sexta-feira, 27 de março de 2020

[Aparecido rasga o verbo] Por todas essas criaturas de um dia

Aparecido Raimundo de Souza

SENHORAS E SENHORES, O NOSSO tema de hoje é sobre uma coisinha simples e insignificante, mas que, infelizmente, falta na maioria das pessoas (notadamente no coração), apesar delas se mostrarem conscientes quanto a sua real e verdadeira aplicação na praticidade do dia a dia.

Aproveitando estes ásperos momentos, em que o mundo inteiro se debruça, estarrecido, sobre as garras fulminantes de um vírus letal, e, até agora incontrolável, o coronavírus, ou Covid-19, nada melhor  que aproveitarmos a ocasião tão propícia para discorrermos sobre a  ‘SOLIDARIEDADE’ e a ‘CARIDADE’.

A primeira foi, há tempos passados, contemplada pelo brilhante pensamento de Thomas Fulher, escritor inglês que viveu de 1608 a 1661. Ele asseverava que “a solidariedade deveria começar em casa e deixou isso bastante sedimentado em seu livro ‘Monsieur Ambivalence: A Post Literate Fable’ - mas que não deveria terminar lá”’.

Falando na mesma linguagem de Fuller, o francês Jean Baptiste Massilon aumentou a sua extensão, acrescentando que “a porta entre nós e o céu não poderia ser aberta enquanto estivesse fechada a que fica entre nós e o próximo”. Entendam, amados, que as pessoas confundem, talvez por burrice, ou falta de conhecimento (o que dá no mesmo), SOLIDARIEDADE com CARIDADE.

Devemos observar, que ambas caminham juntas, lado a lado, de mãos dadas. Todavia, existe uma distância abissal entre elas. Além de patentearem posições diferentes, embora interligadas entre si, vejam que loucura, não obstante estarem unidas como se fossem irmãs siamesas, diferem, dando a entender, uma outra conotação semântica completamente oposta.

Neste diapasão, solidariedade é quando entre nós e eles, não existe, ou seja, quando há apenas o nós. Vejamos, agora, por segundo, a Caridade. Esta, por seu turno, como bem lecionava o humorista Jaume Perich, era e continua sendo, até hoje, “a única virtude que, para se fazer genuína e inquestionável, precisará que prevaleça sempre, aconteça o que acontecer, a injustiça”.

Uma pequena parcela da sociedade, leva, a efeito, a solidariedade (ou o que ela acha ser solidariedade). Contudo, não a enuncia de modo sério, como deveria. Neste rodar dos trezentos e sessenta graus do carrossel, onde os cavalos continuam sendo os mesmos, ofertar esmolas dentro dos coletivos, ou comprar qualquer bugiganga de um vendedor que entra pela porta do meio, não deixará de ser um ato de solidariedade.

Esta postura se tornará vaga e divorciada de qualquer respingo do bom e mavioso sentimento da reciprocidade plena. Como assim? Vamos tentar explicar. As pessoas, às vezes, se prestam a propiciarem “agrados” por meros descargos de consciências, levadas, pelos escrúpulos de acharem que, podendo ajudar, não deixariam passar batidos pequenos gestos humanitários.

Solidariedade, sabemos de cor e salteado, vai um pouco adiante. Se faz pujante na animação e na simpatia interior, deixando fluir, um sorriso franco no rosto. E também engendramos entender que não há prazer em possuir algo e não compartilharmos com quem necessita. Caridade é “um exercício espiritual diário”. 

No pensar de Chico Xavier, que completou a sua teoria observando, com seu eterno sorriso brando, e a voz quase apagada: “quem pratica o bem, coloca em movimento as forças da alma. Quando os espíritos nos recomendam, com insistência, o declínio da caridade, eles estão nos orientandos no sentido de nossa própria evolução; não se trata apenas de uma indicação ética, mas de profundo significado filosófico”.

Dias atrás, recebemos em nosso WhatsApp, a mensagem de uma participante de um grupo de amizades de repórteres e jornalistas, do qual fazemos parte, dando conta de que uma senhora de sessenta e seis anos, acometida pelos sintomas do Covi-19, precisou ser internada às pressas. Do trabalho, a senhorinha seguiu direto para o isolamento.

Mãe de várias filhas, todas casadas, nenhuma delas (depois do caso ter vindo à tona), apareceu na empresa que ela trabalhava, para saber para onde a matriarca se internara, e a quantas andavam o seu quadro clínico. Os patrões, mesmo caminho, sequer deram um telefonema para tomarem conhecimento do estado de sua funcionária; se as filhas e maridos precisavam de alguma coisa; tipo algum dinheiro; uma ajuda básica para enfrentarem os percalços vindouros...

Pasmem, senhoras e senhores. Uma palavra de carinho e conforto, ao menos isso, não veio à tona. A esse quadro poderíamos dar o nome, por parte dos patrões, de profunda falta de solidariedade, e, pelos familiares, maridos, sogras e vizinhos, de completo estado de abandono, ou pior: da falta de caridade.

Afinal de contas, sessenta e seis anos... Estranha ao nosso convívio, procuramos saber de seu paradeiro, levando um pouco de conforto às filhas, as crianças (netos da senhora), e a própria doente, ainda agora em quarentena. Com esta pequena iniciativa, a solidariedade e a caridade se fizeram benéficas e agregadas, num objetivo ímpar e sem pretensões de benesses futuras.

Não nos fizemos ausentes, nem viramos nossos olhos para uma responsabilidade que poderia ter sido menor, não fosse o desrespeito, ou a falta de solidariedade, que as criaturas não cultuam, por seus coirmãos, ainda que em suas veias não corra o mesmo insumo que nos mantém vivos.

Nós, senhoras e senhores, não devemos ter prazer em possuir algo que não possamos compartilhar com nossos semelhantes. Se faz mister termos em mente as sábias palavras do sacerdote Salvadorenho Óscar Romero (quarto arcebispo metropolitano de San Salvador, capital de El Salvador, já falecido). “Nós, que temos voz, devemos falar pelos que não têm”.

Solidariedade, pois, acima de qualquer coisa. Caridade sempre. Fazermos o bem sem olharmos a quem. Essa é a pequena e minúscula partícula da solidariedade e, de roldão, igualmente, da caridade, interligadas no mesmo amplexo. Em outras palavras, este deve ser o nosso ponto de partida positivista, nosso lema: quanto mais compartilharmos a solidariedade, mais teremos, ao nosso alcance, a caridade. E vice-versa. Afinal de contas, nenhum de nós, por mais dinheiro e posição que tenhamos, nunca seremos uma ilha.
Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, de Vila Velha, Espírito Santo, 27-3-2020

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3 comentários:

  1. Nesse texto nos faz ver quanto somos egoístas,e que nos falta empatia e que falta de amor p doar... Não se trata do financeiro uma palavra amor solidarieda que seja um sorriso já dá p começar por aí ..

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  2. Comentando sobre “Por todas essas criaturas de um dia”, texto de Aparecido, eu diria, sem medo de estar cometendo injustiça, que as pessoas só nos procuram, só ficam no nosso pé, quando precisam de nós, quando estão com a corda em volta do pescoço. Ai elas se achegam, se fazem de boazinhas, se abrem como malas velhas. São capazes de venderem até as dentaduras. Conheço um bando de mal amados, de hipócritas, de vagabundos, que sequer têm a coragem de pegar um telefone para perguntar se a pessoa está viva, ou se carece de alguma coisa. Nesses tempos de pandemia coronavirana, 19 (se hoje temos a 19, em tempos passados, certamente, nossos tios e tias, avós e tataravós devem ter sofrido o diabo, com a COVID 18, 17, 16, 15, 14...), levando em conta que só mudaram o número e a China, por seu turno, cuidou unicamente de dar uma de Santos Dumont, com seu 14 Bis. Claro, o mineiro de Santos Domont, sua cidade natal, tentou com o 13, com o 12, com o 11, com o 10... Solidariedade, hoje em dia, é como encontrar o Roberto Carlos de bermuda, genro com retrato da sogra na carteira, ou pior que tudo isso, moça virgem. Caridade então, meu Pai Eterno, nem que se procure com vela de sete dias. Mais fácil toparmos com santo de óculos, enterro de anão, papel higiênico em banheiro público, ou japonesa vesga dos ouvidos. Solidariedade virou moeda de troca, assim como a caridade. Aliás, caridade em dias de hoje, kikikiki, é a virtude predileta dos nossos políticos, assim como a solidariedade. A verdadeira solidariedade mora em Brasília, de onde, não devemos esperar nada em troca.
    Carina Bratt
    Ca
    De Vila Velha no Espírito Santo.

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  3. Muito coerente falar da caridade.
    Tenho 69 e não saio de casa para fazer caridade.
    Fico pensando quem quer fazer caridade e pegar o vírus.
    Caridade é voltar a trabalhar para que os insumos voltem a mesa.
    Tem uma lei que empresas fechadas por prefeitos e governadores, vão cobrar no STF seus débitos, inclusive trabalhistas.
    Segundo o cientista francês que descobriu o tratamento por quinino, o grande entrave é a OMS e as agências de saúde estatais.
    Quinino não faz mal.
    Nas décadas de 70 e 80 todo tripulante tomava 4 comprimidos de 500mg de quinino antes de pousar na África.
    Hoje na mídia dizendo que o país não tem malária.
    Só na região norte temos mais de 200 mil com malária.
    Sul e sudeste não tem porque aqui não existe o mosquito Anopheles.
    Os franceses foram dizimados no Panamá pela febre amarela.
    Apesentado do funcionalismo público é que deveria fazer caridade.
    Apesar de Karina ter feito alguns sofismas, aparentemente anti Bolsonaro nas entrelinhas e à favor da mídia PIRATA.
    Teimo em dizer que o terror e o medo matam mais que qualquer vírus.
    Carreguei o retrato da sogra na carteira até seu falecimento.
    Sem cantar marra conheci várias cabaçudas.
    Hoje a gurizada tira muito cabaço, elas trocam de parceiro por que guri tem ejaculação precoce.
    So para manter o pique tive uma parente que ficou grávida virgem, o famoso gozar na portinha também engravida. Não sei qual é pior na pobreza e fome no mundo, se o óvulo ou o espermatozoide. 21000 pessoa morrem de fome no mundo por dia, uma a cada 4 segundos.
    Nascem 211000 por dia no mundo, 3 nascimentos por segundo, as mortes por dia no mundo aproximadamente 100 mil.
    Não me arrependo de não possuir celular, assim só vejo merdas no Facebook, com amigos seletos é pouca.

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