segunda-feira, 19 de outubro de 2026

A França em pé de guerra: violência, pilhagem, destruição e a falência da República

Paulo Hasse Paixão

A agitação social que assola França desde o início de outubro intensificou-se este fim de semana, com imagens a circular nas redes sociais que mostram uma clara escalada da violência por parte dos radicais de extrema-esquerda e das minorias étnicas e uma chocante deterioração da ordem pública. O caos persistente expõe as limitações da resposta do regime Macron e levanta questões alarmantes sobre a capacidade – e a vontade – do governo para conter a crise.

Os dados oficiais mais recentes revelam que no sábado 550 mil pessoas participaram em tumultos e protestos em todo o país, incluindo 110 mil na área metropolitana de Paris. Outros relatos indicam que os tumultos e o caos se espalharam para outros países da UE.

Em Paris, a polícia utilizou gás lacrimogéneo e canhões de água enquanto os radicais de extrema-esquerda destruíam montras, pilhavam lojas, incendiavam veículos e atacavam as forças de segurança. Os manifestantes atacaram lojas de luxo e alguns terão ameaçado invadir o Palácio do Eliseu.

Os distúrbios surgiram em outras grandes cidades francesas. Um posto de turismo foi incendiado em Lyon, enquanto os manifestantes terão invadido edifícios públicos em Lille. Em Marselha, os radicais envolveram-se em batalhas campais com a polícia, derrubaram um busto de Marianne e vandalizaram a sede da autarquia.

A Câmara Municipal de Limoges, um edifício classificado como monumento histórico, foi incendiado e ardeu de tal forma que parte da estrutura acabou por ruir.

Em Bordéus, os manifestantes atacaram e pilharam lojas da Apple, da Louis Vuitton e da Hermès. Todas estas imagens ilustram bem a preocupante quebra da ordem pública em toda a França.

A imprensa corporativa continua a propagar a narrativa de que os “manifestantes” são apenas jovens a exigir mais verbas para a educação, salários mais elevados para os professores e proteção das pensões e dos serviços públicos contra cortes orçamentais. Mas qualquer pessoa com um neurónio ativo percebe que a narrativa é fraudulenta.

É claro que o problema na república francesa também é o da sua falência orçamental, a que os sucessivos governos globalistas a condenaram, mas o clima de guerra civil que se vive desde o princípio deste mês tem outras e mais profundas complicações: o histórico niilismo jacobino da esquerda, a substituição demográfica e consequente fragmentação tribal da sociedade, e o projeto de destruição civilizacional que as elites francesas acarinham há muitas décadas e que encontrou na escolástica do World Economic Forum um motor de aniquilação para o século XXI.

Ainda assim, e por muito difícil que seja a ideia de digerir, o que está a acontecer em França tem como primeiros responsáveis os franceses, que permitiram, celebraram e legitimaram a condução do seu próprio país ao colapso social e económico.

O regresso dos Coletes Amarelos e a impotência de Macron.

Como se o caos não fosse já insustentável, um vasto leque de sindicatos e até um movimento remanescente do original ‘Coletes Amarelos’ (Gilets Jaunes) estão a juntar-se à guerra aberta pela extrema-esquerda, ampliando a instabilidade social e aumentando a pressão sobre o presidente Emmanuel Macron, que se aproxima do fim do seu mandato no contexto de uma subvelação que, mesmo considerando o apreço que os franceses têm em vir para a rua queimar caixotes de lixo, não tem grandes precedentes no século XXI.

As pressões políticas, sociais e fiscais em França estão acumular-se cada vez mais, com os elevados custos de crédito a dificultarem o financiamento da habitação e das empresas, bem como do seu enorme aparelho estatal, fundado numa lógica de onerosas garantias da segurança social.

O spread do Credit Default Swap (CDS) soberano francês a cinco anos saltou para cerca de 79 pontos base, mais do dobro do seu nível recente, próximo dos 30 pontos, e aproximadamente o mais elevado desde 2013. A subida demonstra que os investidores exigem um prémio mais elevado para proteger a dívida pública francesa contra o risco de incumprimento, à medida que a preocupação com o risco de crédito soberano aumenta. No entanto, o spread continua muito abaixo do pico de 222 pontos base observado durante a crise da dívida da zona euro em 2009 e 2010. 

Estas pressões têm impulsionado nas sondagens o partido nacionalista Rassemblement National (RN), de Marine Le Pen, que se posiciona como a favorita para ganhar as eleições presidenciais do próximo ano. O orçamento paralelo recentemente apresentado por Le Pen propõe cortes nas despesas para restaurar o bom senso orçamental e reduzir o risco de uma crise da dívida soberana.

Mas observando o que estamos a ver agora nas ruas das cidades francesas, é fácil imaginar o caos que vai suceder depois de Le Pen ser eleita.

A agitação está a exercer uma pressão significativa sobre o primeiro-ministro Sébastien Lecornu, que procura apoio parlamentar para conter a despesa e reduzir o défice orçamental para 5% do PIB em 2027, uma meta que a França não atingiu este ano. De salientar que a França não equilibra o seu orçamento desde 1973.

Quanto a Emmanuel Macron, tem recorrido a saladas de palavras, simulando uma autoridade que não tem, parecendo sempre e invariavelmente mais preocupado em hostilizar os russos do que em pacificar os franceses, e não se coibindo sequer de assistir, na companhia do marido, a concertos pop, enquanto o país arde e é barbaramente saqueado. TUITE 7

Nem Macron, nem Lecornu parecem capazes de conter a grande turba (fica por saber se não é precisamente a queda da república que na verdade objetivam), incapazes e indisponíveis para tomarem decisões certeiras e eficazes contra a devastação, como a imposição do recolher obrigatório ou a imposição do Estado de Emergência no país, e os distúrbios, a serem extintos a curto prazo, será por cansaço dos vândalos, e não por ação governamental.

Afinal, e por muito incompetente que pareça (e é), o presidente francês vai acabar por deixar a França exatamente como a agenda globalista deseja: dividida e arruinada.

Novos e bárbaros desenvolvimentos já foram calendarizados para 24 de Outubro. Entretanto, a agitação social, por natureza epidémica, espalha-se para outros países europeus, incluindo Espanha, Itália, Albânia, Bélgica e… Portugal.

A distopia WEF está prestes a atingir o seu apogeu.

Título, Imagem e Texto: Paulo Hasse Paixão, ContraCultura, 19-10-2026

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