Paulo Hasse Paixão
A agitação social que assola
França desde o início de outubro intensificou-se este fim de semana, com
imagens a circular nas redes sociais que mostram uma clara escalada da
violência por parte dos radicais de extrema-esquerda e das minorias étnicas e
uma chocante deterioração da ordem pública. O caos persistente expõe as
limitações da resposta do regime Macron e levanta questões alarmantes sobre a
capacidade – e a vontade – do governo para conter a crise.
NOW - Chaos at Place de la République in Paris, France. https://t.co/QE7Z7VmwFL
— Disclose.tv (@disclosetv) October 17, 2026
Os dados oficiais mais
recentes revelam que no sábado 550 mil pessoas participaram em tumultos e
protestos em todo o país, incluindo 110 mil na área metropolitana de Paris.
Outros relatos
indicam que os tumultos e o caos se espalharam para outros países da UE.
Em Paris, a polícia utilizou
gás lacrimogéneo e canhões de água enquanto os radicais de extrema-esquerda
destruíam montras, pilhavam lojas, incendiavam veículos e atacavam as forças de
segurança. Os manifestantes atacaram lojas de luxo e alguns terão ameaçado
invadir o Palácio do Eliseu.
JUST IN: 🇫🇷 Insane footage of destroyed vehicles today in Paris, France https://t.co/8WUhPgYZQq
— Megatron (@Megatron_ron) October 17, 2026
Os distúrbios surgiram em outras grandes cidades francesas. Um posto de turismo foi incendiado em Lyon, enquanto os manifestantes terão invadido edifícios públicos em Lille. Em Marselha, os radicais envolveram-se em batalhas campais com a polícia, derrubaram um busto de Marianne e vandalizaram a sede da autarquia.
⚠️🔴 À REGARDER JUSQU'À LA FIN JE NE PEUX PAS DÉCRIRE CE QUE JE VIENS DE VIVRE À MARSEILLE. #17octobre https://t.co/F8bLimtd7y
— confrontation française (@confrontfr) October 17, 2026
A Câmara Municipal de Limoges,
um edifício classificado como monumento histórico, foi incendiado e ardeu de
tal forma que parte da estrutura acabou por ruir.
La mairie de Limoges s’effondre… 🥹 Classé monument historique, le bâtiment existait depuis 150 ans (1876) https://t.co/UW3Ej8UNm3
— Destination Télé (@DestinationTele) October 17, 2026
Em Bordéus, os manifestantes
atacaram e pilharam lojas da Apple, da Louis Vuitton e da Hermès. Todas estas
imagens ilustram bem a preocupante quebra da ordem pública em toda a França.
They’ve just looted Louis Vuitton in #Bordeaux #17octobre https://t.co/GahzWtMljh
— Heather (@HeaterMart) October 17, 2026
A imprensa corporativa
continua a propagar a narrativa de que os “manifestantes” são apenas jovens a
exigir mais verbas para a educação, salários mais elevados para os professores
e proteção das pensões e dos serviços públicos contra cortes orçamentais. Mas
qualquer pessoa com um neurónio ativo percebe que a narrativa é fraudulenta.
🇫🇷 Footage from central Paris today amid intense rioting across France. https://t.co/Q8YnbJmh2a
— Europa.com (@europa) October 17, 2026
É claro que o problema na
república francesa também é o da sua falência orçamental, a que os sucessivos governos globalistas a condenaram, mas o clima de guerra civil que se vive desde o princípio deste mês tem outras e mais
profundas complicações: o histórico niilismo jacobino da esquerda, a
substituição demográfica e consequente fragmentação tribal da sociedade, e o projeto
de destruição civilizacional que as elites francesas acarinham há muitas
décadas e que encontrou na escolástica do World Economic Forum um motor de
aniquilação para o século XXI.
Ainda assim, e por muito
difícil que seja a ideia de digerir, o que está a acontecer em França tem como
primeiros responsáveis os franceses, que permitiram, celebraram e legitimaram a
condução do seu próprio país ao colapso social e económico.
Vão-me perdoar, mas a responsabilidade pela queda não é dos selvagens. É dos "civilizados", que votaram como votaram, toleraram como toleraram, obedeceram como obedeceram. Lamento, mas os franceses nativos, brancos, merecem isto completamente. E o pior está por vir.
— ContraCultura (@Conta_do_Contra) October 18, 2026
O regresso dos Coletes
Amarelos e a impotência de Macron.
Como se o caos não fosse já
insustentável, um vasto leque de sindicatos e até um movimento remanescente do
original ‘Coletes Amarelos’ (Gilets Jaunes) estão a juntar-se à
guerra aberta pela extrema-esquerda, ampliando a instabilidade social e
aumentando a pressão sobre o presidente Emmanuel Macron, que se aproxima do fim
do seu mandato no contexto de uma subvelação que, mesmo considerando o apreço
que os franceses têm em vir para a rua queimar caixotes de lixo, não tem
grandes precedentes no século XXI.
As pressões políticas, sociais
e fiscais em França estão acumular-se cada vez mais, com os elevados custos de
crédito a dificultarem o financiamento da habitação e das empresas, bem como do
seu enorme aparelho estatal, fundado numa lógica de onerosas garantias da
segurança social.
O spread do Credit Default Swap (CDS) soberano francês a cinco anos saltou para cerca de 79 pontos base, mais do dobro do seu nível recente, próximo dos 30 pontos, e aproximadamente o mais elevado desde 2013. A subida demonstra que os investidores exigem um prémio mais elevado para proteger a dívida pública francesa contra o risco de incumprimento, à medida que a preocupação com o risco de crédito soberano aumenta. No entanto, o spread continua muito abaixo do pico de 222 pontos base observado durante a crise da dívida da zona euro em 2009 e 2010.
Estas pressões têm
impulsionado nas sondagens o partido nacionalista Rassemblement National (RN),
de Marine Le Pen, que se posiciona como a favorita
para ganhar as eleições presidenciais do próximo ano. O orçamento paralelo
recentemente apresentado por Le Pen propõe cortes nas despesas para restaurar o
bom senso orçamental e reduzir o risco de uma crise da dívida soberana.
Mas observando o que estamos a
ver agora nas ruas das cidades francesas, é fácil imaginar o caos que vai
suceder depois de Le Pen ser eleita.
A agitação está a exercer uma
pressão significativa sobre o primeiro-ministro Sébastien Lecornu, que procura
apoio parlamentar para conter a despesa e reduzir o défice orçamental para 5%
do PIB em 2027, uma meta que a França não atingiu este ano. De salientar que a
França não equilibra o seu orçamento desde 1973.
Quanto a Emmanuel Macron, tem
recorrido a saladas de palavras, simulando uma autoridade que não tem,
parecendo sempre e invariavelmente mais preocupado em hostilizar os russos do
que em pacificar os franceses, e não se coibindo sequer de assistir, na
companhia do marido, a concertos pop, enquanto o país arde e é barbaramente
saqueado. TUITE 7
Nem Macron, nem Lecornu
parecem capazes de conter a grande turba (fica por saber se não é precisamente
a queda da república que na verdade objetivam), incapazes e indisponíveis para
tomarem decisões certeiras e eficazes contra a devastação, como a imposição do
recolher obrigatório ou a imposição do Estado de Emergência no país, e os distúrbios,
a serem extintos a curto prazo, será por cansaço dos vândalos, e não por ação
governamental.
Afinal, e por muito
incompetente que pareça (e é), o presidente francês vai acabar por deixar a
França exatamente como a agenda globalista deseja: dividida e arruinada.
Novos e bárbaros
desenvolvimentos já foram calendarizados para 24 de Outubro. Entretanto, a agitação social, por
natureza epidémica, espalha-se para outros países europeus, incluindo Espanha, Itália, Albânia, Bélgica e… Portugal.
Macron at a Celine Dion concert as France burns to the ground. https://t.co/sMo6Dpxwsl
— Tommy Robinson 🇬🇧 (@TRobinsonNewEra) October 17, 2026
A distopia WEF está prestes a
atingir o seu apogeu.
Título, Imagem e Texto: Paulo
Hasse Paixão, ContraCultura,
19-10-2026
Guerre civile en France : qu’est-ce qui déclenchera l’étincelle ?


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