Milhares de crianças entre 3 e
12 anos, residentes nas fazendas dos poderosos, jamais seguraram um lápis para
desenhar seus sonhos e jamais chutaram uma bola de borracha ou acariciaram uma
boneca de trapo. Simplesmente são escravizadas durante doze ou quatorze horas
por dia na colheita, nas estrebarias ou nos fornos das olarias em troca de
alguma ração que abrigam vermes hostis aos seus frágeis organismos. Nenhuma
autoridade de algum Juizado de Menores se comove no sentido de lhes oferecer a
oportunidade de ser criança. Quando muito, caso alguma TV exiba tais
atrocidades no horário nobre, se compromete a estudar alguma ação paliativa ou
cobrar verbas retidas (desviadas, melhor dizendo) destinadas ao processo de
combate a este genocídio tolerado.
Outros milhares vagam pelas
ruas sem futuro, praticando furtos, conduzindo drogas ou se preparando para
crimes com armas mortíferas. Nenhuma autoridade de algum Juizado de Menores se
esforça para combater este caos social e fechar esta fábrica natural de futuros
revoltados. Nem fiscalizam as várias ONGs que recebem verbas em função desta
aberração e que não pretendem resolver os problemas em definitivo, pois isto
acabaria com sua fonte de renda.
Também não há fiscalização
adequada nos bailes noturnos em recintos prestes a pegar fogo onde os
adolescentes consomem drogas e bebidas sem receio. Pela madrugada, já fora de
sintonia, saem dirigindo sem cuidado, colocando várias vidas em perigo com seus
carros incrementados e suas carteiras irregulares. Isto, quando estão "calmos".
E quanto às crianças que são exploradas nas esquinas das principais ruas
vendendo balas e outros artefatos? Inclusive o próprio corpo.
Esta atitude de proteger os
reais necessitados e desamparados, apesar de ser uma obrigação da autoridade
competente aguardada pela sociedade, não dá propaganda na mídia. Assim como
obras subterrâneas para amenizar problemas potenciais dentro de dez anos. Para
se projetar sob os holofotes da TV ou obter alguma vantagem, é preciso criar um
caso de repercussão, que incomode a quem está de alguma forma, longe deste
ambiente de miséria descrito acima. É mais fácil "fiscalizar" em
cheirosos camarins de TV para ver se tem algum menor (mesmo autorizado pelos
pais) trabalhando ou se há algumas meninas desfilando nas passarelas da moda
sem carteira de estudante (quando a possuem, algumas empresas de ônibus não
permitem que usem o veículo gratuitamente, pois não há fiscalização ou
legislação que intimidem os tubarões dos transportes). Se este fato fosse
socialmente ruim, alguns espertos já teriam criado ONGs para "salvar"
estes menores.
Melhor transitar pelos
cenários limpos e iluminados dos camarins e passarelas do que sair num veículo
sucateado durante as noites frias para dar apoio às crianças que dormem sob
marquises e viadutos, pelas esquinas da vida e que estão se preparando para o
mundo da miséria e do crime, onde a matéria “esperança” não é ministrada por
falta de orientadores.
Título e Texto: Haroldo P. Barboza – Autor do livro:
Brinque e cresça feliz. 9-10-2018
Anteriores:
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Não publicamos comentários de anônimos/desconhecidos.
Por favor, se optar por "Anônimo", escreva o seu nome no final do comentário.
Não use CAIXA ALTA, (Não grite!), isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente. Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-