Faltam
poucos dias para a grande escolha
Quando estão em jogo poder, dinheiro e
vaidade, a temperatura sobe enquanto a compostura desce.
É a reta final de uma eleição.
Os discursos inflamam, as promessas se
multiplicam e certas consciências adquirem uma elasticidade admirável.
Começa o vale-tudo.
Nos comitês, estrategistas se debruçam
sobre pesquisas e mapas eleitorais que transformam cidadãos em percentuais.
Já não se procuram pessoas.
Procuram-se votos.
Cada indeciso vira uma oportunidade.
Cada eleitor vulnerável, um território a conquistar. Cada notícia, verdadeira
ou falsa, uma possível arma.
A inteligência artificial também
entrou em campanha.
Agora é possível fabricar imagens,
vozes e declarações capazes de enganar até os mais desconfiados.
O flagrante já não precisa acontecer.
Basta parecer que aconteceu.
E, quando a mentira é desmentida,
talvez já tenha cumprido sua missão.
Há também as promessas.
Ah, as promessas!
Na reta final, o dinheiro público
adquire propriedades milagrosas. Multiplica-se nos discursos e financia
soluções que ninguém encontrou durante anos.
A saúde será perfeita. A educação,
exemplar. A segurança, absoluta. A economia, próspera.
Tudo ao alcance de um voto.
Curiosamente, algumas dessas
maravilhas são anunciadas por quem já teve tempo, recursos e poder para
realizá-las, mas só agora descobriu como.
Há os que disputam o poder para
chegar.
E os que lutam desesperadamente para
não sair.
Estes costumam gritar mais alto.
A alternância de governo ameaça uma
confortável intimidade com o dinheiro público. Acostumaram-se às tetas do
Estado e confundem o orçamento nacional com patrimônio de família.
Já mamaram bastante.
A saciedade nunca foi uma virtude
cultivada nos corredores do poder.
Enquanto isso, nas redes sociais, a
verdade disputa uma corrida contra a mentira.
E quase sempre chega atrasada.
Uma frase fora de contexto vira
escândalo. Uma imagem manipulada, prova. Uma acusação sem fundamento encontra
defensores antes que alguém pergunte se aconteceu.
A indignação rende votos.
E o medo, quando bem administrado,
pode valer mais que um programa de governo.
Nos bastidores, estrategistas testam
palavras, escolhem inimigos e fabricam urgências.
O importante é vencer.
Depois se discute o resto.
Existe algo especialmente perverso
nesse espetáculo: a exploração da vulnerabilidade.
Quem enfrenta dificuldades ou teme
perder o pouco que possui torna-se alvo de promessas grandiosas e ameaças
cuidadosamente construídas.
A necessidade vira instrumento de
convencimento.
E a esperança, moeda eleitoral.
Disputar votos é da essência da
democracia.
O problema começa quando conquistá-los
se torna mais importante do que respeitar quem os deposita na urna.
Quando a mentira vira estratégia, a
manipulação vira inteligência e a falta de escrúpulos ganha o nome de
habilidade política.
A urna, entretanto, não distingue
ricos de pobres, poderosos de desconhecidos.
Recebe o voto de todos com a mesma
indiferença eletrônica.
Durante a campanha, alguns fazem de
tudo para conquistar o eleitor.
Depois da eleição, parecem fazer de
tudo para esquecê-lo.
Faltam poucos dias.
As promessas crescerão. As acusações
se multiplicarão. Os oportunistas procurarão suas últimas oportunidades.
Porque, quando o poder está em jogo,
há quem acredite que vale tudo.
Até perder a vergonha.
Mas a urna ainda oferece ao eleitor a
oportunidade de decidir segundo a própria consciência.
Mais importante do que acreditar em
promessas é conhecer o caráter de quem as faz.
Examinar sua trajetória, seus valores,
suas atitudes. Procurar coerência entre o que diz e o que pratica.
Afinal, não basta escolher alguém que
pense como nós.
É preciso saber se essa pessoa vive de
acordo com os valores que diz defender.
Porque, na política, há quem acredite
que vale tudo.
Vale mentir.
Vale prometer o que jamais pretende
cumprir.
Vale trocar a cor da camisa conforme a
conveniência.
Vale até transformar a dissonância
cognitiva em virtude eleitoral.
Só que não.
Na consciência de quem vota, nem tudo
vale.
Título, Imagem e Texto: Marcelo
Duarte Lins, Facebook,
17-10-2026, 15h49
O desrespeito à inteligência do (a) eleitor(a)
Ato na Paulista: 18 de outubro, 11h
Tiro no pé
Temos um estadista. Finalmente
16-10-2026: Oeste sem filtro – Lula diz que não sabia que o bolsa-família passou quase 4 anos sem reajuste + Marinho denuncia autoritarismo de Alcolumbre
Perguntas sem respostas por um século
O descanso e a urna

Agora virou moda? 🟢🟡🔴
ResponderExcluirDepois de anos pisando na nossa bandeira, dizendo que usar verde e amarelo era "coisa de fascista" e defendendo que a cor deles sempre foi e sempre será o vermelho, agora resolveram colocar a camisa do Brasil para fazer o "L" e colocar o número 13?
É a maior prova de hipocrisia que você vai ver hoje.
Querem usar o nosso maior símbolo nacional apenas como adereço de foto de campanha, enquanto no dia a dia desrespeitam tudo o que o patriotismo de verdade representa. A bandeira do Brasil pertence ao povo que se orgulha da sua pátria, não a quem só lembra dela quando precisa de voto.
A pergunta que fica é: a tinta vermelha acabou ou é só desespero mesmo? 🤡🇧🇷