Aparecido Raimundo de Souza
Um país, para ser rotulado como tal, é como simploriamente chamaríamos de
uma “casa”, onde habita uma família, com parentes, agregados e, eventualmente,
visitas ou hóspedes. Para que ela funcione a contento, existem conceitos
elementares de organização, regras e, sobretudo, autoridade, sem os quais a
convivência entre seus pares, se torna difícil, capenga, truncada e, dependendo
de certas situações, indigestamente fastidiosa e insuportável. Todos sabem (ou
deveriam cultivar esse entendimento) que tudo nela é de todos, se resguardando,
obviamente, os objetos de uso pessoal, entre os quais as simples escovas de
dentes, por exemplo e logicamente as roupas caracterizadas como íntimas. Furtar
um objeto ou danificá-lo, de caso pensado, e despropositado, e não tendo
sentido prático pela consequência do gasto, a não ser que o autor seja uma
ovelha desgarrada ou um desequilibrado mental, certamente tal avaria não
passaria despercebida e prontamente se veria reprimida pelos demais.
Como situar uma casa que, ao invés de uma família, fosse habitada por delinquentes, que rebentam os fios que guarnecem as lâmpadas de todos os cômodos, quebram os pratos, queimam as cortinas com cigarros, e cospem no chão? Tem mais itens: picham as paredes, xingam e agridem as visitas, perturbam os vizinhos, mijam e defecam fora do vaso sanitário, sem falar, mas já o fazendo, no descuido em não puxar a cordinha da descarga, promovendo um entupimento estapafúrdico no infeliz do “cagador”, que muitas vezes, em face desses esquecimentos, ficaria sem saber onde enfiar o nariz. Não existe nada mais infame, os senhores devem saber que uma bacia de privada com o cheirador congestionadamente atravancado ou embatumado por fezes de péssimos odores.
Como se não bastasse, caem na gargalhada. Esses outros problemas contidos no breviário da insensatez social e pública, desenham o nosso dia-a-dia, de modo que ele se torne insuportável. Caos ou anarquia, na verdade, não define nem menciona corretamente a situação em que está enchiqueirado até o pescoço, o nosso país. Teríamos um nome meio fora de esquadro, (mas acertadíssimo) para definirmos esse quadro lúgubre em que está mergulhado o nosso desgastado país. E que nome seria esse? Esculhambação. Esculhambação, por seu turno, se traduz ao pé da letra, como a mesmíssima figura esguia da depravação infeccionada. Dito de forma mais ampla, seria o mesmo que desmoralizar, perverter, prostituir, contaminar, infectar, ulcerar ou escangalhar.
Todas essas palavrinhas lindas, nos levam a uma única desembocadura. O
chulo ululante. O termo é ignóbil, ou seja, (fede a um punhado de coisas
apodrecidas), e esse cheiro, em linhas gerais, é aterrador, lancinante e para
variar, açambarca o monumental teatro maquiavélico dos políticos, dos
vagabundos, dos safardanas, enfim, de figuras grotescas que deveriam estar
engaiolados nos confins da Santíssima Nossa Senhora da Papuda. Em paralelo,
igualmente, entre tapas e beijos, temos uma outra pocilga, esta conhecida como
“a casa brazzzzzzil”, e essa casa vai assim, dia após dia, carregando velhos e
novos pecados institucionais, como se tudo fosse uma putaria normal dentro do
anormal. Sustentado pela sociedade, uma sociedade, por sua vez, podre,
catingosa e repletada de bunicos enfedorentados, se faz por conta, falecida,
cega e manquitola.
Malgrado além de todos esses quadros cheios de adjetivos (por sinal
lindos e maviosos), tudo o que é considerado bom e útil, vai ficando para trás,
se perdendo nas malhas do “deus-dará” O Estado, por seu turno, ou o que restou
dele, é um enorme cagalhão e como tal, caminha indiferente, transita o
desgraçado à margem de uma realidade que assola o país como um punhado de
cânceres incuráveis, aliás, é bom que se diga, um mal sem cura pior que o
outro. Por conta dessas moléstias irremovíveis e insanáveis, o imoral se
engrandece, vai aos trancos e barrancos perneteando nos ouvidos, nas vistas e
nas pernas, mas vai com tudo. A coisa
segue em frente, se esbalda bela e formosa, auspiciosa e fagueira. A pratica do
“privilégio”, então, que bem sabemos tem origem cultural bastante definida, e
já está e vem incorporada a burocracia, e é seguida à risca nas benesses dos
direitos legais, normalmente amorais, o que fragiliza ainda mais as atrocidades
que conhecemos e aceitamos como “instituições”. Aliás, todas elas rotuladas de
juridicamente legalizadas.
Com isso, e por isso, o brazzzzzzzil de espasmos de moralização é o mesmo
das iniciativas políticas que mudam como o vento e que nunca chegam ao fim.
Lembram do “Fome Zero”, por exemplo, um lampejo de Lula Mula Cula Fula Inácio
da Silva? Ele se embaralhou na inconsistência organizacional para solução
imediata e sobretudo, em controle da kikikikikik natalidade. Bem sabemos,
atacar a miséria humana com comida sempre foi um suculento prato
eleitoral. E os trouxas que se dignam a
votar, gostam de comê-lo enquanto ainda estão sendo preparados. E cá entre nós,
essa pouca vergonha continuará sendo, e seguirá avante, indefinidamente, até
que apareça um presidente macho, peitudo e que não se venda por trinta moedas
ao banco mais famoso do país, o Master.
Entre as reformas políticas, tivemos a da Previdência (lembram
dela??) mais famosa que a Tributária,
sem tirar nem pôr, cada uma delas até hoje, ocupa as mentes dos poderes pelo
alto interesse corporativo. Todos que estão no Poder, todos, bem ainda os larápios
e cachaceiros, os vigaristas de sindicato e carteirinha, os sem lei, sem Deus,
e o sem noção, que pretendem mamar as nossas custas, a desejam ardentemente,
desde que, vejam bem, desde que... e (nunca se esqueçam disso), desde que se
respeite os privilégios, todos eles, e agora, pasmem, senhores e senhores,
entra em cena a expectativa do direito (esquerdo) adquirido.
E, assim, entre bordoadas e safanões, beliscões e rasteiras, os
brasileiros imbecilizados e medíocres, os aparvalhados e os estonteados, os
cegos dos ouvidos e os surdos dos olhos, vão se valendo da proverbial esperteza
para ninguém sair prejudicado. Isso jamais! E, assim, a disposição dos
congressistas, outra velha figura conhecida do povaréu brasileiro e sem
respingos de amanhã os congressistas vão se valer da incomensurável esperteza e
galhardia para ninguém da “panelinha”, melhor dito, da “cúpula da panelinha”
indubitavelmente para ninguém sair prejudicado. Isso jamais!
E a prole dos descamisados, a descendência dos manés e a ascendência de
seus trocentos miseráveis, indubitavelmente ficarão arreganhadamente felizes,
radiantes e claro, satisfeitíssimos. Enquanto isso, senhores e senhoras, vivam
os fins dos tempos do escangalhado brazzzzzzzil sem trancas, travas e porteiras
escancaradas as bicharadas que advirão com os resultados das UR’i’NAS do
segundo turno. Vamos todos mijar. O mijo é uma espécie de voto igualado ao
sufrágio UNIVERSAL, ou seja, o poder de mijar ou urinar, é a base da
“demoniocracia” representativa de todos os cidadãos brasileiros.
Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, de Vila Velha, ES,
13-10-2026
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