Há momentos em que o silêncio não significa concordância.
Significa cansaço.
Um cansaço que não vem do corpo, mas
da alma. Das notícias que nos deixam perplexos, das perguntas sem respostas e
da impressão de que nossas vozes já não são ouvidas.
É a sensação de impotência.
Aquela que nos invade quando
percebemos que, apesar de nossos esforços, o país parece seguir por caminhos
que não escolhemos.
Votamos. Participamos. Defendemos
nossas convicções. Acreditamos que a cidadania pode influenciar os destinos de
uma nação.
E, de repente, surge uma pergunta
desconcertante.
De que adianta?
É uma pergunta perigosa.
Porque uma democracia não se
enfraquece apenas quando suas instituições falham. Também perde vitalidade
quando seus cidadãos deixam de acreditar na possibilidade de transformá-la.
Há uma diferença entre perder uma
eleição e perder a esperança.
A primeira faz parte da democracia. A
segunda compromete seu futuro.
Não podemos exigir que a realidade
corresponda sempre às nossas expectativas, mas temos o direito de questionar,
discordar, fiscalizar e exigir explicações.
Esse direito não pertence aos vencedores nem aos vencidos.
Pertence aos cidadãos.
O perigo, entretanto, não está apenas
nos acontecimentos que nos indignam, mas naquilo que permitimos que façam
conosco.
A indignação permanente consome
energias, rouba o sono e transforma a preocupação com o país em sofrimento
pessoal.
Nenhuma causa, por mais justa que nos
pareça, deveria nos custar a saúde mental.
É preciso distinguir aquilo que
podemos transformar daquilo que, por enquanto, está além do nosso alcance.
Não é conformismo.
É preservar as forças para continuar.
Lembrei-me de Viktor Frankl,
psiquiatra austríaco que sobreviveu aos campos de concentração nazistas e
escreveu Em Busca de Sentido.
Frankl compreendeu, nas circunstâncias
mais desumanas, que mesmo quando nos retiram quase tudo, ainda podemos
preservar a capacidade de escolher nossa atitude diante do sofrimento.
Não se trata de negar a dor, aceitar
injustiças ou abandonar a esperança de mudar a realidade.
Trata-se de não permitir que as
circunstâncias destruam aquilo que somos.
Guardadas as enormes diferenças entre
aquela tragédia e as inquietações de nossos dias, sua reflexão permanece
valiosa.
Nem sempre podemos escolher o que
acontece à nossa volta.
Mas podemos escolher o que não estamos
dispostos a perder dentro de nós.
Afinal, há uma vida acontecendo
enquanto discutimos os destinos do Brasil.
Há famílias que precisam de nossa
presença, amigos que merecem nossa atenção, livros esperando para ser lidos e
abraços que não deveriam ser adiados.
Não podemos permitir que as decepções
políticas nos roubem também essas riquezas.
Muito menos os valores construídos ao
longo de uma existência.
A honestidade não deixa de ser virtude
porque outros a desprezam. A dignidade não perde seu valor porque alguns a
abandonaram. E a consciência não deve ser negociada ao sabor das conveniências.
Podemos perder disputas, enfrentar
decepções e assistir a acontecimentos que contrariam profundamente nossas
convicções.
Há uma derrota que não podemos
aceitar.
Perder a nós mesmos.
A história ensina que nenhum momento
político representa necessariamente o destino definitivo de uma nação.
Os tempos mudam. As circunstâncias se
transformam. Novas gerações chegam trazendo outras ideias e possibilidades.
A esperança não exige ingenuidade.
Exige apenas que não confundamos as
dificuldades do presente com a impossibilidade de um futuro melhor.
Precisamos cuidar da saúde, cultivar
as amizades e preservar a alegria de viver.
Porque a impotência é um sentimento
humano.
A resignação é uma escolha.
E o maior triunfo de quem deseja
governar sem ser questionado não é calar um povo. É convencê-lo de que falar já
não adianta.
Que não nos falte a coragem de
continuar.
Podemos não conseguir mudar os
acontecimentos. Mas podemos escolher o que eles não conseguirão mudar em nós.
Nossos valores. Nossa dignidade. Nossa
consciência.
E enquanto ela permanecer íntegra,
ainda não estaremos derrotados.
Título e Texto: Marcelo Duarte Lins,
Facebook,
27-10-2026, 13h53
Honramos sua memória!
Existe? Qual?
26-10-2027: Oeste sem filtro – Lula torrou mais de 400 bilhões de reais para se reeleger + m. ordena que Flávio entregue o passaporte + os efeitos da reeleição de Lula para a economia
[Aparecido rasga o verbo] E o câncer maligno seguirá destruindo...
Caos no Brasil: Lula vence eleições contra todas as espectativas, depois de suspensão da contagem durante 2 horas
A prorrogação das trevas

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Não publicamos comentários de anônimos/desconhecidos.
Por favor, se optar por "Anônimo", escreva o seu nome no final do comentário.
Não use CAIXA ALTA, (Não grite!), isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente. Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-