terça-feira, 4 de agosto de 2020

[Aparecido rasga o verbo] Parece incrível, mas existe o lado positivo da pandemia da Covid-19. Bastaria que todos olhassem para a mesma direção

Aparecido Raimundo de Souza

SE OS NOSSOS ILUSTRES e poderosos representantes de Brasília tivessem vergonha na cara, brio, senso prático, visão, sobretudo visão, visão de futuro, visão de amanhã, mesmo lado da moeda, se tivessem noção de como fazer para melhorar o país, tirá-lo da merda, da forca, do buraco negro em que se encontra, certamente veriam, como alguns brasileiros com “B” maiúsculo, enxergam a pandemia da Covid-19, que ora nos assola, com bons olhos, relevância acima de qualquer suspeita e perspicacidade inefável.

Alto lá! Com bons olhos, seria o mesmo que alimentar um sonho inexistente e prestigiar a esperança de uma espécie de urbanidade refinada? Por certo, que sim! Perguntarão os senhores atarantados e incrédulos: como os nossos eternos ratos de esgoto, os nossos perpétuos filhos da puta que estão no PODER vislumbrariam, dentro de uma tragédia nacional anunciada, dentro de algo infame que nos está dizimando... Como os salafrários veriam algo com olhos proeminentes, ou seja, com elevado carinho e benevolência, ou com apurado agrado e  amabilidade?

Pode isto, Arnaldo? Sim! E é simples! A pandemia, caríssimos, veio para mostrar, de forma clara e concisa, não só a nós, os fodidos, os pobretões e os pés-rapados da raia muida, o seu lado funesto e aterrador, mas notadamente a todos aqueles seres humanos dígnos e leais que alimentam, em seus corações, o espírito elevado da prática do bem em prol da humanidade, ou a banda prodigiosa que têm o ânimo vigoroso no sentido de perceber o lado agradável e sociável das coisas, principalmente dos amiudados que estão ou que ficaram fora dos conformes.

Vamos dar alguns exemplos práticos e os senhores haverão de concordar. Raciocinem. Pensem. Se houvesse boa vontade, lisura, decoro, consciência, honradez, integridade, por parte daqueles que fazem da capital do país uma capital de merda, uma cidade que vive enlameada em seu próprio excremento... Se no galinheiro os galos e as galinhas se unissem num só propósito, bem ainda, ao lado, no chiqueiro, os porcos e os suinos objetivassem um caminho decente e  garboso, tenham certeza, tiraríamos o Brasil do sumudouro por onde se escoa numa morte de passagem lenta, e o faríamos, de uma vez por todas, sair dos braços frios da UTI em que se subjugou derreado, sem o oxigênio necessário para continuar vivo e respirando.

Não há aqui nenhuma mágica no melhor estilo de David Copperfield. O truque está no que a Covid-19 vem nos legando e pasmem —, vamos repetir para deixar bem sintetizado —, vem nos transferindo de util e de aproveitável. Sobretudo, de aproveitável. Com a chegada da Covid-19, passamos a usar máscaras, o que antes se fazia exclusividade só dos palhaços e bandidos. Os manda-chuvas do Epicentro, com a nova  personagem vinda dos cafundós da China, a Covid-19, nos prenderam em casa em nome e uma outra doença-paralela, a qual arranjaram um nome bonito e agradável de se pronunciar: ISOLAMENTO SOCIAL, OU DISTANCIAMENTO SOCIAL. Grosso modo, RECLUSÃO FAMILIAR em face de um estado de saúde considerado emergentemente incerto e desconhecido.

Ato contínuo, por ordens expressas dos deuses do Olimpo e os almofadinhas do Osujo, fomos proibidos dos passeios pelas ruas, de irmos aos supermercados, de tomarmos café nas padarias. Nos tiraram até o direito da frequência aos calçadões e das praias. Nos  desautorizaram, em idêntico esquema, sem mais nem menos, de nos reunirmos com os amigos em barzinhos, restaurantes, bem ainda nos impediram de circularmos LIVREMENTE dentro de uma, entre aspas, “liberdade fajuta, na verdade, uma independência mal parida que nunca se mostrou real e justa”.

Na mesma paulada em nossas moleiras, fecharam os comércios, os salões, as pizzarias, os botequins, os shoppings, as praças de alimentações. Uma caralhada de empresas lacrou as portas, outras tantas ainda persistiram com um número reduzido de funcionários, todavia, dias depois, saíram definitivamente de cena. No geral, os pequenos empresários que ainda tentaram levar o barco à frente, vivem, hoje, aos peidos, aliás, nem aos bufos, menos ainda desfrutam do cheiro acre que deles restou como lembranças. O povo, como sempre, tomou no cu com todas as letras.

Não, senhoras e senhores. Desta feita, o povo não tomou na tarraqueta. Ele conseguiu livrar a bundinha magra da fatídica espetada da agulha perturbadora. A porra do governo, ou melhor, os nossos ladrões de colarinhos brancos, os nossos veados e as nossas quengas das mais altas esferas, usque os nossos deputados, os nossos senadores, enfim, generalizando, todos esses cânceres malígnos que mamam em nossos colhões, a bem do que é certo, nos fizeram um favor. Favor? Que favor?! O de nos mandar e de nos manter  enfurnados em nossas casas. Todo mundo, hoje,  se vira nos trinta, dando uma de Faustão, seja aquartelado, seja encafuado em seu respectivo quadrado.

De repente, esses famigerados do Poder,  se igualaram a nós. Percebam, amadas e amados. Todo o enorme amontoado de sujidades, de restos de imundícies que mantemos no imenso Avião pousado (Brasília), num estalar de dedos da Covid-19, se moldaram, se ajustaram, se harmonizaram às nossas necessidades mais prementes. Esses patifes se conciliaram aos nossos pés. Vieram literalmente cheirar, com seus narizes empinados, nossos fedorentos  e malcheirosos chulés. Entenderam onde queremos chegar, ou será preciso que façamos uma série de desenhos?

Procuraremos ser mais explícitos. Resumindo a canção: ministros, deputados, governadores, vereadores, presidentes disso, presidentes daquilo, médicos, generais, putas,  lésbicas, pretos e brancos, enfim, todas as camadas da sociedade, dos granfinos e dos intocáveis, reis e rainhas, lacraias e lombrigas como se irmanados num único bolo preparado às pressas, se CONTEMPORIZARAM,  SE APROPOSITARAM AO NOSSO MUNDINHO. Passamos a ficar no aconchego de nossos tetos, a trabalhar de dentro de nossas casas. Botaram, em prática, um tal do HOME OFFICE. Se a Covid-19 não pintasse no pedaço, o Home Office jamais afloraria com força total, ou com a pujança descomedida que estamos assistindo de camarote.

Levem em conta que os artistas famosos deixaram de fazer shows presenciais. Dos mais graúdos aos mais humildes, se viram na contingência de abandonarem os palcos. Com isto,  os estúdios das maiores emissoras de televisão mandaram seus apresentadores para os aconchegos e abraços de seus consanguíneos.  As platéias se agarraram  às moscas e baratas. Surgiu, vindo das coxias, um trocinho novo, igualmente desconhecido da plebe sofrida: a LIVE. Até antes da pandemia temos certeza absoluta, ninguém sabia que a tal da Live existia.  Levando em conta, obviamente,  toda a tecnologia existente.

No momento em que o país, de canto a canto, comemora quase 4.788.314 casos confirmados, 3.901.654 recuperados e 208 mil mortes, se dermos uma rápida de visu no panorama atual, observaremos  que houve um transformação gigantesca, entretanto, para melhor. Apesar de todos os infortúnios e estorvos, enfadamentos e amofinaçõee, que estamos enfrentando. Os senhores deverão se perguntar: onde foi que vimos a famosa luz no final do tunel escuro? Cadê o lado mavioso da coisa? Existe, de fato, o escape espetaculoso da doença, ou a rota de fuga desta flagelação molestosa e  generalizada que ora nos enoja e nos leva, sem piedade  para a cidade dos pés juntos nos deixou  sem alternativas?

Explicaremos sem mais delongas. TODO MUNDO EM CASA, ponto pacífico. Os  pobres, os ricos, os famosos, os não famosos, os poderosos e os não poderosos. Juízes despachando de suas salas assistindo as novelas da Globo, presos sendo ouvidos por vídeos conferências, sem precisarem sair dos presídios. Que coisa maravilhosa! Parece até filme de ficção científica. Será que voltamos, sem querer, ou propositalmente, ao Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, ou retrogradamos aos tempos do fabuloso Júlio Verne?!

Não importa isto agora. Apenas pasmem. Até nossos impolutos e confiáveis representantes, nossos miSinistros com suas fuças de babacas, todos em seus banheiros vomitando de suas privadas de alto luxo palavras bonitas, em despachos romanceados, longos e sem fim, pareceres e decisões monocráticas respingadas com galinhas e velas de sete dias, numa demonstração de sabedoria ultrapassada  e tino, perspicácia e conhecimento das leis criaram vida. Em paralelo, os deputa, os senadores, assombrem, senhoras e senhores, contemplem, todos escondidos debaixo das calcinhas e saias de suas patroas baixaram a cabeça, sairam de seus pedestais.

Este é, pois, o lado excelente da coisa. A ilharga imaculada da pandemia. A Covid-19 veio mostrar a nós, sem exceção, sem distinção de raça e credo, que podemos, do conforto de nossas cozinhas, dos refrigérios de nossas  varandas, das proteções de nossos palácios, dos consolos de nossas choupanas,  progredirmos de cabeças erguidas, nos agigantarmos para um mundo sem roubalheiras, sem a ganância de certos “cavaleiros e seus animais” carecerem se masturbarem nos órgãos sexuais dos oprimidos, dos entristecidos e amofinados. Quanto dinheiro, senhoras e senhores poderia ser usado para melhorar cem por cento a saúde, a educação, a segurança e outras enfermidades básicas que padecem de certa urgência?

Quanta grana gasta em vão sobraria para reconstruir os hospitais já existentes, edificar outros e outros e outros mais, para a população carente e sem porto seguro? De seus sofás retráteis, de suas camas redondas, os vagabundos do Poder não precisariam usar seus carros do ano, com motoristas particulares, tampouco dependerem de seguranças dependurados nas cuecas; profissionais armados até os dentes acoitados em meio de lingeries caríssimas. Em igual bote, as poposudas que se acham donas das cocadas pretas e outros doces que engordam, não precisariam se deslocarem para as suas pocilgas onde fingem exercer as suas funções  no senado, na câmara no STF, entre outros enxurdeiros e budegas que sabemos existirem apenas para engordarem as folhas de pagamentos da União.  

Não haveria necessidade de tantos assessores, de um punhado de gente ociosa trabalhando nos “gabinetes ou cabides de empregos”, chupando nas tetas do governo. Todos em casa, numa boa, pela Internet,  usando tão somente o milagre do ISOLAMENTO SOCIAL; se beneficiando das vídeos conferências... das lives... Imaginem senhoras e senhores. Façam as contas, quanta grana, quanto faz me rir, quanta bufunfa  poderia ser revertida para melhorar o país, a nação; dar melhores assistências aos desvalidos e desprotegidos da sorte!

Utopia? De forma alguma! Todos esses vermes que sentam seus rabos nos tronos do Poder não estão de quarentena usando os benfazejos trazidos com a revolução da modernidade? Não tem dado certo? Ou dito de forma mais precisa: não está trazendo resultados a olhos vistos? Pensem na logística de um preso considerado de “alta periculosidade” sendo “ouvido” em audiência na tranquilidade de sua cela? Com todo conforto, fumando um baseado ou cagando, sem precisar fazer a barba, tomar banho, pentear os cabelos, vestir um terno de corte antigo.

O Estado economizaria de várias maneiras diferentes, não precisando deslocar um monte de policiais tipos aqueles machões da S.W.A.T para servirem de babás de marmanjos. Evitaríamos surpresas desagradáveis nas rodovias, sem mencionarmos o fato de que não seria necessário uma dezena de agentes envolvidos.  Sequer vital uma carreata a se perder de vista, com viaturas fazendo um estardalhaço dos diabos, objetivando apresentar um facínora para uma troca de beijinhos com o capa preta. O capa preta, por seu turno,  estaria em casa, tomando cafezinho com a sua cara metade, coçando o saco... Jogando paciência com seus rebentos e o mais importante: TRABALHANDO.

Estes  são pequenos exemplos que trouxemos à baila, para demonstrarmos que a pandemia da Covid-19 nos fez ver o planeta e as coisas que nos cercam, por outra ótica. A mais importante delas, não que as demais não sejam, a  ótica voltada para a economia. Fecharíamos, de pronto,  as torneiras escancaradas dos gastos públicos, os chuveiros dos desmazelos desnecessários. Os numerários dos cofres públicos se avolumariam consideravelmente e poderiam trazer melhoras consideráveis para uma federação que, bem sabemos, trafega hoje, agora, neste momento, nos trilhos sem fim da imoralidade lasciva. Sem falarmos que, a passos largos, logo adiante, a nossa querida e amada terrinha Santa baterá com os costados às PORTAS DE TODAS AS FALÊNCIAS MORAIS EXISTENTES. 

Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, de Vila Velha, Espírito Santo, 4-7-2020

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