terça-feira, 21 de abril de 2020

A casa pegando fogo e Bruxelas assobia para o lado

Em plena crise sanitária, a União Europeia decidiu acelerar o processo de adesão da Albânia e da Macedônia do Norte. Uma ordem de prioridades reveladora do fanatismo ideológico dos dirigentes europeus

Jordan Bardella

Bastaram poucos dias para que a divisa europeia “Unida na diversidade” se espatifasse de novo contra o muro da realidade. Nesta segunda-feira (30 de março), foi um avião cargueiro russo, transportando dez milhões de máscaras cirúrgicas fabricadas na China, que aterrou no aeroporto Paris-Vatry, no Marne.


Alguns dias antes foi a vez da Itália implorar à China de a reabastecer de máscaras e equipamentos médicos. Mas para aonde foi a União Europeia? Uma Europa “covarde”, “feia”, “morta”: o veredito da imprensa italiana é unânime e sem apelo.

Porque enquanto a Europa chora a cada noite as centenas de novas mortes, as suas instituições têm a cabeça em outro lugar.

Nos dias 21 e 22 de março, depois de ter recebido sinal verde de Emmanuel Macron e seus homólogos, a União Europeia decidiu acelerar o processo de adesão da Albânia e da Macedônia do Norte, em plena crise sanitária!

Eu não penso que o que está acontecendo [sobre o coronavírus] seja de natureza a modificar a decisão dos Estados-membros”, se gabava o chefe da diplomacia europeia, Joseph Borrell. Até onde vai a obsessão...

Sem dúvida ele estava impaciente para fazer esquecer a humilhação recente da União, fraca e incrivelmente dócil, depois da agressão à fronteira grega pelo neosultão Erdogan, e o abandono ao relento da Grécia submersa e sozinha para defender as portas da Europa.

Esta ordem de prioridades é reveladora do fanatismo ideológico dos dirigentes europeus, incapazes de colocar limites numa organização que eles desejam desarraigada, “aberta” e altruísta.

Longe de nos fortalecer, a União Europeia nos torna vulneráveis. Vulneráveis a todos os maus ventos da mundialização que desmantelam qualquer forma de proteção, que deslocalizam setores estratégicos – dos quais 90% da nossa produção de medicamentos.

Vulneráveis por constrangimentos orçamentários arcaicos que obrigam os Estados a cortar na carne serviços públicos essenciais como a saúde pública, assim como a liquidar os estoques de máscaras em tecido para economizar alguns cêntimos.

Olhando para o lado, a União Europeia se transformou em desertora. Minimizando uma crise sanitária que o bom senso popular pressentia grave e iminente – clamando aos estados de fechar as fronteiras para se proteger –, a União é responsável por não assistir povos em perigo.

Enquanto Bruxelas olha para a Albânia e a Macedônia do Norte, as populações europeias, elas, se voltam para as suas pátrias.

Não é o “Hino à Alegria” (hino da UE desde 1985, NdT), mas o seu hino nacional que entoam, das suas janelas, os italianos em estado de resiliência popular.

Não é à tecnocracia de Bruxelas que que agradecem e aclamam toda a noite, em França, em Espanha ou em Portugal, mas à armada de batas brancas que combate ferozmente este inimigo invisível.
Título e Texto: Jordan Bardella, vice-presidente do partido “Rassemblement national”, Valeurs Actuelles, nº 4249, de 2 a 8 de abril 2020
Tradução: JP, 21-4-2020

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Um comentário:

  1. Meu simpático amigo e amante de cães como eu (Dirnei Guedes):
    Sabe?, o “Brexit” lembra a eleição de Donald Trump e Jair Bolsonaro.

    Explico: quando as “pessoas boas” vencem as eleições, é o percurso normal e desejável, a democracia “venceu”. Quando as “pessoas más” vencem as eleições, estas são imediatamente rotuladas de populistas, fascistas, “istas” e “aquilas”.

    Quando o resultado do referendo sai como prevê a “elite”, tudo bem! Festa da democracia! Povo é lindo!

    Todavia, se o resultado não é o esperado, bora insultar os vencedores e os eleitores! Então, recomeça o desfilar de rótulos: populistas, fascistas, “istas” e “aquilas”.

    Não se combate essa tropa com ingenuidade.
    Abraço de saudades./-

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