Daí a frase pitoresca: “Todo o foder emana de Temer e, em seu nome, é exercido”. Oxalá, a nomeação da filhinha querida do cantor e compositor Robertinho Dinamite Jefferson não venha a ajudar o Eterno doutor Temer a CONTINUAR CHAFURDADO NAS MAMATAS E NAS DEMAIS BANDALHEIRAS QUE CIRCULAM PELAS REENTRÂNCIAS DO CATINGOSO PALÁCIO DO PLANALTO. Temer, na verdade, soa como um sino desembestado e, de roldão, sua feito uma esponja espremida. Seus olhos se quedam arregalados e esbugalhados nas PRÓXIMAS ELEIÇÕES.  Sua preocupação não se prende à próstata. A sede que o embriaga é a cobiça. O almejo, a vasca, a fome, o surto pelas URNAS não tem freio. O infeliz respira URNAS, dorme URNAS, sonha URNAS. Defeca URNAS. Não dá o que pensar?!

Enquanto no passado o brasil de Ariano Suassuna, de Ferreira Gullar, de Marcelo Resende, de Chico Anísio e outras personalidades pontilhavam suas vidas pelo trabalho duro e pela honradez, em fluxo idêntico, por sendas impérvias, sustentando mórbidas disputas, os embusteiros do cagatório brasília conspurcavam. De outra forma colocada: os malandros e parlapatões do presente, a todo vapor, seguem os velhos rastros de seus apaniguados de outrora. Esses charlatões de agora maculam e denigrem o que restou de bom e aproveitável na capital da republiqueta, obviamente, na busca açulada, por novas artimanhas e trapaças. Os capadócios de nossos dias de horrores querem um lugar ao exposto de um sol, ainda que macilento e anêmico. Afinal, vale tudo pelo poder, pela idolatria ao lucro. Dar e vender, o majestoso rabo, que diferença faz?  Os fins justificam os meios e vice-versa. Concluímos, pois, embasbacados, os queixos caídos, pior que os peitinhos das velhinhas, o seguinte: se vivos fossem, os personagens acima citados seguiriam por aqui, engrossando vis-à-vis as fileiras de todos nós, que acostumamos, infelizmente, a tomar no PESCOÇO, EM FRANCÊS.  
Título e texto: Aparecido Raimundo de Souza, jornalista. De São Paulo, Capital. 16-1-2018

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Um comentário:

  1. Interessante o texto do senhor Aparecido. A meu ver, um Arnaldo Jabur as avessas. Claro que não numa linguagem jornalista perfeita, todavia, mais objetiva, sem medo, sem seguir regras. É o politicamente incorreto dentro do correto.

    Eliseu Dumont
    eliseu2002@oi.com.br

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