sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Menino de 2 anos atirado ao mar por traficantes irritados com o seu choro

Paulo Hasse Paixão 

Um menino de 2 anos que viajava com a mãe num barco de migrantes em direção à ilha de Lanzarote, nas Canárias, terá sido atirado ao mar porque não parava de chorar, segundo um responsável pela resposta a emergências na ilha. 

Enrique Espinosa, gestor do Consórcio de Segurança e Emergências do Conselho da Ilha de Lanzarote (Cabildo), relatou o episódio no programa “A Buena Hora” da rádio Crónicas, quando questionado sobre um caso de agressão sexual contra uma mulher durante uma travessia de um barco, pelo qual três homens foram detidos e enviados para prisão preventiva.

Segundo Espinosa, o caso da criança foi um dos acontecimentos “mais terríveis” que os serviços de emergência encontraram.

“Num barco, atiraram à água um menino de 2 anos que chorava no colo da mãe”.

Espinosa acrescentou que os relatos dos passageiros descrevem situações “a roçar a desumanidade”.

A roçar?!

O destino do menino de 2 anos continua a ser uma incógnita. Espinosa não informou quando ocorreu o alegado incidente e se a criança foi resgatada ou se sobreviveu. O apresentador do programa de rádio não fez mais perguntas sobre a criança, por incrível que possa parecer.

Espinosa descreveu uma situação de crescente pressão a que a fronteira marítima espanhola está a ser sujeita, afirmando:

“Desde junho, as chegadas aumentaram devido ao efeito Ceuta e há menos controlo na fronteira marroquina”.

Estas declarações surgiram depois da Polícia espanhola ter detido três homens, de 21, 25 e 30 anos, como alegados autores de um abuso sexual ocorrido a 16 de setembro, durante uma travessia com destino a Lanzarote. A investigação localizou ainda uma testemunha que viajava no mesmo barco. Os três suspeitos foram posteriormente colocados em prisão preventiva.

A polícia informou que a mulher denunciou a agressão depois da embarcação ter chegado ao porto de Arrecife. As equipas da guarda costeira resgataram 65 sobreviventes dessa travessia e recuperaram três cadáveres da água.

O relato do que aconteceu a esta criança coincidiu com vários dias de grande fluxo de barcos a chegar a Lanzarote. Espinosa disse que oito barcos chegaram à ilha em apenas dois dias, transportando mais de 400 migrantes, e que as equipas de emergência assistiram várias pessoas com desidratação, hipotermia e outros ferimentos.

Os números das pessoas que morrem, das mulheres que são violadas, dos crimes que são cometidos nas travessias ilegais de migrantes para a Europa são desconhecidos. Os traficantes não são perseguidos ou capturados. A responsabilidade pela mortandade e pela criminalidade deve, porém, ser atribuída aos líderes políticos europeus, que são, sem excepção, promotores e cúmplices destes horrores.

Título, Imagem e Texto: Paulo Hasse Paixão, ContraCultura, 16-10-2026

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