Paulo Hasse Paixão
Um menino de 2 anos que viajava com a mãe num barco de migrantes em
direção à ilha de Lanzarote, nas Canárias, terá sido atirado ao mar porque não
parava de chorar, segundo um responsável pela resposta a emergências na ilha.
Enrique Espinosa, gestor do
Consórcio de Segurança e Emergências do Conselho da Ilha de Lanzarote
(Cabildo), relatou o episódio no programa “A Buena Hora” da rádio
Crónicas, quando questionado sobre um caso de agressão sexual contra uma mulher
durante uma travessia de um barco, pelo qual três homens foram detidos e
enviados para prisão preventiva.
Segundo Espinosa, o caso da
criança foi um dos acontecimentos “mais terríveis” que os serviços de
emergência encontraram.
“Num barco, atiraram à água
um menino de 2 anos que chorava no colo da mãe”.
Espinosa acrescentou que os
relatos dos passageiros descrevem situações “a roçar a desumanidade”.
A roçar?!
O destino do menino de 2 anos
continua a ser uma incógnita. Espinosa não informou quando ocorreu o alegado
incidente e se a criança foi resgatada ou se sobreviveu. O apresentador do
programa de rádio não fez mais perguntas sobre a criança, por incrível que
possa parecer.
Espinosa descreveu uma situação de crescente pressão a que a fronteira marítima espanhola está a ser sujeita, afirmando:
“Desde junho, as chegadas
aumentaram devido ao efeito Ceuta e há menos controlo na fronteira marroquina”.
Estas declarações surgiram
depois da Polícia espanhola ter detido três homens, de 21, 25 e 30 anos, como
alegados autores de um abuso sexual ocorrido a 16 de setembro, durante uma
travessia com destino a Lanzarote. A investigação localizou ainda uma
testemunha que viajava no mesmo barco. Os três suspeitos foram posteriormente
colocados em prisão preventiva.
A polícia informou que a
mulher denunciou a agressão depois da embarcação ter chegado ao porto de
Arrecife. As equipas da guarda costeira resgataram 65 sobreviventes dessa
travessia e recuperaram três cadáveres da água.
O relato do que aconteceu a
esta criança coincidiu com vários dias de grande fluxo de barcos a chegar a
Lanzarote. Espinosa disse que oito barcos chegaram à ilha em apenas dois dias,
transportando mais de 400 migrantes, e que as equipas de emergência assistiram
várias pessoas com desidratação, hipotermia e outros ferimentos.
Os números das pessoas que
morrem, das mulheres que são violadas, dos crimes que são cometidos nas
travessias ilegais de migrantes para a Europa são desconhecidos. Os traficantes
não são perseguidos ou capturados. A responsabilidade pela mortandade e pela
criminalidade deve, porém, ser atribuída aos líderes políticos europeus, que
são, sem excepção, promotores e cúmplices destes horrores.
Título, Imagem e Texto: Paulo
Hasse Paixão, ContraCultura,
16-10-2026

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