Maria Helena Costa
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| O Jardim do Éden e a Queda do Homem. Jan Brueghel o Velho e Pieter Paul Rubens, 1615, Wikipedia |
Quando Deus criou o ser humano, disse:
“Façamos o homem à nossa
imagem, conforme a nossa semelhança.”
(Génesis 1:26)
Homem e mulher foram criados
para reflectir a imagem e o carácter de Deus. Imediatamente a seguir, Deus
ordena:
“Sede fecundos,
multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a.”
(Génesis 1:28)
Deus, fonte de toda a vida,
permite que criaturas feitas à Sua imagem participem da continuidade da vida,
da reprodução da vida. A fecundidade humana não é um acidente biológico; é um
mandado criacional.
Agora, compreende o grande
conflito. Satanás não é Criador; é criatura. Ele não consegue gerar uma imagem
concorrente à imagem de Deus. Por isso, corrompe. Tenta deformar nas criaturas
aquilo que deveria reflectir o Criador, até que elas passem a reproduzir o
princípio da sua própria rebelião. E qual é esse princípio? A criatura querendo
ocupar o lugar de Deus.
É por isso que a primeira
tentação registada em Génesis é tão reveladora. A serpente diz:
“Sereis como Deus,
conhecendo o bem e o mal.”
(Génesis 3:5).
Existe uma ironia profunda
aqui: eles já eram imagem e semelhança de Deus. Tinham sido criados para serem
semelhantes a Ele no carácter, na justiça e na santidade. Satanás seduziu-os à
rebelião. Deus diz:
“Reflecti quem Eu sou”.
A serpente diz:
“Não precisais de Deus para
determinar o bem e o mal; sede a vossa própria autoridade.”
Essa é a mentira que atravessa
toda a história humana.
Sabes o que acontece
imediatamente depois da queda? Deus declara à serpente:
“Porei inimizade entre ti e
a mulher, e entre a tua descendência e a sua descendência; esta te ferirá a
cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.”
(Génesis 3:15)
Aqui começa a ver-se um padrão
claro: há uma guerra antiga contra a mulher, contra a sua descendência e, em
última análise, contra a vida que carrega a imagem de Deus.
Esse padrão manifesta-se ao
longo das Escrituras. Faraó, no Egipto, ordena a morte dos meninos hebreus
(Êxodo 1:15-22). Herodes, na tentativa de impedir que o Messias cumprisse a Sua
missão, manda matar todos os meninos de Belém e das suas redondezas, de dois
anos para baixo (Mateus 2:16). Quando chegamos a Apocalipse 12, encontramos
novamente uma mulher, um filho varão e um dragão vermelho, que
“se pôs diante da mulher
que havia de dar à luz, para que, quando ela desse à luz, lhe devorasse o
filho”
(Apocalipse 12:4).
A Bíblia identifica o dragão
sem ambiguidade:
“O grande dragão, a antiga
serpente, chamada o Diabo e Satanás, que engana todo o mundo.”
(Apocalipse 12:9)
Existe uma guerra antiga
contra a vida e contra a descendência. Como cristã, não consigo olhar para o
aborto apenas como uma questão política ou moderna, porque existe algo
profundamente espiritual quando uma sociedade começa a discutir em que
circunstâncias uma vida humana pode ser considerada descartável. Existe uma
perversão ainda mais profunda: Deus concedeu ao corpo feminino a extraordinária
capacidade de gestar uma nova vida humana — uma vida feita à Sua imagem — e a
nossa cultura conseguiu convencer muitas mulheres de que essa vida pode ser
inimiga da sua liberdade, um mero aglomerado de células, um parasita que a
explora ou simplesmente algo que a vai atrapalhar. Não é curioso? Aquilo que
Deus chamou de fruto, o mundo pode chamar problema. Aquilo que Deus conhece
ainda no ventre (Salmo 139:13-16), o mundo reduz a algo descartável.
Jesus chamou a Satanás
“homicida desde o princípio” (João 8:44), porque Satanás não cria; ele distorce
aquilo que Deus criou. Ele é o pai da mentira e o assassino desde o início.
Esta guerra não é apenas pelo teu comportamento; é por aquilo que tu reflectes.
A criatura feita à imagem de Deus é o alvo.
Talvez agora compreendas que a
guerra contra a vida não começou no movimento feminista, nem nos governantes,
nem em qualquer tribunal; ela começou no Éden. E mesmo que possas não acreditar
em Deus, que rejeites por completo o relato da criação e consideres a Bíblia um
livro de mitos antigos, nada neste texto te obriga a mudar de opinião. O que
ele faz é mostrar, com as próprias palavras das Escrituras, um padrão que
atravessa a Bíblia, de Génesis a Apocalipse: uma hostilidade antiga e
persistente contra a vida humana no ventre e contra a descendência. Depois de o
leres, podes continuar a discordar e a defender o aborto. O que já não podes é
dizer que nunca te foi apresentado o que a Bíblia e a sua visão da história
afirmam sobre a origem da vida, sobre a imagem de Deus no ser humano e sobre o
aborto. A ignorância deixou de ser uma opção.
Título e Texto: Maria Helena Costa nasceu
em Aveiro, em 1965. É cristã, conservadora, casada, mãe de três filhos e avó de
duas netas. Preside à Associação Família Conservadora e é deputada municipal.
Realiza regularmente palestras sobre os impactos das correntes ideológicas
contemporâneas na infância. É autora de várias obras publicadas, entre as
quais: #éhoradospais – Uma defesa do superior interesse das crianças (2020),
Feminismo Tóxico (2022), Ideologia de Género – Crónicas publicadas no
Observador (2023), Identidade de Género – Ideologia ou Ciência? (2025) e Genocídio Silencioso (2026), ContraCultura,
15-10-2026

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