sábado, 4 de abril de 2020

[O cão tabagista conversou com...] Jeronimo: “Lembro que me agarrei a uma oração escrita pela minha mãe, que eu guardava no bolso da minha camisa do uniforme. Essa oração me acompanhou durante meus vinte e oito anos de voo.”

Nome completo: Joel Jeronimo Martins

Nome de Guerra: Jeronimo

Onde e quando nasceu?
Piraúba-MG, em 21 de fevereiro de 1951

Onde estudou?
Estudei até à quinta série na Escola José Lins do Rego, no Rio de Janeiro. Da sexta até à conclusão do ensino médio, no Colégio Estadual Olavo Bilac, em São Cristóvão, bairro do Rio de Janeiro.
Não tenho curso superior.

Não tem curso superior... dependendo do curso, não faz nenhuma falta, well...  😉

A Escola Municipal Jose Lins do Rego fica em Cachambi, correto? Portanto, você passou a infância e juventude em Cachambi e em São Cristóvão...
Pois é, aos oito anos eu me mudei de Piraúba-MG para o Cachambi no Rio de Janeiro. Esqueci de citar que o meu 1º e 2º primário foram concluídos na escola municipal José Pires de Lima em Piraúba.

Morei no Cachambi de 1959 até 1975 quando me casei.

Qual (ou quais) acontecimento marcou a sua infância e juventude?
Nasci e fui criado numa fazenda próxima à cidade onde nasci, fui criado no meio de vacas, porcos, cavalos, cachorros, galinhas...

Das vacas tirávamos o leite, que era usado na produção de queijos vendidos na cidade, fabricávamos também embutidos de carne de porco, os ovos também eram vendidos.

Tínhamos também produção de milho, arroz, feijão, mandioca, além de hortaliças. Todos esses itens serviam para a nossa alimentação e para o nosso sustento.

A minha cidade não tinha médico, quem cuidava de nossa saúde era um farmacêutico, os partos eram feitos por parteiras, não existiam vacinas. Eu, por exemplo, tive todas as doenças que as crianças hoje não têm, como sarampo, catapora, caxumba, coqueluche.

Aos oito anos me mudei para o Rio de Janeiro, a viagem foi feita de trem e a máquina que puxava os vagões era a famosa Maria Fumaça.

A partir da chegada no Rio, passei a ter uma vida completamente diferente, com a qual demorei muito para me adaptar, passei a conviver com carros, ônibus, barulho e tudo isso me assustava.

Minha grande paixão desde menino sempre foi o futebol, cheguei a fazer parte das divisões de base do Botafogo do Rio de Janeiro, quando o clube era conhecido internacionalmente.

Esse fato marcou muito a minha juventude, tenho algumas frustrações por não ter sido profissional, mas ao mesmo tempo tive muitas alegrias, até hoje tenho sonhos que sou menino e estou jogando bola.

Se profissional fosse, ultrapassaria o CR7, não? 😊
CR7 é imbatível, além de ser um exemplo como cidadão, eu era apenas um jogador mediano.

Quando começou a trabalhar?
Aos oito anos, fora do horário de aulas. Trabalhava na olaria (produção de telhas e tijolos) da própria fazenda.

Já no Rio de Janeiro trabalhei num armazém de secos e molhados, de um italiano, Sr. Caruzzo, amigo do meu pai, também fora do horário escolar e sem registro em carteira.

Aos quinze anos já recebia salário como futebolista, porém, também sem registro em carteira de trabalho.

Hummm... deve ter muitos traumas, né? 😊

Agora a sério, qual a sua opinião, hoje, sobre “trabalho infantil”?
O trabalho infantil depende da condição da família, há casos em que se faz necessário que a criança ajude seu pai a criá-la, principalmente nas cidades do interior do nordeste.

Mas, se a família tem condições de manter e estimular seu filho a estudar, sem dúvida alguma não há necessidade.

Existe um fator fundamental na vida de qualquer ser humano chamado "SORTE". Ela tem que estar ao seu lado desde o momento em que nasce. Enquanto uns nascem no palácio de Buckingham cercados de médicos, outros nascem em tribos africanas.

A chance que um menino que nasce no interior do nordeste ou na África ser próspero, ter um bom emprego, e uma boa condição de vida, é infinitamente menor do que aquele que já nasce em uma família estruturada.

Portanto, não sou contra o trabalho infantil, desde que respeitadas as condições de trabalho.

Perfeito.
E então, quando o primeiro emprego com carteira assinada?

Aos 18 anos fui dispensado pelo Botafogo e minha carreira futebolística se encerrou.
Com o dinheiro ganho no futebol, comprei uma banca de jornal, onde trabalhei até completar 20 anos.

Repare que tenho uma história de trabalho bem diversificada, pois dos 8 aos 20 anos trabalhei em olaria, na lavoura, como jogador de futebol e até como jornaleiro.

No dia 1º de outubro de 1971 comecei a trabalhar na Varig, que foi o meu primeiro e único emprego com registro em carteira.

Deduzo que com a dispensa pelo Botafogo, atualmente você seja vascaíno, estou certo? 😊
Meu querido amigo, minha família tem uma história de ser botafoguense desde que o futebol foi inventado, não sei se sabes, mas a camisa do Botafogo é uma cópia da camisa da Juve da Itália, onde joga hoje o insuperável CR7.

Eu poderia ter continuado no futebol, pois tinha convite de vários clubes, mas até nisso fui fiel ao meu Botafogo!

Como foi e por que foi o ingresso na RG?
Meu ingresso na Varig foi através de um amigo de nome Cerqueira, que trabalhava no Despacho Operacional do SDU.

Me informou que havia uma vaga na escala de comissários e pediu para que eu procurasse o Plínio Barros, que mais tarde viria a se tornar um grande amigo meu.

Tenho uma história muito interessante sobre o meu início na Varig.

Tive alguns problemas no exame médico, vários tipos de vermes adquiridos pela minha infância ao tomar banho em ribeirões, infestados de parasitas, inclusive pelo schistosoma mansoni, responsável pela esquistossomose.

Devido a esse problema minha vaga foi ocupada por outro candidato. Procurei o senhor Norton Osório, que era o gerente da Diretoria de Serviço de Bordo, e procurei saber dele se poderia ficar trabalhando para garantir a minha vaga, mesmo sem ser remunerado. O senhor Norton, além de autorizar, me ajudou financeiramente com o valor da condução, além de autorizar o uso da sua matrícula, para que eu pudesse almoçar ou jantar no famoso cai duro da Fundação Rubem Berta.

Não dá para imaginar uma situação como essa na burocracia dos tempos de hoje, em que sindicatos agem como usurpadores de emprego.

Todos nós temos alguém que um dia nos deu a mão, jamais me esquecerei do senhor Norton Osório e do Plínio Barros, que muito me ajudaram no meu início na VARIG, e depois na minha transferência da escala de comissários para vir a ser comissário de voo.

Pô, bacana, hein!
Lembra do seu primeiro voo?
Claro que lembro, o meu primeiro voo foi no Avro, numa ponte aérea Rio-São Paulo, o instrutor era o Nelmiro Broseguini, os comandantes não lembro o nome, foi no dia 14 de junho de 1973.
Eu estava tão nervoso e inseguro, que não deu tempo de passar o café.

Ficou quanto tempo na PA?
Depois, foi para qual equipamento?
Aí nesse dia, 14 de junho de 1973, comecei a minha carreira de comissário de bordo.

Voava no Avro, Electra e o Dart-Herald, mais conhecido como BokoMoko.

Em 1974 comecei a voar também o 727 e o 707, passei a fazer parte da Mini RAI, que hoje seria chamada de internacional genérica, para fazer os voos, que os caras da Internacional não gostavam de fazer, como Buenos Aires, Santiago, Lisboa diurno, México e Johanesburgo.

Hoje chego à conclusão de que a Mini RIAI foi criada para satisfazer os comissários que foram preteridos, e que permaneceram no 707 com a chegada do DC-10.

Todos voos eram diurnos, onde se trabalhava muito e as diárias eram pequenas.

Fiquei nessa aviação até junho de 1977, quando fui promovido para a legítima internacional. Meu primeiro voo na Internacional foi para Los Angeles, o chefe de equipe era o grande John Wayne (Sigmar) o supervisor era o Ganso (J. Gonçalves).

Ficávamos hospedados no Roosevelt hotel, em plena Hollywood Boulevard, em frente ao Chinese Theater, alugamos um carro, eu, Silvério, Ganso e o Osni Pires e fomos conhecer os pontos turísticos de LAX.


Eu, quando menino tinha dois desejos: um era conhecer o mar, já que sou de Minas Gerais, e o mar fica bem longe de lá, o outro era conhecer a neve.

No final de 1977 eu fazia um voo para Paris, após o serviço de bordo, já na final para o pouso em Orly, eu estava sentado na última fileira de poltronas da econômica do 707, que eram utilizadas no pouso e na decolagem.

Ao olhar pela janela vi a neve caindo, comecei a chorar tendo cuidado para que os dois colegas que estavam ao meu lado não percebessem, pois que, com certeza, não entenderiam que eu estava realizando um sonho muito distante, para um menino que veio do campo.


Minas Gerais tem um “mar”, Mar de Espanha, conhece? 😉
O único mar que Minas tem é mesmo Mar de Espanha.

Santuário Nossa Senhora das Mercês, Mar de Espanha, Minas Gerais
Qual o seu signo do zodíaco?
Nasci em 22 de fevereiro, portanto, sou pisciano. De acordo com o que leio sobre signos, tenho tudo a ver com meu signo.

Voltando ao “trabalho infantil” ...  (eu comecei a trabalhar aos 18), tenho para mim que quem começou a trabalhar desde criança tem uma maturidade diferente. Isto é, quando chega à idade adulta, chega mais ponderado...
O trabalho dá responsabilidade, mas não sei te faz ponderado. Sou muito de emoção e fácil de lidar, sou maleável, já fui de esquerda, hoje sou totalmente contra ela, talvez definitivamente.

Como ocupava o tempo nos pernoites?
Quais os que mais gostava?
Gostava de todos os lugares onde pernoitava. Miami era o meu preferido nos Estados Unidos, me sentia em casa, alguns fatores eram fundamentais como o calor, o mar e a comida.

O almoço era sempre ali no Rubem, um cara que fugiu do inferno de Cuba para a liberdade dos Estados Unidos. O cardápio era bem variado e tinha tudo que o brasileiro gosta, como arroz, feijão, mandioca, batata frita, um bife de alcatra sempre macio, ou peito de frango, além de um ovinho frito.

À noite tínhamos várias opções, desde as costeletas de porco do milho até o Bayside.

Sem esquecer que durante o dia, tínhamos uma piscina ensolarada e as máquinas de produzir gelo, (americano é tarado por gelo) para colocar nossas Budweiser ou Coors para gelar.


Quando o Miami era longo, por várias vezes aluguei carro, junto com os colegas da tripulação para passear. Lembro de um passeio inesquecível até Key West, uma cidade praiana charmosa a 150 milhas de Cuba.

Lá na Europa gostava de várias cidades, Lisboa, Paris, Roma, Mainz, Zurich eram as minhas preferidas. Em todas elas os hotéis eram ótimos, as opções de jantar eram fantásticas.

Em Lisboa o tradicional bacalhau à Zé do Pipo era o meu preferido, além dos doces tradicionais, todos deliciosos. Me sentia em casa em Lisboa.

Paris, em todos os sentidos, era o melhor pernoite da Europa para mim. O metrô, os bistrôs com cadeiras na calçada, os monumentos e o charme inconfundível da cidade de luz.

Em Roma eu voltava no tempo, ia sempre no centro histórico e me imaginava um cidadão do império romano. Os jantares em Roma eram sempre inesquecíveis, íamos em bando ao Santi, na nova Stella, saborear a deliciosa comida italiana.

Várias vezes fui a Veneza, sem dúvida alguma a cidade mais bonita do mundo, meu bisavô Martini Parizio, veio de lá para o Brasil e chegou aqui em 27 de setembro de 1894 com sua esposa e três filhos pequenos, a bordo do vapor Solferino.

Em todos os lugares os bate-papo nos lobbys eram tradicionais, as inesquecíveis piadas do Piló, as lembranças da família. Eu, por exemplo, tinha sempre saudades de casa e dos filhos.

Quando estava no quarto, passava meu tempo estudando idioma com as velhas fita cassete, graças a esse hábito saudável melhorei bastante o francês, inglês e o alemão, porém sem fluência.

A VARIG era uma empresa maravilhosa em todos os sentidos, a preocupação de sua diretoria com as questões sociais era admirável, nunca senti meu emprego ameaçado, tinha a certeza absoluta de que minha aposentadoria estava garantida e assim sucedeu.

Apenas não contava com as incertezas que temos até hoje, que começaram em 2006.

Espero que tudo se resolva para nós e, principalmente, para os que tiveram menos sorte, que até hoje sofrem sem receber seus direitos e o Aerus.

E doloroso saber que pessoas que participaram do nosso cotidiano estejam nessa situação.


Passou por algum perrengue na sua vida profissional?
Passei por algumas emergências no começo da minha carreira, quase sempre no 707, principalmente no VJA, todas por pane hidráulica, mas nada que me desse medo.

Nos aviões widebody nenhuma!

A única que me assustou foi no 727 VLG, um voo GIG/POA, com escala em CGH. No trecho GIG/CGH, tivemos fumaça na cabine de comando, e a coisa foi meio assustadora. Na aviação o maior perigo é o fogo, pois dizem que onde há fumaça há fogo.

Nesse voo estávamos full pax e a bordo estava o time do Internacional de Porto Alegre, na época o melhor do Brasil. Além de atores famosos como Marília Pera, no auge de sua carreira, acompanhada do seu então marido Nelson Motta, hoje colunista do Globo. Ou seja, todos os ingredientes necessários para uma catástrofe. Felizmente tudo não passou de um baita susto.

Lembro que me agarrei a uma oração escrita pela minha mãe, que eu guardava no bolso da minha camisa do uniforme. Essa oração me acompanhou durante meus vinte e oito anos de voo.

Você acredita em Deus?
Converso diariamente com Deus. Ele já esteve ao meu lado em vários momentos da minha vida, e não foram só nos momentos difíceis, por várias vezes ele esteve comigo, contemplando belas paisagens construídas por ele próprio.

Meu pai era um conselheiro maravilhoso, e sempre citava Deus em tudo.

Ele acreditava piamente na vida eterna, falava sempre que nós jamais morreremos, apenas mudaremos de lugar.

Ele afirmava que a certeza plena jamais teremos, pois ninguém voltará para contar, isso faz parte dos mistérios insondáveis de Deus, os quais a ciência luta para decifrar, mas sem conseguir desvendar.

Em tudo vejo a presença de Deus, principalmente na natureza onde todos têm a sua função e sua importância.

Todos nós somos um verdadeiro milagre, cuja semente é microscópica, impossível de ser vista a olho nu para nos transformarmos nessa máquina maravilhosa, chamada corpo humano!

Anteriormente você afirmou já fui de esquerda, “hoje sou totalmente contra ela, talvez definitivamente”. O que falta para apagar o “talvez”?
O talvez foi um engano, assim como a esquerda, não tem mais volta pro lado errado.

Você votou nas últimas eleições presidenciais?
Eu voto em Valinhos no interior de São Paulo. Nas últimas eleições votei no Bolsonaro para presidente, mas infelizmente no Doria para governador.

Estou muito satisfeito com o governo do Bolsonaro, e caso ele concorra em 2022 voto nele novamente.

Bolsonaro destruiu uma prática usada pelos políticos há muitos anos, eles se tornaram representantes comerciais de grandes conglomerados.

Bolsonaro convidou esses grandes conglomerados a se dirigirem direto aos ministérios, para que pudessem fazer suas solicitações sem intermediários.

Essa medida barateou os custos do governo e dos empresários, e acabou com a corrupção.

Montou um ministério técnico, composto por gente honesta e competente.

Enquanto isso, o lado do mal, não tem ninguém que os represente em 2022, a não ser os mesmos medíocres de sempre.

Por que ‘infelizmente no Doria’?
Nunca gostei do Dória, talvez na época fosse o menos ruim, pois o outro era aliado da esquerda.

Como avaliou o pronunciamento do presidente Bolsonaro na noite de 31 de março?
O Bolsonaro segue muitos os passos do Trump, me parece que o presidente americano deu uma guinada e passou a ser mais prudente.

Porém, existem duas grandes diferenças, nos Estados Unidos essa pandemia não está sendo explorada politicamente, o outro fator é que os Estados Unidos são a maior potência do mundo, em todos os sentidos.

O interessante no pronunciamento do Bolsonaro foi que ele não atacou ninguém, procurou enumerar as várias medidas que o governo já tomou, para diminuir o infortúnio dos mais necessitados.

Gosto muito do Bolsonaro como pessoa, me identifico muito com ele, mas está na hora dele parar com aquelas entrevistas infrutíferas, na porta do palácio do Planalto.

Isso só é bom para os jornalistas, que gravam a fala dele e editam da maneira que querem.

Bolsonaro, como todo mundo tem defeitos, mas é sincero e honesto, isso é fundamental.

Numa resposta anterior você recordou dois colegas pelas suas alcunhas (John Wayne e Ganso). Lembrei de outros apelidos (uns mais depreciativos do que outros): boca de sapo, pássaro preto, palmeira triste, cara de cachorro em porta de açougue, papagaio em areia quente etc.
Não me consta que esses apelidados posassem de vítimas ou quisessem sair na porrada... tempos bons e alegres! Que não voltarão porque proibido pelo ‘politicamente correto’. O que lhe parece?
Eu não sei de onde surgiu o politicamente correto, talvez tenha sido pela fragilidade do ser humano, somado ao oportunismo de advogados inescrupulosos, e a demagogia de políticos oportunistas, que criaram leis que nos aprisionam.

Em quase tudo tem sempre dois advogados para se darem bem, o que acusa e o que defende, os dois saem sempre ganhando.

Em relação aos apelidos da VARIG, acho isso o maior barato, eu mesmo era chamado de Dumbo, por causa das orelhas. 😊😊

O nosso inesquecível colega Da Rosa tinha um talento incrível para colocar apelido nos outros. Quase todos esses que você citou foram criação do Da Rosa.

O interessante é que ninguém se incomodava com isso, as pessoas, inclusive, não eram mais chamadas pelo nome, mas pelo apelido.

O ex-presidente da Acvar nosso inesquecível Maurício Leal, era o boca de sapo, o outro presidente, De Souza, era o pássaro preto.

O dedo de cobra (Faustino) era de uma sabedoria incrível, aprendida nos bancos da escola da vida, tinha sempre uma resposta pronta para tudo que você perguntasse.

Tive grandes mestres na VARIG vou enumerar alguns: Manoel Barbosa, Everaldo Moura, Joffer, o pássaro, o boca de sapo, dedo de cobra. Com todos eles aprendi alguma coisa, que me foram de muita utilidade.

Meu pai inclusive afirmava que a VARIG ajudou muito na minha educação pessoal.

Quando parou de voar?
O meu último voo na Varig foi para Londres, no dia 22 de abril de 2001, retornei ao Rio no dia 27, quando encerrei a minha carreira de comissário de bordo.

Não comentei com ninguém da tripulação, pois não gosto muito de despedidas.

Minha família me acompanhou no voo, esposa e os dois filhos.

Meu primeiro dia como aposentado foi 1º de maio de 2001, por coincidência era o dia do trabalho, logo eu que nunca gostei muito de trabalhar.

Mas apesar disso sempre fiz o meu melhor, mas o fazia porque não trabalhar é muito pior.

Acho até estranho as pessoas dizerem que amam trabalhar, pois para mim o gostoso da vida é sentar, bater papo, tomar uma boa cerveja ou um bom vinho, mas para que isso aconteça é necessário dinheiro, que só vem através do trabalho.

Recebeu todas as promissórias?
Felizmente consegui receber todas as 39 promissórias, e a façanha de guardar todas elas, dadas como garantia na compra de um apartamento no Recreio dos Bandeirantes.

Durante 39 meses todo o dia 5, eu comparecia à pagadoria da Varig, para receber o cheque, aproveitava saboreava a deliciosa refeição do sai duro, colocava os  assuntos de aviação em dia, com os meus amigos que continuavam na ativa, e de lá me dirigia ao escritório da construtora ,localizado no centro da cidade, para quitar a prestação do mês

Por que a RG colapsou?
Com relação ao colapso da Varig acho que o fator fundamental foi a mediocridade de pessoas que, no final, fizeram parte de suas diretorias.

Também a canalhice da política do governo PT foi fator preponderante para dar o golpe final, e destruir completamente a vida de quase vinte mil funcionários.

Se cada trabalhador significa o sustento de quatro pessoas, a falência da Varig pode ser comparada à destruição de uma cidade de oitenta mil pessoas.

Uma pergunta (ou perguntas) que não foi feita?
Após me aposentar, continuei trabalhando como representante comercial de uma fábrica de calçados e bolsas de Franca, cidade do interior de São Paulo, no comércio do Rio de Janeiro.

Durante cinco anos construí uma carteira de clientes ampla, que incluía as principais redes de calçados da cidade.

O ano de 2006 foi inesquecível para mim, porém para o lado ruim. Em janeiro a fábrica entrou em falência, e a partir de maio começou a crise no Aerus.

Passei a procurar outra fábrica para trabalhar, porém sem sucesso, resolvi montar uma fábrica de bolsas, pois o Rio de Janeiro tem mão de obra especializada.

Aluguei um galpão em Duque de Caxias e de 2006 até 2014, fui conhecer o outro lado da relação trabalhista.

Sem dúvida alguma ser patrão é muito pior e mais desgastante do que ser empregado.

Você já começa o mês devendo o seu custo fixo, que são salários dos seus funcionários, aluguel de galpão e os custos de FGTS e impostos federais e estaduais.

Em resumo, foram oito anos de extremas dificuldades. Em março de 2014 consegui fechar a fábrica sem dar prejuízo a ninguém.

Com a retomada do pagamento de nossa tutela no Aerus, fiquei parado um tempo. De 2016 até 2018, trabalhei no aplicativo Uber, foi uma experiência interessante, divertida e prazerosa, porém, sem resultado financeiro nenhum.

Estou há dois anos sem exercer qualquer atividade, confesso que não trabalhar não me faz falta nenhuma, me ocupo com tarefas de casa, e passei a curtir cozinhar, fiz até um curso sobre a culinária italiana e do Mediterrâneo.

A derradeira mensagem:
Gostaria de agradecer ao meu amigo Jim Pereira, pela oportunidade de poder contar um pouco da história da minha vida para os leitores do Cão que fuma.

O cão que fuma é uma revista política de centro direita, de espaço livre e democrático e que deve ser prestigiada pelos seus leitores.

Pois nós que temos pensamento cristão e de direita, devemos lutar contra esse mal do mundo atual, chamado comunismo moderno, que é extremamente organizado e com grande poder econômico. 

Precisamos nos organizar para impedir que essa nefasta ideologia, utilizando a democracia como meio a democracia consiga dominar o mundo.

Obrigado, Jeronimo!

9 comentários:

  1. Caro Joel, sempre “Politicamente Correto” , como sempre fostes! Mas és uma Pessoa do Bem . Saúde e Paz ! Um abraço!

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    1. Não sou mais politicamente correto, sou de direita o Bolsonaro ajudou a nós livrarmos dessa prisão.

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  2. Joel, só mais uma coisa: Já te Associastes à Aprus? É importante, com débito automático no Aerus por um valor irrisório. Vejam a Petição juntada ao Processo da ACP hoje ! Abs aos Associados!

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  3. Que história de vida maravilhosa. Parabéns, Joel.

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  4. Obrigado Idacil fui sempre sincero.

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  5. Obrigado, Jeronimo por responder aos comentários.

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    1. Foi um prazer meu amigo espero em breve me encontrar contigo aí em Lisboa.
      Feliz Páscoa!

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