segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Caos no Brasil: Lula vence eleições contra todas as expectativas, depois de suspensão da contagem durante 2 horas


Paulo Hasse Paixão

A noite passada não foi bem dormida para milhões de brasileiros

Quase todas as sondagens e previsões até domingo à tarde davam Flávio Bolsonaro à frente; mas a contagem final deu a vitória a Lula, com 51,77% contra 48,23%.

A pedra de toque desta reviravolta parece ter sido uma polémica decisão do Supremo Tribunal. O juiz Cristiano Zanin, nomeado por Lula, alargou a votação a todo o país até às 19h00, hora de Brasília, após queixas de ambas as campanhas, e o Tribunal Eleitoral, o TSE, suspendeu a contagem por cerca de duas horas. 

Uma espécie de flashback.

Acontece que quando a contagem foi reatada, as tendências inverteram-se: Bolsonaro, que liderava o escrutínio passou num curto espaço de tempo para o vencido da noite. Este é um filme que já vimos acontecer, numa outra federação das Américas, em 2020. 

Parlamentares da oposição, entre os quais membros do Partido Liberal (PL) de Bolsonaro, afirmam que Zanin atropelou a autoridade do TSE para beneficiar apenas Lula. O deputado Marcel van Hattem classificou a decisão do Supremo como “absurda” e uma tentativa de vencer “nos tribunais”, e disse que vai procurar a destituição dos ministros que abusaram do seu poder.

Nikolas Ferreira, deputado do PL, disse que a prorrogação beneficiou “apenas um lado”, e Bia Kicis afirmou que sentia “um cheiro a golpe do PT no ar”. Flávio Bolsonaro, após votar, disse que o Brasil não aguentaria mais quatro anos como está agora; tendo depois contestado a contagem publicamente e exigido um novo ato eleitoral.

Por seu lado, a coligação de Lula afirma que pediu mais tempo porque os autarcas reduziram as frotas de autocarros na Bahia e em São Paulo, deixando os eleitores sem transporte. Lula disse que aceitaria o resultado, independentemente de quem ganhasse.

Os aliados de Lula descrevem a direita como estando a preparar uma contestação antecipadamente. Uma análise da Goldman Sachs tinha alertado que uma margem inferior a um ponto percentual poderia aumentar o risco de um resultado contestado.

Os juízes do tribunal eleitoral terão considerado a ordem de Zanin uma invasão da sua jurisdição, ao mesmo tempo que descartaram uma “terceira volta”. Uma no cravo e outra na ferradura, portanto.

A senadora Tereza Cristina disse que o episódio vai deixar marcas no sistema eleitoral, enquanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, pediu a todos que aceitassem o resultado da votação. 

Rumores e teorias.

Entretanto, circulam rumores que a prorrogação do prazo visava preparar a anulação da segunda volta, na perspectiva de que Bolsonaro a iria vencer. Sebastião Coelho, juiz jubilado, afirmou num vídeo que “estamos perante a preparação para anular esta segunda volta” e classificou a circunstância como “uma grande fraude”; apontando para o momento do pedido de Lula e da ordem de Zanin, quando tudo indicava uma vitória do seu adversário.

Há também quem alegue que as máquinas electrónicas de voto podem ser manipuladas, porque não imprimem um comprovativo para o eleitor verificar que o seu voto foi registado correctamente.

Em causa está também a supervisão dos fiscais eleitorais. Flávio incentivou os seus apoiantes a dirigirem-se aos locais de voto depois das 17h00 para verificar se os chefes das mesas registavam os votos dos eleitores ausentes; sendo que os apoiantes de Lula consideraram este apelo uma receita para a intimidação.

À esquerda, acusa-se a campanha de Flávio Bolsonaro de estar a preparar a narrativa que justifique um golpe de Estado. 

A eleição pode ser anulada?

Vários advogados eleitorais afirmaram que o ato de ontem pode ser anulado devido à confusão em torno da decisão tardia de alargar o horário de votação. Todos os quatro advogados entrevistados consideram a situação sem precedentes.

A advogada Priscilla Sodré Pereira afirmou a este propósito:

“Esta é uma situação extremamente grave e crítica. Até porque no momento do anúncio, algumas mesas de voto já tinham fechado, as suas urnas electrónicas tinham sido desligadas e não puderam reabrir.”

Fernando Neisser, professor de direito eleitoral da Fundação Getúlio Vargas, um instituto de sondagens brasileiro, afirmou que a eleição pode ser anulada se a margem for demasiado estreita e se se provar que as mesas de voto se mantiveram abertas durante mais tempo em zonas que favorecem fortemente um dos candidatos.

O TSE já declarou formalmente o vencedor, devendo ser apresentadas contestações aos tribunais eleitorais dentro dos prazos legais. O presidente eleito toma posse a 5 de Janeiro de 2027. 

Título e Texto: Paulo Hasse Paixão, ContraCultura, 26-10-2026

Relacionados:
A prorrogação das trevas 
Uma madrugada, uma canetada e uma pulga atrás da orelha 
Oeste eleições 2026: Apuramento e Resultados ao vivo 
O analógico e o digital na disputa do voto 
Multidão lota a Praia da Barra + JN: Último dia de campanha de Flávio Bolsonaro 
O conto do vigário de Lula e suas raízes

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Não publicamos comentários de anônimos/desconhecidos.

Por favor, se optar por "Anônimo", escreva o seu nome no final do comentário.

Não use CAIXA ALTA, (Não grite!), isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente. Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-